APICHATPONG WEERASETHAKUL

 

Nascido em Banguecoque, em 1970, Apichatpong Weerasethakul cresceu no nordeste da Tailândia. Licenciou-se em Arquitectura e fez um mestrado em Belas Artes, com especialização em cinema, na Escola das Artes do Instituto de Chicago. Desde que começou a realizar filmes e vídeos no início da década de 90, tornou-se um dos poucos cineastas a trabalhar fora do restrito sistema de estúdio tailandês. Através da sua produtora, Kick the Machine, que fundou em 1999, tem trabalhado activamente na promoção de filmes experimentais e independentes.

 

Desde que o Curtas Vila do Conde dedicou uma retrospectiva ao autor, em 2006, Apichatpong Weerasethakul ganhou uma relevância internacional sem precedentes e que culminou com a Palma de Ouro, no Festival de Cannes 2010, para o enigmático "O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Passadas" (exibido em ante-estreia nacional no Curtas 2010). Tornou-se, dessa forma, numa das confirmações do cinema contemporâneo, através de filmes que exploram uma nova sensibilidade metafísica.

 

Em 2006, o Curtas dedicou a secção In Focus ao autor, que esteve presente em Vila do Conde. Para além de vários dos seus filmes, Apichatpong Weerasethakul apresentou a instalação vídeo "Waterfall", uma dimensão expositiva do seu trabalho que mantém recorrentemente. Para além disso, em 2009, o festival exibiu, na sua competição internacional, a curta "A Letter to Uncle Boonmee", um filme percursor da obra que venceria, um ano mais tarde, o Festival de Cannes.

 

No catálogo de 2006, na entrevista ao autor, Apichatpong Weerasethakul diz-nos: "Gosto de formas livres. As imagens que surgem repentinamente têm mais peso que uma narrativa coerente. Para mim, a sala de cinema é como um veículo que transporta os espectadores para territórios desconhecidos. Às vezes, basta apenas olhar e não pensar - como quando viajamos numa terra estranha. Por vezes, quando deixamos a nossa mente à deriva, parece que há duplas narrativas à solta. Isso parece-me muito interessante".