Parceiros do 25º Curtas Vila do Conde

24 Julho 2017
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O 25º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, do Ministério da Cultura, do Instituto do Cinema e Audiovisual, do programa MEDIA/Europa Criativa e de vários parceiros imprescindíveis à realização do festival.

 

A FNAC voltou a ser um parceiro fundamental do Curtas Vila do Conde, apoiando várias atividades do festival.

 

Pelo segundo ano consecutivo, a DCN Beers foi o patrocinador do principal prémio do festival: o prémio da Competição Internacional, no valor de 2.000 euros, entregue a Marta Mateus pelo filme “Farpões Baldios”. A marca, que coleciona um portfólio de cervejas importadas de referência, deu também a conhecer ao público do Curtas a histórica cerveja alemã Bitburger.

 

Ainda na Competição Internacional, a Niepoort voltou a emprestar o nome ao Prémio do Público, no valor de 1.000 euros, atribuído a “Retouch” do iraniano Karveh Mazaheri. A empresa voltou a associar-se também aos Encontros com os Realizadores -  à semelhança do IPDJ - uma série de conversas abertas onde os realizadores com filmes em competição falam acerca das suas obras. No contexto da celebração dos 25 anos do Curtas Vila do Conde e dos 175 anos da Niepoort, os realizadores David Doutel e Vasco Sá foram convidados a desenvolver um rótulo alusivo ao cinema e ao festival para uma edição especial dos vinhos Niepoort.

 

O Grupo Jorge Oculista associou-se, pela primeira vez, ao Curtas Vila do Conde como patrocinador do Prémio da Competição Experimental, no valor de 750 euros, atribuído, pelo segundo ano consecutivo, a Rosa Barba pela curta-metragem “From Source To Poem”.

 

“Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?”, de João Pedro Rodrigues, foi eleito o Melhor Filme da Competição Nacional com o Prémio BPI, no valor de 2.000 euros, e Prémio Pixel Bunker, no valor de 2.500 euros em serviços. A Sociedade Portuguesa de Autores premiou o melhor filme português eleito pelos espetadores: “Surpresa” de Paulo Patrício. Gabriel Abrantes voltou a ser eleito o Melhor Realizador, recebendo o prémio BLIT, no valor de 2.000 euros em serviços.

 

A competição Take One!, dedicada a filmes de escola e que, em anos anteriores, premiou os primeiros filmes de cineastas como João Salaviza e Leonor Teles, distinguiu dois filmes. “De Gente se Fez História”, o documentário sobre as Caxinas de Inês Pinto Vila Cova, foi eleito o melhor filme da competição, arrecadando o Prémio IPDJ, patrocinado pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude; o Prémio Smiling, correspondente a 1500 euros em serviços de aluguer de equipamento; o Prémio Agência da Curta Metragem, garantindo o agenciamento do filme a sua inscrição num circuito internacional de festivais de cinema; e o Prémio Restart, que ofereceu um vale em formação na Restart – Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias. “Delphine Aprisionada” de Ricardo Pinto de Magalhães recebeu o Prémio Kino Sound Studio para melhor realizador do Take One!, no valor de 4.000 euros em serviços de pós-produção.

 

O MAR Shopping, pelo sexto ano consecutivo, foi o patrocinador exclusivo da secção Curtinhas, um mini-festival dentro do Curtas Vila do Conde dedicado aos mais novos com uma competição de filmes, ateliers e um espaço infantil. O Prémio Curtinhas MAR Shopping foi entregue a “Revolting Rhymes, Part One” de Jakob Schuh pelo júri curtinhas, um grupo de crianças entre os 7 e os 13 anos.

 

Uma vez mais, Vila do Conde voltou a ser um dos festivais associados aos European Film Awards, organizados pela European Film Academy, com a nomeação da curta “Los Desheredados” da espanhola Laura Ferrés.

 

À semelhança das edições anteriores, os realizadores premiados no Festival foram galardoados com troféus impressos em 3D pela BeeveryCreative

A TV Cine & Séries voltou a ser parceiro do festival, através da aquisição de uma seleção de filmes exibidos nas competições do Curtas Vila do Conde.


A Ancine, o Institut Français, o Goethe Institut, o Instituto Cultural Romeno e a Embaixada da Suécia em Lisboa foram igualmente importantes no apoio à deslocação dos convidados. A ACE - Accion Cultural Española permitiu a maior presença espanhola de sempre no festival, apoiando as viagens dos realizadores Velasco Broca, Lois Patiño, Helena Girón, Samuel Delgado e de vários jornalistas de meios de comunicação espanhóis.

 

A festa dos 25 anos do Curtas Vila do Conde contou com o apoio do Forte S. João, espaço que recebeu um concerto dos Sensible Soccers e um dj set de Os 7 Magníficos. Durante a semana, o festival promoveu festas em outros espaços da cidade: Cacau Café-Bar, Café do Parque e Barcearia 1º Piso.

 

No contexto do 25º aniversário do festival, o Curtas Vila do Conde convidou um conjunto de artistas a realizarem duas intervenções na cidade, com o apoio da Argatintas. O resultado foram dois murais, um com pinturas de Júlio Dolbeth e Rui Vitorino Santos alusivas a vários clássicos do cinema, e um outro dos alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Vasco Rei Lima, Francisco Pereira e Leo Domingos.

 

As t-shirts do Curtas Vila do Conde, disponíveis em vários tamanhos, foram produzidas pela Brindes & Companhia.

 

O Curtas Vila do Conde agradece ainda o apoio da Salvador Caetano/Toyota, Cartão Jovem, Junta de Freguesia de Vila do Conde, iColors, O Forninho, o Hotel Santana, VCoutinho, UPS, Cision, Personal Travel, Jameson, Cinemateca Portuguesa, Leitaria Quinta do Paço, Festival Scoope, Ach Brito, da ANA Aeroportos, da ESMAD e dos vários órgãos de comunicação social que colaboraram na divulgação do Festival.

Dos Limites da Animação

23 Julho 2017
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 2.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 25.º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

Por Natália Andrade

Este ano, David O’Reilly, nome regular da Competição Internacional do Curtas, marca presença com Everything (2017), assim como Matthew Rankin, que volta a Vila do Conde para apresentar Tesla: Lumière Mondiale (2017). Julia Pott estreia-se no festival com Summer Camp Island (2016). Se os dois primeiros nomes ganharam o Prémio de Animação em 2008 e 2015, respetivamente, Pott tem tido uma representação assídua em festivais como Sundance, SXSW e Ottawa. Estes três projetos não só nos trazem o que de mais fresco há na produção de animação internacional, como também são indicativos da extensão do campo: O’Reilly, sempre subversivo, mostra um filme que é na verdade o trailer do seu novo jogo (depois de Mountain), mas que vale por si só; Rankin continua na sua exploração experimental que dissolve as linhas entre o cinema de imagem real, as artes visuais e a animação; Pott traz-nos o piloto da sua nova série televisiva, a estrear no Cartoon Network em 2018. Se os três autores não podiam ser mais díspares, o seu gosto pelo absurdo e a posição desafiante perante os limites da animação aproxima-os.

O cinema de animação tem por vezes sido associado a produções mais seguras, consequência de um método de produção caro e lento, e, especialmente nos países ocidentais, associado a um público infantil. Talvez este desdém tenha alimentado a posição sarcástica de O’Reilly, uma atitude que acabou por o destacar no universo do género. Everything é um filme mais contemplativo e maduro, embora mantenha a sua característica estética associada ao glitch e desprovida de floreados. Sempre na vanguarda, O’Reilly dita um novo estilo de jogar e de ver o videojogo, sendo este trailer-filme narrado pelo filósofo e escritor Alan Watts, que inspirou o seu conceito. O movimento dos personagens afasta-se do naturalismo, e é radicalmente rudimentar, sem quaisquer remorsos.

No entanto, se O’Reilly redefine o seu campo de trabalho, Pott parece limitada pelas pressões exercidas sobre as séries televisivas. Tanto a nível técnico como visual, Pott tem utilizado, durante a sua carreira, os atalhos da colagem de técnicas e a naivité de uma animação desprendida a seu favor, mas agora aparece muito mais constrangida e modesta. Ainda assim, Summer Camp Island, explora, de forma sensível, o universo infantil pré-adolescente, contando os percalços de Oscar, que sente saudades dos pais no campo de férias. Embora claramente mais interessante do que a generalidade da animação televisiva, esta curta corre o risco de ser ligeiramente derivativa de Adventure Time (série televisiva do Cartoon Network, da autoria de Pendleton Ward).

Rankin, o menos célebre do trio, regressa com mais um filme nostálgico, obsessivo na exploração do seu conceito: por se focar na personagem de Nikola Tesla, o filme utiliza não só a estética do cinema e do design seu contemporâneo, como é animado com luz, em referência ao papel de Tesla na evolução da eletricidade. Até o som é obtido através de um aparelho chamado Tesla Spirit Radio, construído de raiz pela diretora de som do filme. Rankin lembra-nos ainda como o movimento no cinema mudo, por ter menos fotogramas por segundo, se aproxima da estética da animação stop-motion, e assim filma e anima o seu ator, num ato que dissolve todas as fronteiras entre os campos.

Estas três curtas-metragens demonstram maneiras diferentes de encarar os limites da animação, tanto os impostos culturalmente, como os que advém dos elevados custos de produção. Parece haver uma grande promessa em utilizar as limitações como linguagem, ao invés de moldar a linguagem às restrições.

A eternidade que habita os pequenos gestos

23 Julho 2017
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 2.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 25.º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

Por Cláudio Azevedo

A curta O Peixe venceu o prémio Documentário “Manoel de Oliveira” na 25ª edição do Curtas Vila do Conde. O cineasta brasileiro Jonathas de Andrade trouxe a esta edição do festival uma curta que se insere algures entre a dor e a ternura. É dentro dessa dualidade que dançamos por não existir um ponto moral onde nos possamos fixar. A curta mostra-nos vários pescadores que possuem uma forma muito peculiar de levar a cabo o seu mister: abraçam, acariciam e beijam os peixes que vão retirando da água até darem o seu último fôlego.

O filme mostra como pequenos gestos conseguem condensar, de um só golpe, um sentimento tão universal como o amor. Enquanto um braço agarra com força a cauda para não deixar escapar o peixe, o outro aconchega-o e acaricia-o, mostrando que o homem é parte integrante da natureza, pois possui instintos essenciais para a sua sobrevivência enquanto espécie; por outro lado, no ser humano, existe algo que transcende essas forças predatórias capaz de inverter uma lógica de destruição e eternizar a vida para além de si mesmo. Em tempos de hiperconsumo e de matadouros onde a morte é massiva e mecanizada, estes pescadores tornam-se símbolo de uma forma de vida humana perdida por entre uma vontade de domínio cheia de fome de território, de recursos naturais, de armamento e tecnologia.

Por entre este frenesim vertiginoso, de uma vida extremamente acelerada, que facilmente esquece as fontes da vida, é a objetiva de Jonathan que vem desvelar a beleza que se esconde dentro e fora de nós. Ficamos estarrecidos com a fotogenia dos enquadramentos. A paisagem transmite paz, é calma e idílica; os corpos acolhem um brilho que lhes é dado pelo sol quando este se espraia através do reflexo da água pela vegetação circundante, realçando os verdes que predominam na imagem. Mas, o brilho mais intenso e especial é aquele que reflete nas escamas dos peixes, como se o sol também os beijasse e os redimisse nos últimos instantes de vida.

O diário eterno da existência efémera

23 Julho 2017
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 2.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 25.º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

Por Teresa Vieira

A compulsão de registo da nossa presença na realidade, a vontade de captura dos momentos (mais ou menos) banais, dos momentos (mais ou menos) ideais da nossa experiência de vida mundana: estes são os impulsos que resultam de uma luta pessoal contra o esquecimento, personificados pelo avô de Luís Costa, que registou os mais diversos elementos que compuseram o filme que foi a sua vida. 

O Homem Eterno (2017) é uma obra que apresenta a vida do avô de Luís: um olhar sobre um outro olhar, uma visão de uma outra visão, uma herança memorial e afectiva que Luís Costa recebeu e que partilha, agora, com todos nós. Assim, com esta partilha, o registo individual e a memória familiar deste contexto específico extravasam os limites do (re)conhecimento e participa na construção da memória colectiva, contribuindo para o esboço da realidade dos tempos vividos e registados, para o retrato - singular e subjectivo - da identidade cultural e nacional.

Este é um filme da vida, da realidade; um ensaio que ilustra a eterna e inquietante questão da efemeridade da memória e da existência. Poderia ser sobre qualquer avô, sobre qualquer neto. Poderia ser sobre o meu avô, sobre mim. Tanto poderia ser, que o é: o (re)conhecimento da vida e do olhar do meu avô sobre ela foi-me transmitido - tal como o será para as vindouras gerações da nossa família - graças às suas gravações de Super 8, graças ao seu impulso de registo do mundo que o rodeava. Graças ao impulso de luta contra o esquecimento, de vontade de captura - ainda que não propriamente de exibição - da sua realidade - que representava, para si, algo da maior importância -, tenho hoje a possibilidade de observar as observações do meu avô, de olhar sobre o seu olhar, de ver o homem que o meu avô era. Assim, tive a oportunidade de (re)visitar as memórias que perdeu e que não teve a oportunidade de partilhar comigo. A sua luta pessoal contra o esquecimento resultou numa herança essencial para mim e para a minha família: a memória de quem a perdeu, a semente da realidade vivida de quem tudo esqueceu, e que germinará, aos poucos e poucos, dentro de todos aqueles que para ela olharem.

As reflexões de Luís Costa são da maior pertinência num momento em que tudo se procura registar, com um intenso medo de não se ser visto, de não se ser lembrado: de nos vermos perdidos e esquecidos num mundo de constantes partilhas, de constantes memórias, mas com um assolador e assustador grau de esquecimento. Dizem que a existência da memória depende do esquecimento. Mas é necessário, acima de tudo, manter viva uma memória à qual nos possamos agarrar. Cada vez mais, esta memória parece fugir da realidade e somos conduzidos a uma vivência superficial, (aparentemente) sem passado, sem ideias de futuro. Neste contexto, precisamos de memórias, precisamos de registos, precisamos de um cinema que nos mostre quem é o avô de Luís, que nos mostre o seu olhar e a sua vida, de forma a que possamos subtilmente construir a noção de quem somos, enquanto indivíduos e enquanto nação.

Este ensaio simples, de reflexão sobre uma vida, é essencial: pelo meu avô, por mim, pelo Luís, pelo avô do Luís, por todos os eles e elas que compõem o "nós" que somos. Pela eternidade do colectivo, necessitamos da eternidade (permanentemente fugaz) do indivíduo: necessitamos de um cinema da vida - no seu estado mais amador, mais simples, mais verdadeiro, mais puro.

"Curtas Vila do Conde: 25 Anos, 25 Histórias"

21 Julho 2017
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O livro comemorativo “Curtas Vila do Conde: 25 anos, 25 histórias” é composto por 25 textos escritos por diversas personalidades (críticos de cinema, músicos, realizadores, escritores, etc.) que passaram por Vila do Conde nos últimos 24 anos.

Estes textos revelam a pequena história do Curtas, aquela que foi contada apenas aos ouvidos de alguns. São memórias de muitos episódios de quem esteve por dentro do festival. Participam no livro: José Miguel Gaspar (jornalista); Marcos Cruz (jornalista), Pedro Marta Santos (escritor e jornalista); João Lopes (crítico de cinema); Valter Hugo Mãe (escritor); Manuela Azevedo (Clã); Eduardo Brito (argumentista, realizador e fotó- grafo); Francisco Ferreira (crítico de cinema); Inês Meneses (jornalista); Inês Nadais (jornalista); Jor- ge Mourinha (jornalista); João Faria (designer); Ricardo Alexandre (jornalista); Rodrigo Affreixo (jornalista); Pedro Paixão (escritor); Sabrina D. Marques (crítica de cinema); Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta); Cláudia Marques Santos (jornalista); Miguel Gomes (realizador); Paulo Furtado (The Legendary Tigerman); Rui Poças (diretor de fotografia); Tiago Alves (jornalista); Daniel Ribas (crítico e programador de cinema); Antonio Rodrigues (programador de cinema) e José Vieira Mendes (jornalista). O livro também inclui um texto-memória a partir de entrevistas com os atuais e ex-diretores do Curtas, escrito por Sérgio C. Andrade.

Os textos do livro são confidências e memórias que se cruzam com a vivência dos seus autores em Vila do Conde enquanto convidados e participantes das edições passadas do festival.

O livro "Curtas Vila do Conde: 25 Anos, 25 Histórias" custa 15 euros e está à venda na Loja das Curtas, disponível online e na Solar - Galeria de Arte Cinemática. 

Exposição fotográfica "A Glória de Fazer Cinema em Portugal" patente no Auditório Municipal de Vila do Conde até 29 de julho

21 Julho 2017
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Inaugurada durante o Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema, a exposição fotográfica "A Glória de Fazer Cinema em Portugal" permanece patente no Auditório Municipal de Vila do Conde até 29 de julho. Esta exposição, inserida nas comemorações do 25º aniversário do Curtas Vila do Conde, é uma homanenagem aos realizadores e profissionais da sétima arte que passaram, nos últimos anos, pelo festival. 

Frase assertiva e programática, o título desta exposição conta-se assim: a 18 de setembro de 1929, José Régio escreve de Vila do Conde ao seu amigo Alberto de Serpa, dando-lhe conta que fundou, com Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões, Edmundo de Bettencourt, José Oliveira Neves, Fausto José e Alves Machado, o grupo Ultra, “resolvido firmemente a criar o cinema português”. Nessa mesma missiva, Régio diz saber de um amigo de Serpa que tem uma câmara de filmar. Palavras do escritor: “esse teu amigo seria capaz de alugar, ou emprestar, a sua máquina ao grupo? Teríamos (contigo conto sem- pre) a glória de fazer cinema em Portugal”. Quase noventa anos depois, e criado que está – ou que se esforça por estar – aquilo a que chamamos de cinema português, é tempo desta proposição (que foi também título de uma curta de Manuel Mozos, produzida pela Curtas Metragens CRL em 2015) dar nome a um conjunto de imagens de pessoas que, da representação à técnica, da realização à crítica, ajudaram e ajudam a fazer o cinema em Portugal e que, nos últimos vinte e cinco anos, passaram pelo Curtas. Não se trata, portanto, de uma glória ecuménica ou mesmo até (e porque não dizê-lo) cinematográfica. Apenas uma vénia, um regresso a uma vontade expressa pelo escritor José Régio – um querer fazer que nos une a todos no cinema, pelo cinema.

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