F. J. Ossang

F. J. OSSANG

 

F. J. Ossang é um artista prolífico: escritor, editor, poeta e músico, coleciona no seu currículo cerca de vinte livros e uma banda de música, os MKB (Messageros Killers Boys). A sua atividade cinematográfica tem sido mais esparsa, mas ainda assim essencial para compreender o comprometimento artístico de Ossang, cuja carreira tem sido marcada por uma atitude eminentemente punk, provocando o establishment artístico. Autor In Focus do 25º Curtas Vila do Conde, F. J. Ossang esteve em Vila do Conde, acompanhado de Elvire, musa e atriz principal de muitas das suas obras, para apresentar a sua filmografia completa depois de ter vencido, em 2009, a Competição Experimental do festival com "Vladivostok".

 

Depois de ter passado a infância na zona de Cantal, Ossang viveu os anos 70 em Toulouse, num tempo marcado por uma intensa atividade editorial – a revista literária Cée (1977-1979, coeditada com Christian Bourgois) e a editora Céeditions, responsável pela edição de autores como Stanislas Rodanski, Claude Pélieu ou Robert Cordier. Nos anos 80, muda-se para Paris, onde estuda na prestigiada escola IDHEC, local onde realiza duas curtas-metragens e a sua primeira longa.

 

O seu trabalho inicial é, desde logo, marcado por várias inspirações literárias e políticas, como os situacionistas William S. Burroughs ou Louis-Ferdinand Céline. A sua banda, os MKB, é também resultado de uma fusão do punk e da música industrial, autodenominando o seu estilo de Noise 'N'Roll. Esta mistura de influências perpassa também nos seus filmes recheados de um estilo particular, partindo do mundo pós-apocalíptico de ficção científica para se aproximar do punk e do film noir. O filme mudo e o expressionismo são também uma força fundamental.

 

Por ter um estilo tão idiossincrático, Ossang tem uma carreira irregular, iniciada nos anos 80, e com longos períodos de abstinência fílmica. Dharma Guns, de 2010, é o filme que precede 9 Doigts, a sua obra mais recente, rodada em Portugal, ainda por estrear. Curiosamente, o realizador tem uma ligação fraterna com Portugal, onde já tinha filmado anteriormente Le Tresor des Iles Chiennes (1990/1991), trabalhando com atores portugueses como Diogo Dória, José Wallenstein e Pedro Hestnes.