DANIELE CIPRI & FRANCO MARESCO

 

A presença dos filmes de Daniele Cipri e Franco Maresco em Vila do Conde tem sido uma constante, desde que o Festival lhes dedicou uma retrospectiva em 2001, sob o tema “Cinema Cinico”. O cinema desta dupla de cineastas sicilianos, considerado por Stefano della Casa como “uma das poucas novidades interessantes nestes anos recentes do cinema italiano", debruça-se sobre centros de interesse completamente díspares. A retrospectiva em 2001, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, dividiu-se em três programas, que incluíram uma selecção dos primeiros trabalhos de Cipri e Maresco realizados para a televisão italiana, filmes surpreendentes pela forma única como captam os absurdos da vida. Destaque para a apresentação de “Lo zio di Brooklyn”, um filme que serviu de pretexto para a descrição do fim do mundo, do apocalipse, através de uma galeria de personagens surrealistas, e de “Enzo, domani a Palermo!”, uma emocionante e inacreditável viagem pela história de Enzo Castagna, “o melhor organizador de festivais do mundo”.

 

Mais recentemente, na 13ª edição do Curtas Vila do Conde, foi apresentado o filme “Come Inguaiamo Il Cinema Italiano”, em estreia nacional, na programação do Work in Progress. Trata-se de um documentário de entretenimento e de um filme ensaio sobre a dupla de comediantes sicilianos Franco Franchi e Ciccio Ingrassia que povoou o imaginário de todos aqueles que eram habituais na programação do Cine-Teatro Neiva em Vila do Conde no Portugal de finais dos anos 60 e 70. Neste filme Cipri e Maresco prestam homenagem a esta dupla de actores que começaram as suas carreiras nas ruas de Palermo e tornaram-se incrivelmente populares, primeiro no teatro e na televisão e depois no cinema. O estilo de Franco, com um background vaudeville e um humor físico pode ser comparado a Jerry Lewis. Entre 1964 e 1968 Franco e Ciccio actuaram em mais de 38 filmes, sendo a maior parte realizados por Lúcio Fulci. Podemos ver a dupla de actores contracenar com um Buster Keaton num filme de guerra italiano realizado por Mário Bava. O seu percurso no cinema levou a que, mais tarde, tivessem sido dirigidos por realizadores como Fellini, Pasolini, entre outros. Cipri e Maresco escolheram para este filme os mais engraçados e importantes fragmentos retirados de uma montanha de material de arquivo para fazer um hilariante e inteligente retrato dos seus conterrâneos Franco e Ciccio.