Curtas Vila do Conde apresenta programa especial no Kasseler Dokfest

3 Novembro 2017
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O Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema vai apresentar no 34.º Kasseler Dokfest, a 18 de novembro, um programa especial com alguns dos filmes produzidos pela Curtas Metragens CRL: "Strokkur" de João Salaviza, "Exodus" de Nicolas Provost, "Undisclosed Recipients" de Sandro Aguilar, "Noite Sem Disntância" de Lois Patiño e "The Dockworker's Dream" de Bill Morrison. A sessão International film festivals in profile: Curtas Vila do Conde será apresentada pelo co-diretor do festival, Mário Micaelo. 

O festival, dedicado a filmes de documentário, decorre entre 14 e 19 de novembro na Alemanha.

Salomé Lamas apresenta obras inéditas em exposição na Solar Galeria de Arte Cinemática

4 Outubro 2017
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A Solar Galeria de Arte Cinemática, em Vila do conde, inaugura no sábado, 14 de outubro, às 16:00, a exposição “Salomé Lamas: Solo”, composta por filmes, vídeo instalações e instalações sonoras, incluindo obras inéditas. A abertura contará com um concerto de Filipe Felizardo, compositor da banda sonora de alguns trabalhos de Salomé Lamas. 

Realizadora e artista plástica, Salomé Lamas é um dos nomes mais relevantes e promissores do panorama artístico nacional, não só pelo extenso currículo face à idade, mas também pelas características dos seus trabalhos. As suas obras desafiam a metodologia convencional de produção cinematográfica e de expressão estética, explorando novos caminhos. O resultando são trabalhos híbridos que se situam entre o documentário e a ficção, as artes plásticas e o cinema.


Os projetos de Salomé Lamas desenvolvem-se em torno da relação intrínseca entre narrativa, memória e história, utilizando a imagem em movimento para explorar o traumaticamente reprimido, o aparentemente irrepresentável ou o historicamente invisível, desde os horrores da violência colonial até às paisagens do capital global. Em vez de se colocar numa situação periférica, algures entre o cinema e as artes visuais, ficção e documentário, Salomé Lamas transforma-os numa linguagem própria, desafiando, também, a divisão entre géneros e modos de exibição.


Grande parte das suas obras resultam de uma viagem a uma realidade desconhecida, que a realizadora ocupa conscientemente como um corpo estranho que choca contra a envolvente, desencadeando o drama e esperando pacientemente que a realidade se torne extraordinária. São filmes destemidos, tanto quanto aos riscos formais como narrativos que assumem, e que evidenciam a sua performance física, quando vemos a realizadora amarrada, pendurada, a cair ou a sentar-se silenciosamente atrás da câmara.


Na Solar Galeria de Arte Cinemática, Salomé Lamas apresenta, até 25 de novembro, um trabalho eclético composto por filmes, vídeo instalações e instalações sonoras, incluindo obras inéditas. É o caso de Ubi Sunt II e Ubi Sunt III que integram um tríptico que será exposto, pela primeira vez, na sua totalidade. O trabalho parte de Ubi Sunt I, curta-metragem produzida em 2016 a convite do programa Cultura em Expansão da Câmara Municipal do Porto, que explora o tecido humano e urbano de uma cidade em expansão. O filme é uma aliteração das vídeo-instalações Ubi Sunt II e III.


Em Horizon – NoziroH, também em estreia, o realizador brasileiro Gregorio Graziosi espelha matematicamente e rigorosamente A Torre (2015). Aqui, a floresta é substituída pelo urbanismo desconcertante de São Paulo e a figura humana pela figura de uma estátua equestre do Duque de Caxias, por Victor Brecheret.

 

Produzido para a exposição na Solar, Autorretrato (2017) é composto por um díptico de duas gravuras concebidas por Salomé Lamas derivadas de materiais recolhidos na produção de Extinção. Replicam o visto de jornalista emitido pelas autoridades da Transnístria, enclave pró-russo na Moldávia, que autoproclamou um estatuto de independência rejeitado pela política internacional; e a transcrição de diálogos de um encontro da equipa com o KGB, que culmina num interrogatório.

 

Por sua vez, VHS – Video Home System (2010-2012) sugere uma autorrepresentação dissimulada, com uma nota crítica à produção que trabalha a catarse do autor. À mesa da cozinha, duas mulheres íntimas, de vozes e fisionomia idênticas, utilizam os brutos de uma cassete de VHS de 1995, como pretexto para discutirem as forças de poder, afeto e expectativa impressas no passado, reconhecidas no presente e projetadas no futuro.

 

Na instalação Eldorado XXI é referenciado Mount Ananea através do revestimento da sala em brita – semelhante aos despojos extraídos do interior das minas da região onde foi produzido, e reapresentando a edição de vinil que contou com o desenho de som de Bruno Moreira, a música de Norberto Lobo e João Lobo. O que o vinil permite escutar ressoa de forma evidente com o desenho de som de Miguel Martins para Eldorado XXI.

 

Terra de Ninguém (2012) repete a instalação no espaço que havia experimentado em 2015 em Serralves. Na cave da Solar, o desconforto dos conteúdos apresentados, o dispositivo e a duração são extremados pelas características arquitetónicas claustrofóbicas associadas à humidade.

 

Salomé Lamas (1987, Lisboa) estudou cinema em Lisboa e Praga, Artes Visuais MFA em Amsterdão e é doutoranda em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra. O seu trabalho já foi mostrado em Portugal e no estrangeiro, tanto em prestigiados espaços dedicados à arte, como em festivais de cinema. Colabora regularmente com a produtora O Som e a Fúria e é representada pela Galeria Miguel Nabinho – Lisboa 20.

Em simultâneo, no espaço CAVE, dedicado a autores emergentes, Mariana Silva expõe "P/p", uma instalação vídeo que justapõe uma pulseira da era colonial, que historicamente terá sido usada como pagamento na compra de escravos, com várias correntes, consideradas joias.


Mariana Silva (1983, Lisboa) é Licenciada pela Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa. Foi vencedora do prémio EDP Novos Artistas 2015 (Lisboa) e BES Revelação 2008 (Porto). Esteve em residência na Triangle (2016), Nova Iorque; Gasworks, Londres (2016); e ISCP, Nova Iorque (2009).


A inauguração da exposição será seguida de um concerto de Filipe Felizardo, às 17:30, músico e artista visual que se dedica à composição para guitarra elétrica, responsável por algumas das bandas sonoras das obras de Salomé Lamas. Das suas colaborações destacam-se também trabalhos com Norberto Lobo, Gabriel Ferrandini, Margarida Garcia e David Maranha, e a composição de bandas sonoras para António Júlio Duarte e Marco Martins. A suas performances têm sido apresentadas em Portugal e na Europa desde 2014. Neste momento, prepara o seu próximo álbum, enquanto realiza uma residência artística na Galeria Zé Dos Bois, numa série de concertos que ampliam os seus temas para formato de banda.


A Solar Galeria de Arte Cinemática é uma estrutura financiada pela Câmara Municipal de Vila do Conde, pela DGArtes – Direção Geral das Artes e pelo Governo de Portugal.

Três novas curtas portuguesas nos cinemas

12 Setembro 2017
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No dia 14 de setembro a Midas Filmes estreia nos cinemas portugueses três curtas-metragens que já passaram pelo Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema: "Farpões Baldios" de Marta Mateus (Grande Prémio Competição Internacional 2017), "Coelho Mau" de Carlos Conceição e "Cidade Pequena" de Diogo Costa Amarante.

“Cidade Pequena”, de Diogo Costa Amarante, co-produzido pela Curtas Metragens CRL, venceu este ano o prémio de melhor curta-metragem do Festival de Berlim, com o júri a elogiar-lhe os enquadramentos que “lembram a atenção ao detalhe presente nos quadros do Renascimento italiano”. Diogo Costa Amarante, que prepara atualmente a primeira longa-metragem, foi realizador, coprodutor, argumentista, diretor de fotografia, de montagem e corresponsável pelo som de “Cidade Pequena”. O filme é protagonizado por Frederico Costa Amarante Barreto e Mara Costa Amarante.


O programa de curtas-metragens a estrear-se em setembro integra também dois filmes que tiveram este ano estreia mundial em Cannes: “Coelho Mau”, ficção de Carlos Conceição sobre a relação entre dois irmãos, e “Farpões baldios”, primeira obra de Marta Mateus, que reflete sobre ruralidade e trabalho.


Ambos foram ainda exibidos em julho no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, onde Marta Mateus recebeu o Grande Prémio da Competição Internacional.

Apoio a curtas-metragens: prazo para candidaturas ao Euro Connection estendido até 27 de outubro

1 Setembro 2017
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Todos os anos, o Festival de Cinema de Clermont Ferrand (França) – que acolhe o maior mercado mundial de curta-metragem – é o anfitrião do Euro Connection, um fórum de coprodução de curtas-metragens que culmina no pitching dos projetos selecionados. Esta plataforma tem como objetivo o desenvolvimento de parcerias entre produtores europeus, investidores, patrocinadores e televisões. O prazo para candidaturas à próxima edição, que terá lugar nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2018, foi estendido até 27 de outubro.


Os projetos a concurso deverão cumprir os seguintes requisitos:

- curta-metragem de animação, ficção ou documentário;

- duração até 40 minutos;

- o projeto tem de ter assegurado um apoio ou parceria (embora não haja montante mínimo monetário ou em serviços);

- o produtor/realizador tem de querer estabelecer uma coprodução com um parceiro europeu;

- a produção/rodagem terá de começar a partir de maio de 2018.

 

Apenas podem concorrer os projetos de países associados ao Euro Connection: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia.

 

Um júri europeu – que inclui, pelo menos, três profissionais de diferentes nacionalidades – elegerá 15 projetos entre os finalistas de cada país. Todos os finalistas serão informados acerca da lista dos projetos selecionados até 28 de novembro.

 

Os produtores deverão candidatar os seus projetos de curta-metragem até ao dia 27 de outubro, junto dos representantes do país a que pertencem. Em Portugal, os festivais associados ao Euro Connection são o Curtas Vila do Conde e o IndieLisboa. As candidaturas deverão ser enviadas para os seguintes e-mails: mdias@curtas.pt (Miguel Dias) e miguel.valverde@indielisboa.com (Miguel Valverde).

 

O regulamento completo e o formulário de candidatura estão disponíveis aqui.

Cada projeto selecionado deverá ser apresentado pelo seu produtor/realizador, que terá 10 minutos para fazer uma apresentação concisa, em inglês ou francês, numa das sessões de pitching que terão lugar nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2018. Cada produtor poderá apresentar apenas um projeto.

 

Em 2017, o filme selecionado para representar Portugal no Euro Connection foi “O Ciclo”, do realizador Zepe (José Pedro Cavalheiro) e da produtora AIM Studios (na foto). 

Parceiros do 25º Curtas Vila do Conde

24 Julho 2017
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O 25º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, do Ministério da Cultura, do Instituto do Cinema e Audiovisual, do programa MEDIA/Europa Criativa e de vários parceiros imprescindíveis à realização do festival.

 

A FNAC voltou a ser um parceiro fundamental do Curtas Vila do Conde, apoiando várias atividades do festival.

 

Pelo segundo ano consecutivo, a DCN Beers foi o patrocinador do principal prémio do festival: o prémio da Competição Internacional, no valor de 2.000 euros, entregue a Marta Mateus pelo filme “Farpões Baldios”. A marca, que coleciona um portfólio de cervejas importadas de referência, deu também a conhecer ao público do Curtas a histórica cerveja alemã Bitburger.

 

Ainda na Competição Internacional, a Niepoort voltou a emprestar o nome ao Prémio do Público, no valor de 1.000 euros, atribuído a “Retouch” do iraniano Karveh Mazaheri. A empresa voltou a associar-se também aos Encontros com os Realizadores -  à semelhança do IPDJ - uma série de conversas abertas onde os realizadores com filmes em competição falam acerca das suas obras. No contexto da celebração dos 25 anos do Curtas Vila do Conde e dos 175 anos da Niepoort, os realizadores David Doutel e Vasco Sá foram convidados a desenvolver um rótulo alusivo ao cinema e ao festival para uma edição especial dos vinhos Niepoort.

 

O Grupo Jorge Oculista associou-se, pela primeira vez, ao Curtas Vila do Conde como patrocinador do Prémio da Competição Experimental, no valor de 750 euros, atribuído, pelo segundo ano consecutivo, a Rosa Barba pela curta-metragem “From Source To Poem”.

 

“Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?”, de João Pedro Rodrigues, foi eleito o Melhor Filme da Competição Nacional com o Prémio BPI, no valor de 2.000 euros, e Prémio Pixel Bunker, no valor de 2.500 euros em serviços. A Sociedade Portuguesa de Autores premiou o melhor filme português eleito pelos espetadores: “Surpresa” de Paulo Patrício. Gabriel Abrantes voltou a ser eleito o Melhor Realizador, recebendo o prémio BLIT, no valor de 2.000 euros em serviços.

 

A competição Take One!, dedicada a filmes de escola e que, em anos anteriores, premiou os primeiros filmes de cineastas como João Salaviza e Leonor Teles, distinguiu dois filmes. “De Gente se Fez História”, o documentário sobre as Caxinas de Inês Pinto Vila Cova, foi eleito o melhor filme da competição, arrecadando o Prémio IPDJ, patrocinado pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude; o Prémio Smiling, correspondente a 1500 euros em serviços de aluguer de equipamento; o Prémio Agência da Curta Metragem, garantindo o agenciamento do filme a sua inscrição num circuito internacional de festivais de cinema; e o Prémio Restart, que ofereceu um vale em formação na Restart – Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias. “Delphine Aprisionada” de Ricardo Pinto de Magalhães recebeu o Prémio Kino Sound Studio para melhor realizador do Take One!, no valor de 4.000 euros em serviços de pós-produção.

 

O MAR Shopping, pelo sexto ano consecutivo, foi o patrocinador exclusivo da secção Curtinhas, um mini-festival dentro do Curtas Vila do Conde dedicado aos mais novos com uma competição de filmes, ateliers e um espaço infantil. O Prémio Curtinhas MAR Shopping foi entregue a “Revolting Rhymes, Part One” de Jakob Schuh pelo júri curtinhas, um grupo de crianças entre os 7 e os 13 anos.

 

Uma vez mais, Vila do Conde voltou a ser um dos festivais associados aos European Film Awards, organizados pela European Film Academy, com a nomeação da curta “Los Desheredados” da espanhola Laura Ferrés.

 

À semelhança das edições anteriores, os realizadores premiados no Festival foram galardoados com troféus impressos em 3D pela BeeveryCreative

A TV Cine & Séries voltou a ser parceiro do festival, através da aquisição de uma seleção de filmes exibidos nas competições do Curtas Vila do Conde.


A Ancine, o Institut Français, o Goethe Institut, o Instituto Cultural Romeno e a Embaixada da Suécia em Lisboa foram igualmente importantes no apoio à deslocação dos convidados. A ACE - Accion Cultural Española permitiu a maior presença espanhola de sempre no festival, apoiando as viagens dos realizadores Velasco Broca, Lois Patiño, Helena Girón, Samuel Delgado e de vários jornalistas de meios de comunicação espanhóis.

 

A festa dos 25 anos do Curtas Vila do Conde contou com o apoio do Forte S. João, espaço que recebeu um concerto dos Sensible Soccers e um dj set de Os 7 Magníficos. Durante a semana, o festival promoveu festas em outros espaços da cidade: Cacau Café-Bar, Café do Parque e Barcearia 1º Piso.

 

No contexto do 25º aniversário do festival, o Curtas Vila do Conde convidou um conjunto de artistas a realizarem duas intervenções na cidade, com o apoio da Argatintas. O resultado foram dois murais, um com pinturas de Júlio Dolbeth e Rui Vitorino Santos alusivas a vários clássicos do cinema, e um outro dos alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Vasco Rei Lima, Francisco Pereira e Leo Domingos.

 

As t-shirts do Curtas Vila do Conde, disponíveis em vários tamanhos, foram produzidas pela Brindes & Companhia.

 

O Curtas Vila do Conde agradece ainda o apoio da Salvador Caetano/Toyota, Cartão Jovem, Junta de Freguesia de Vila do Conde, iColors, O Forninho, o Hotel Santana, VCoutinho, UPS, Cision, Personal Travel, Jameson, Cinemateca Portuguesa, Leitaria Quinta do Paço, Festival Scoope, Ach Brito, da ANA Aeroportos, da ESMAD e dos vários órgãos de comunicação social que colaboraram na divulgação do Festival.

Dos Limites da Animação

23 Julho 2017
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 2.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 25.º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

Por Natália Andrade

Este ano, David O’Reilly, nome regular da Competição Internacional do Curtas, marca presença com Everything (2017), assim como Matthew Rankin, que volta a Vila do Conde para apresentar Tesla: Lumière Mondiale (2017). Julia Pott estreia-se no festival com Summer Camp Island (2016). Se os dois primeiros nomes ganharam o Prémio de Animação em 2008 e 2015, respetivamente, Pott tem tido uma representação assídua em festivais como Sundance, SXSW e Ottawa. Estes três projetos não só nos trazem o que de mais fresco há na produção de animação internacional, como também são indicativos da extensão do campo: O’Reilly, sempre subversivo, mostra um filme que é na verdade o trailer do seu novo jogo (depois de Mountain), mas que vale por si só; Rankin continua na sua exploração experimental que dissolve as linhas entre o cinema de imagem real, as artes visuais e a animação; Pott traz-nos o piloto da sua nova série televisiva, a estrear no Cartoon Network em 2018. Se os três autores não podiam ser mais díspares, o seu gosto pelo absurdo e a posição desafiante perante os limites da animação aproxima-os.

O cinema de animação tem por vezes sido associado a produções mais seguras, consequência de um método de produção caro e lento, e, especialmente nos países ocidentais, associado a um público infantil. Talvez este desdém tenha alimentado a posição sarcástica de O’Reilly, uma atitude que acabou por o destacar no universo do género. Everything é um filme mais contemplativo e maduro, embora mantenha a sua característica estética associada ao glitch e desprovida de floreados. Sempre na vanguarda, O’Reilly dita um novo estilo de jogar e de ver o videojogo, sendo este trailer-filme narrado pelo filósofo e escritor Alan Watts, que inspirou o seu conceito. O movimento dos personagens afasta-se do naturalismo, e é radicalmente rudimentar, sem quaisquer remorsos.

No entanto, se O’Reilly redefine o seu campo de trabalho, Pott parece limitada pelas pressões exercidas sobre as séries televisivas. Tanto a nível técnico como visual, Pott tem utilizado, durante a sua carreira, os atalhos da colagem de técnicas e a naivité de uma animação desprendida a seu favor, mas agora aparece muito mais constrangida e modesta. Ainda assim, Summer Camp Island, explora, de forma sensível, o universo infantil pré-adolescente, contando os percalços de Oscar, que sente saudades dos pais no campo de férias. Embora claramente mais interessante do que a generalidade da animação televisiva, esta curta corre o risco de ser ligeiramente derivativa de Adventure Time (série televisiva do Cartoon Network, da autoria de Pendleton Ward).

Rankin, o menos célebre do trio, regressa com mais um filme nostálgico, obsessivo na exploração do seu conceito: por se focar na personagem de Nikola Tesla, o filme utiliza não só a estética do cinema e do design seu contemporâneo, como é animado com luz, em referência ao papel de Tesla na evolução da eletricidade. Até o som é obtido através de um aparelho chamado Tesla Spirit Radio, construído de raiz pela diretora de som do filme. Rankin lembra-nos ainda como o movimento no cinema mudo, por ter menos fotogramas por segundo, se aproxima da estética da animação stop-motion, e assim filma e anima o seu ator, num ato que dissolve todas as fronteiras entre os campos.

Estas três curtas-metragens demonstram maneiras diferentes de encarar os limites da animação, tanto os impostos culturalmente, como os que advém dos elevados custos de produção. Parece haver uma grande promessa em utilizar as limitações como linguagem, ao invés de moldar a linguagem às restrições.

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