GUS VAN SANT

 

Um dos grandes cineastas do cinema americano, Gus Van Sant tem uma carreira iconoclasta desde os anos 90, sobretudo numa divisão entre filmes de estúdio e filmes experimentais. Da sua filmografia têm saído algumas das obras mais marcantes dos últimos vinte anos. Estreou-se com “Mala Noche”, de 1985 – um filme ainda hoje de culto – e o seu último trabalho data de 2011: o drama onírico “Restless”/”Inquietos”. Os seus filmes são, sobretudo, longas reflexões sobre a morte e sobre os sentimentos interiores das suas personagens.

 

Um dos exemplos máximos do seu cinema é “Elephant”, uma ficção com origem no brutal assassínio em massa no liceu de Columbine, que combina, em labirinto narrativo, o ponto de vista de diversos protagonistas desse dia trágico. “Elephant” valeu a Gus Van Sant a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Na busca introspectiva e experimental, contam-se outros filmes-limite como “Gerry”, “Last Days” (sobre os últimos dias de vida de Kurt Cobain) ou “Paranoid Park”. Uma das suas experiências mais radicais foi o remake de “Psico”, de Alfred Hitchock, filmado de forma exactamente igual, plano-por-plano.

 

Em paralelo com esta carreira de risco – e que é a responsável pela imagem de marca do autor – Gus Van Sant tem feito filmes no interior da indústria, como é o caso de “O Bom Rebelde”, de 1997, que catapultou Matt Damon para o estrelato. Nos últimos anos, foi também o realizador do multi-premiado “Milk”, um biopic sobre Harvey Milk, um activista dos direitos homossexuais. Para estes dois filmes, o cineasta foi nomeado para o Óscar de Melhor Realizador.

 

Gus Van Sant foi um dos grandes convidados do Curtas Vila do Conde na sua 3.ª edição, em 1995 e esteve presente no Festival. Apresentou um programa das suas curtas-metragens realizadas entre o final dos anos 70 e o início dos anos 90. Quase todas fazem parte de um ambicioso projecto do realizador de filmar pequenos documentários auto-biográficos ao longo dos anos. São, assim, pequenos sinais de um tempo na vida do realizador. Também neste programa foram exibidos dois filmes baseados em textos de William  Burroughs e um filme gravado com os Red Hot Chili Peppers.

 

Para além deste programa, Gus Van Sant também comissariou uma selecção de curtas-metragens, onde se contam filmes de autores como Chantal Ackerman, Jim Jarmusch ou Joanna Priestly. No texto que acompanhava esta selecção, Gus Van Sant definiu o que lhe chamava à atenção nestes filmes, algo que hoje podemos ver como uma definição do seu própria trabalho futuro (à data): “Aperceber-se-ão certamente de que uma coisa que elas todas têm em comum é uma certa tendência experimental, ainda que comunguem também um certo toque dramático”.