JEAN ROUCH

 

O cineasta e etnógrafo Jean Rouch (1917-2004) foi um dos homenageados na 1ª edição do Curtas Vila do Conde. É considerado um dos mais inovadores cineastas franceses do pós II Grande Guerra, com uma vasta obra nos territórios ambíguos do documentário etnográfico, sociológico, “cinema directo” e ficção, inspirado por realizadores como Robert Flaherty e Dziga Vertov. Em 1960, auto-intitulou o seu estilo de filmar como “Cinéma Vérité” ou “cinema directo”.

 

Do percurso cinematográfico de Jean Rouch, o Curtas Vila do Conde apresentou 3 documentários: “Bataille sur le Grand Fleuve” (1951), “Yeneudi” (1951) e “ Sigui 1969: La Caverne de Bongo”. Esta mostra pode ser vista como uma introdução o trabalho cinematográfico do cineasta, marco de uma importante parte da história do cinema do séc. XX.

 

Na sua obra, fortemente influenciada pelo seu trabalho científico, Jean Rouch, que realizou o trabalho de câmara de todos os seus filmes, vai para além das fronteiras do documentário, com a mistura de procedimentos e influências da ficção no desenvolvimento do seu trabalho, facto particularmente evidente a partir da sua primeira longa-metragem, “Moi, Un Noir”, realizada em 1958, ainda que tematicamente se tenha concentrado quase exclusivamente na cultura de certas comunidades africanas. Em 1997, filma com Manoel de Oliveira o filme “En une poignée de mains amies”, sobre um poema do próprio Oliveira, numa produção do Instituto Francês do Porto (IFP) e da autarquia para assinalar o centenário do cinema português.

 

Jean Rouch, que nasceu em Paris em 1917, dirigiu a Cinemateca Francesa durante cinco anos, de 1986 a 1991.