CHRIS MARKER

 

Cineasta incontornável da nouvelle vague francesa, Chris Marker é um secreto autor de filmes, fotógrafo, escritor e artista multimédia. O trabalho mais marcante da sua filmografia é a curta-metragem – e obra-prima – La Jetée, de 1962. Neste photo-roman (como o próprio designa), Marker constrói uma história de ficção científica numa Paris futurista, utilizando apenas fotografias sucessivas (sem imagem em movimento). Cúmulo de um cinema cerebral e experimental, os filmes de Marker são marcados pela poesia e pelo ensaio, cujo exemplo máximo é “Sans Soleil”, de 1983, que também ele re-define o conceito de documentário.

 

Na 4.ª edição do Festival, em 1996, o Curtas exibiu uma retrospectiva de várias das suas curtas-metragens, desde os anos 50 até aos anos 90 e cobrindo também algumas das suas parcerias com outros realizadores, como é o caso de Alain Resnais em “Les Statues Meurent Aussi” (na foto). No texto incluído no catálogo dessa edição, o crítico da revista Bref, Jacques Kermabon, escreve: “A obra de Marker é um convite à vigilância, uma palavra que rima nele com «resistência», como «História» com «saber». E seria preciso falar também da memória, do esquecimento, do ruminar do passado. De tantas outras coisas ainda. Chris. Marker não se esgota em meia dúzia de frases.”