ABBAS KIAROSTAMI

 

O iraniano Abbas Kiarostami é um dos mais reputados realizadores do cinema contemporâneo. Esse reconhecimento levou-o, nos últimos anos, a trabalhar em projectos com a actriz francesa Juliette Binoche, como são os casos de “Shirin” (2008) ou “Cópia Certificada” (2010). No entanto, a sua obra estende-se por vários filmes importantes como “Através das Oliveiras” (1994), “O Sabor da Cereja” (1997) ou “Dez” (2002). Com “O Sabor da Cereja”, Kiarostami é reconhecido com a Palma de Ouro do Festival de Cannes, tornando-se uma referência incontornável do cinema mundial. Mas “Dez”, por exemplo, mostra como o seu trabalho está incansavelmente na procura de novos métodos, experimentando com novos suportes e com a ausência de argumentos estruturados.

 

No entanto, o realizador já tem uma carreira desde o início dos anos 70, fazendo parte da nova vaga do cinema iraniano com outros cineastas como Mohsen Makhmalbaf, Bahram Beizai, ou Parviz Kimiavi. Nestes anos, este grupo de realizadores é reconhecido por um cinema poético e alegórico, lidando com assuntos filosóficos mas também políticos. Parte deste movimento é realizado no contexto da secção de cinema do Instituto para o Desenvolvimento Intelectual das Crianças e Adolescentes, que o próprio Kiarostami funda.

 

Em 1995, por ocasião do 3.º Festival, o Curtas exibe uma retrospectiva de filmes escolhidos pelo realizador: um conjunto de curtas-metragens produzidas no contexto do Instituto já referido e que são realizadas por vários cineastas da nova vaga, assim como o próprio Kiarostami. Datadas da década de 70, estas curtas são próprias do seu tempo e da sua função pedagógica, mas ensaiam os temas e as técnicas da carreira futura do cineasta. Como é o caso de "The Bread and Alley", realizada pelo próprio Kiarostami (na foto).

 

Como o próprio Abbas Kiarostami escreveu – no catálogo do festival – “Nas curtas-metragens vemos os valores individuais e artísticos dos cineastas, mais do que as suas proezas técnicas. É por isso que muitos filmes curtos são melhores que as longas-metragens dos seus realizadores”.