JACQUES TATI

 

O mundo da automatização mecânica, das sátiras à sociedade do consumo, das coreografias desconcertantes e relações medianas… são muitos e diversos os caminhos abertos por Jacques Tati (1908-1982), cineasta francês eternizado pela personagem do Sr. Hulot. O jogo entre a dinâmica pessoal das personagens e todos os mecanismos da vida moderna citadina é um dos temas centrais do seu trabalho. Tati preocupava-se com questões relacionadas com a sociedade do consumo e o modernismo em geral, numa altura (finais da década de 50) em que emergiam novas relações sociais com a expansão do capitalismo e com a nova e emergente classe média. Todos os aspectos da vida humana, a relação com os novos equipamentos, os electrodomésticos, a banalização do automóvel, numa interacção com a arquitectura e o urbanismo, integram e destacam o universo cinematográfico do realizador.

 

No contexto do extenso trabalho de Jacques Tati, o 1º Curtas Vila do Conde apresentou as duas curtas-metragens “Soigne ton gauche” (1936), influenciada pelo trabalho do realizador em peças de teatro e musicais ao estilo ‘cabaret’ nos teatros parisienses nos anos 30, e “L’École dês facteurs” (1946), uma homenagem aos filmes mudos dos anos 20, com referências a Buster Keaton e Charlie Chaplin. Seria o sucesso alcançado por esta curta-metragem que o levaria a lançar a sua primeira longa-metragem, “Jour de Fête”.

 

Contemporâneo de eclosão artística da Nouvelle Vague, com os filmes de Jean-Luc Godard e François Truffaut a surgirem em 1959, Tati nunca foi um membro deste movimento, preferindo iniciar um novo estilo de filme, esforçando-se obstinadamente em seguir as regras de ouro estabelecidas pelos filmes dos anos 20.