ALEXANDER SOKUROV

 

A retrospectiva que em 1999 o 7º Curtas Vila do Conde dedicou ao realizador russo Alexander Sokurov (n. 1951) - que não teve lugar em 1998 devido à impossibilidade do cineasta se deslocar a Vila do Conde -, consistiu na apresentação de todos os seus trabalhos com duração inferior a 60 minutos (curtas-metragens em vídeo e em filme), com excepção de “Patience Labour” que o autor considera um trabalho de estudo do seu director de fotografia e, como tal, impróprio para exibição pública, e “To the Events in the Transcaucasian Region” que Sokurov entende não ser compreensível nem relevante sem se conhecer o real contexto político da Rússia daquela altura. Os filmes “The Degraded” e “Empire” foram exibidos pela primeira vez fora da Rússia e deles só se conhece o paradeiro das cópias vídeo.

 

Entre 1978 e 1987, Sokurov realizou três longas-metragens, duas curtas-metragens de ficção e seis documentários, obras insólitas e pouco conformistas, que não escaparam à censura do Estado. É essencialmente através de Andrei Tarkovsky, a viver no exílio, que Sokurov, praticamente impedido de trabalhar profissionalmente, é transformado numa causa e é criado um fundo para o ajudar. Já em 1987, este reconhecimento, as transformações da União Soviética e os esforços da União dos Profissionais de Cinema da U.R.S.S., resultam, finalmente, na divulgação dos seus filmes. A partir desta altura, o cineasta russo filma sucessivamente e passa a ser reconhecido como um dos mais fascinantes realizadores russos e a ser premiado em numerosos festivais.

 

Esta retrospectiva dedicada ao cineasta russo foi acompanha por Manoel de Oliveira que registou em vídeo uma conversa sobre cinema, arte e religião com cerca de 3 horas que foi posteriormente exibida na homenagem que o Festival de Turim dedicou ao realizador português em 2000 e na homenagem do 16º Curtas Vila do Conde, na passagem dos seus 100 anos e pela estreita colaboração desenvolvida desde a sua primeira edição.