Todd Solondz

TODD SOLONDZ

 

No meio de muitos colegas da sua geração – como Todd Haynes, Kelly Reichardt, Gus Van Sant, Richard Linklater ou Quentin Tarantino –, Todd Solondz é provavelmente um caso muito especial, tendo a partir de 1995 iniciado uma das mais fulgurantes carreiras do cinema independente americano daquela década, com a sucessão de três filmes determinantes: “Welcome to the Dollhouse” (1995), “Happiness” (1998) e “Storytelling” (2001). Retratos ácidos da classe média americana, das suas particularidades sociais, e sobretudo das suas imensas perversões, estes três filmes procuram esboçar um imaginário cultural americano, usando e desconstruindo a aparência fabricada pela televisão, mesmo usando muitos dos seus mecanismos, em especial a banda sonora, a mise-en-scène e a concentração narrativa na família. Melodramas de excessos brutais, nos quais coexistem personagens profundamente solitárias à procura de um objetivo que as agarre à vida, estes filmes são uma montra de uma humanidade a ver-se ao espelho e na qual o desejo resgata e condena as personagens. Solondz coloca todo este universo na sua mise-en-scène preferida: o subúrbio, com os seus centros comerciais, casas de família, motéis, restaurantes e parques de estacionamento. Estes não-lugares contemporâneos são a face mais evidente de uma América profunda, escondida, na qual a aparência brilhante das construções prevalece sobre a podridão interior, onde não há redenção possível.