Carta de Protesto e Solidariedade

20 Fevereiro 2017
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Em Portugal, um colectivo de realizadores, produtores, atores, técnicos e distribuidores, festivais de cinema e associações profissionais escreveu uma carta aberta ao governo português e recebeu o apoio da comunidade internacional do sector.

CARTA DE PROTESTO E SOLIDARIEDADE

Há várias décadas que Portugal é tido como um caso à parte no contexto da produção cinematográfica mundial. Tratando-se de um país pequeno, sem mercado interno para sustentar uma indústria, é raro o ano em que surja nas salas de cinema mais do que uma dúzia de longas-metragens nacionais. Mas, apesar disso, é elevadíssima a percentagem desses filmes com presença em festivais internacionais. A partir da década de 80, e de um modo sistemático, o cinema português tem sido objeto de mostras e homenagens; tal como têm sido organizadas retrospetivas de vários cineastas portugueses – uns em atividade (alguns deles assinam este texto), outros infelizmente já desaparecidos (João César Monteiro, Paulo Rocha, Fernando Lopes, António Reis, José Álvaro Morais, António Campos ou, claro, Manoel de Oliveira). O “milagre” desta desproporcional visibilidade internacional no contexto de tão escassa produção – atravessando décadas distintas e diferentes gerações de autores – deve-se certamente ao mérito dos realizadores, dos técnicos, dos atores e dos produtores de cinema em Portugal. Mas o mérito também residiu numa política cultural que  fomentou a produção de um cinema marcado por uma forte singularidade das suas propostas, bem como estabeleceu as bases para lhe garantir liberdade criativa. Assim se consolidou a imagem do cinema feito em Portugal.

A política cultural que permitiu este cinema e que abriu as portas à diversidade, assentou em Leis do Cinema e num Instituto Público, o ICA, que as aplicou, organizando de forma continuada concursos públicos para o apoio financeiro à produção de filmes, com regras de participação transparentes e critérios de avaliação compatíveis com uma política promovida pelo Ministério da Cultura e com júris escolhidos pelo Instituto cujo perfil é definido por lei como “personalidades com reconhecido mérito cultural e idoneidade”. Assim, foram chamados à função de júri cineastas e técnicos de cinema, bem como críticos, artistas plásticos, escritores, arquitetos, músicos, programadores culturais ou professores universitários para aprovarem os projetos de filmes.

A partir de 2013, um decreto-lei regulamentador da Lei do Cinema e uma nova direção do Instituto de Cinema e Audiovisual de Portugal (ICA), mostrando-se alérgicos à responsabilidade e desconhecedores do papel regulador que o ICA deve ter no processo, transferiram a tarefa da escolha dos júris para um comité onde estão representados todos os interessados no resultado dos concursos de apoio: associações profissionais, representantes das televisões, representantes dos operadores de audiovisual, entre outros. Passou, então, a ser este comité corporativo a indicar ao ICA os nomes dos júris que  avaliam os projetos de filmes, num claro conluio de interesses em muitos dos casos entre nomeados e quem nomeia.

O resultado não se fez esperar: os requisitos exigidos no regulamento sobre o perfil dos júris, “personalidades de reconhecido mérito cultural”, deixaram manifestamente de fazer sentido tendo em conta os atuais jurados. Nos últimos anos contam-se entre os decisores dos projetos de cinema, administradores de bancos com ligação ao cinema ou diretores de marketing de operadoras de telecomunicações…

O atual governo, refém da pressão exercida por operadores da televisão por cabo,  prepara-se agora para homologar um novo decreto-lei que perpetua e agrava este procedimento. Um conjunto muito representativo de realizadores e produtores portugueses manifestou-se contra este sistema promíscuo e viciado, assegurando à tutela que se recusam terminantemente a fazer parte do processo de nomeações: não querem ter influência na nomeação de júris nem aceitam que outros interessados nos resultados dos concursos possam participar do processo. Acreditam que a transparência só pode ser assegurada se a nomeação de júris regressar à exclusiva competência do ICA. De uma vez por todas, querem uma direção do ICA capaz de assumir as suas responsabilidades, estando consciente do seu duplo papel de executor da política cultural para o cinema e de regulador desta atividade.

Os subscritores desta carta de protesto querem recordar ao Estado que o Cinema Português não é uma questão exclusivamente nacional. Por isso, prestam  a sua solidariedade com os realizadores e produtores portugueses que se têm oposto a este processo e manifestam o seu repúdio, caso o decreto-lei seja homologado.
 
A carta e os subscritores do protesto podem ser consultados aqui.  

Diogo Costa Amarante vence Urso de Ouro na Berlinale com “Cidade Pequena”

20 Fevereiro 2017
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“Cidade Pequena” de Diogo Costa Amarante venceu, no sábado passado, o Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem na Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim.


O júri, composto pelo artista alemão Christian Jankowski, pela curadora norte-americana Kimberly Drew e pelo programador chileno Carlos Núñez, destacou os enquadramentos do filme que “lembram a atenção ao detalhe presente nos quadros do Renascimento italiano”.


Protagonizado pela irmã e o sobrinho do realizador, “Cidade Pequena” parte de um episódio verídico onde Francisco descobre na escola que as pessoas têm cabeça, tronco e membros e que se o coração pára morrem. A ficção é uma reflexão acerca da tomada de consciência da morte, do tempo e da família.

A curta-metragem de 20 minutos, com produção da Curtas Metragens CRL, estreou em julho de 2016 no 24º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema e integra o catálogo de filmes distribuídos pela Agência da Curta Metragem.


No concurso de curtas-metragens do festival, que decorreu entre 9 e 19 de fevereiro na capital alemã , estiveram ainda “Altas Cidades de Ossadas” de João Salaviza – que venceu o prémio em 2012 com “Rafa” – e “Coup de Grâce” de Salomé Lamas. “Os Humores Artificiais” de Gabriel Abrantes foi o nomeado na Berlinale para os Prémios Europeus de Cinema.

Música e Cinema de Animação em destaque na Animar 12

13 Fevereiro 2017
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Entre fevereiro e junho, a ANIMAR regressa à Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, com uma exposição para toda a família onde a música e o cinema de animação são os principais atrativos. Com inauguração no próximo sábado, 18 de fevereiro, às 15:00, a exposição ANIMAR 12 destaca os videoclipes portugueses de animação – de Capicua e Pedro Geraldes a Samuel Úria, passando por Os Azeitonas e Quinta do Bill – e os seus autores, Alice Eça Guimarães, Pedro Serrazina, Bruno Caetano, Rui Telmo Romão e Jorge Ribeiro. Para além dos videoclipes, o novo filme de José Miguel Ribeiro, “Estilhaços”, complementará uma exposição plena de experiências interativas.

Em 2017, a 12ª edição do projeto educativo Animar propõe uma abordagem diferente ao cinema de animação partindo dos videoclipes, que se assumem não só como um veículo dos temas musicais mas também como um recurso criativo, para explicar o processo de produção de um filme. Nesta exposição, as animações passam do ecrã para as diferentes salas da galeria onde estarão instalados os cenários, adereços, personagens, materiais e diversos elementos utilizados na criação de seis videoclipes: “Erva-de-Cheiro”, “Quente e Frio” e “A Cor da Rosa” de Alice Guimarães para a música de Capicua e Pedro Geraldes; “É Preciso que eu Diminua” de Pedro Serrazina para o tema de Samuel Úria; “Cinegirasol” de Bruno Caetano e Rui Telmo Romão para Os Azeitonas; e “Faz Bem Falar de Amor” de Jorge Ribeiro para a música da banda Quinta do Bill.


No percurso pela Solar – Galeria de Arte Cinemática, os visitantes são convidados a entrar no universo destas histórias através de atividades e experiências interativas que vão permitir, por exemplo, entrar no cenário da vila alentejana de “Cinegirasol”; colocar em prática a mensagem ecológica de “Mão Verde” numa estufa de plantas instalada na galeria; criar novas versões do videoclipe dos Quinta do Bill; experimentar brinquedos óticos ou criar o próprio filme de animação.


À parte dos videoclipes, a curta-metragem “Estilhaços” de José Miguel Ribeiro será também objeto de exposição. A animação, que aborda o impacto da guerra nas relações humanas, sobretudo no seio familiar, venceu, no fim-de-semana passado, o Prémio de Melhor Documentário no Festival de Cinema de Clermont-Ferrand. O filme teve estreia em 2016 no prestigiado Festival de Locarno (Suíça) e foi distinguido com os principais prémios dos festivais Cinanima, Monstra e Caminhos do Cinema Português e o Prémio Nacional de Animação. Na sala dedicada à curta-metragem, os visitantes poderão ter uma experiência interativa com base nos sons da animação.


Criado pela equipa que organiza o Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, o projeto educativo Animar desenvolve anualmente diversas atividades em torno do cinema de animação dirigidas às famílias mas, sobretudo, à comunidade escolar da região norte. Até junho, para além da exposição na Solar - Galeria de Arte Cinemática – que pode ser visitada diariamente entre as 14:00 e as 18:00 – está programado um conjunto de atividades para escolas como sessões de cinema, visitas guiadas à exposição, workshops de iniciação ao cinema na sala de aula, apresentações e mostras “Antes do Filme” e ateliês com formadores convidados. Estes ateliês serão orientados pelos realizadores Jorge RibeiroBruno Caetano e Telmo RomãoPedro Serrazina e o animador Luís Grifu que, numa lógica de aproximação dos alunos ao próprio processo criativo, vão realizar um conjunto de filmes com recurso ao corpo humano como principal elemento animado e à música, apelando, também, a um sentido experimental, do pré-cinema às tecnologias digitais mais inovadoras, da investigação em torno da projeção da imagem em movimento. Os filmes serão apresentados na sessão de encerramento da Animar, a 4 de junho, no Teatro Municipal de Vila do Conde.


A 12ª edição da Animar conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, da Direcção Geral das Artes, do Governo de Portugal (Cultura) e da Viarco.

“Mão Verde”, o concerto de Capicua e Pedro Geraldes para pais e filhos, na abertura da Animar 12

9 Janeiro 2017
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A 12ª edição do projeto educativo Animar arranca a 21 de janeiro com o espetáculo ao vivo “Mão Verde”, de Capicua e Pedro Geraldes, às 15:00, no Teatro Municipal de Vila do Conde. O concerto temático para toda a família oferece uma sessão repleta de música, poemas e lengalengas em torno de temas como a natureza, a ecologia, os alimentos e um estilo de vida saudável.

Pensado para crianças mas sem pretender ser infantil, “Mão Verde” assinala a estreia da rapper portuense Capicua – que se destacou no panorama musical português com temas como “Vayorken”, “Maria Capaz” e “Sereia Louca” – e de Pedro Geraldes – guitarrista dos Linda Martini – no universo dos mais novos.

Durante cerca de uma hora, com vários momentos de interação com o público, “Mão Verde” passa uma mensagem ecologista através de canções alegres e de uma abordagem divertida a diversos temas do quotidiano e do universo verde: as cores das flores, o cheiro das ervas aromáticas, a agricultura, entre outros. As histórias são contadas por Capicua, com rap, rimas e jogos de palavras, sobre as batidas coloridas dos instrumentos musicais tocados ao vivo por Pedro Geraldes.

 

“Mão Verde” resulta de uma encomenda do São Luiz Teatro Municipal a Capicua, que convidou Pedro Geraldes a juntar-se ao projeto. Do Teatro São Luiz, o espetáculo seguiu para outros palcos tendo, mais tarde, originado um disco-livro, com ilustrações de Maria Herreros e pequenas notas do agricultor Luís Alves. Os vídeoclipes dos singles “Quente & Frio” e “Erva-de-Cheiro” foram realizados por Alice Eça Guimarães, cineasta que participou na edição anterior da Animar em dois momentos: na exposição da Solar – Galeria de Arte com o filme “Amélia & Duarte”, corealizado por Mónica Santos, e na produção da curta-metragem “Nossa Senhora da Apresentação” com Abi Feijó, Daniela Duarte e Laura Gonçalves.


Os bilhetes para o espetáculo, à venda no Teatro Municipal de Vila do Conde e na rede da Bilheteira Online, custam 4 euros para crianças e jovens até aos 12 anos e 6 euros para adultos. Está ainda disponível, em exclusivo no Teatro Municipal, um pack família por 16 euros para 4 pessoas, num máximo de dois adultos.


Criado pela equipa que organiza o Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, o projeto educativo Animar desenvolve anualmente diversas atividades em torno do cinema de animação dirigidas às famílias mas, sobretudo, à comunidade escolar da região norte. Até junho, estão planeados ateliês de animação orientados por formadores convidados, ateliês de iniciação de cinema na sala de aula, visitas guiadas à Solar – Galeria de Arte Cinemática, sessões de cinema no Teatro Municipal de Vila do Conde e apresentações e mostras “Antes do Filme”.


À semelhança das edições anteriores, o centro destas atividades voltará a ser a exposição na Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, que, este ano, destaca os telediscos portugueses de animação, de Capicua e Pedro Geraldes a Samuel Úria, passando por Os Azeitonas e Quinta do Bill, e os seus autores, Alice Eça Guimaraes, Pedro Serrazina, Bruno Caetano e Jorge Ribeiro. A inauguração está marcada para o dia 18 de fevereiro, às 15:00.

Zepe selecionado para o Euro Connection 2017

2 Janeiro 2017
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A curta-metragem “O Ciclo”, do realizador Zepe (José Pedro Cavalheiro) e da produtora AIM Studios, foi um dos projetos selecionados para a edição de 2017 do Euro Connection, o fórum europeu de coprodução cinematográfica que decorre todos os anos durante o Clermont-Ferrand Short Film Festival. Esta plataforma, que culmina no pitching dos projetos selecionados nos dias 7 e 8 de fevereiro, tem como objetivo o desenvolvimento de parcerias entre produtores, investidores, patrocinadores e televisões.

 

Em anos anteriores, Portugal esteve representado no Euro Connection através de filmes como “Do Berço Para a Cova” (de João Vladimiro), “Rafa (de João Salaviza), "Abismo" (de Leonor Noivo) ou "Papel de Natal (de José Miguel Ribeiro). O Curtas Vila do Conde e o IndieLisboa são os festivais nacionais associados ao Euro Connection.  

O Dia Mais Curto arranca esta quinta-feira com sessão de cinema dentro da piscina

29 Novembro 2016
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A 4ª edição d’ O Dia Mais Curto, a festa da curta-metragem inspirada no Solstício de Inverno, arranca esta quinta-feira, 1 de dezembro, com uma sessão de cinema dentro da piscina do Santana Hotel & SPA, em Vila do Conde, às 10:00. Nesta sessão diferente das tradicionais, as famílias poderão assistir a uma seleção de curtas-metragens enquanto usufruem da piscina interior do hotel.

A pensar nos mais novos, o programa especial apresenta uma seleção de filmes de animação: “A Aula de Natação”, de Danny De Vent, que acompanha o pequeno Jonas na sua primeira aula na piscina; “A Gaiola”, de Loic Bruyere, a história do encontro e da amizade entre um urso enjaulado que não sabe cantar e um passarinho que não sabe voar mas canta esplendidamente; e “Papel de Natal”, de José Miguel Ribeiro, um filme que assinala a quadra natalícia alertando, em simultâneo, para o problema da poluição e do desperdício.


A experiência da sessão de cinema dentro de água repete-se a 4 de dezembro, às 15:30, com um programa de filmes de animação internacionais para maiores de 6 anos, e a 11 de dezembro, às 15:30, com uma sessão de curtas-metragens portuguesas que se têm destacado nos festivais de cinema internacionais – “Penúmbria” de Eduardo Brito, “Menina” de Simão Cayatte e “Uma Breve História da Princesa X”, de Gabriel Abrantes – juntamente com filmes cuja ação decorre em piscinas – “Ten Meter Tower” de Maximilien Van Aertryck e Axel Danielson e “Cabeça” de Miguel Tavares.


Os bilhetes custam 5 euros e garantem o acesso à piscina do hotel.


Durante todo o mês de dezembro, com incidência no dia 21, no Solstício de Inverno, O Dia Mais Curto será assinalado em 34 localidades portuguesas com uma seleção de curtas-metragens nacionais e internacionais, para adultos e crianças, nos mais variados locais de projeção. A iniciativa, celebrada em simultâneo em vários países, é organizada em Portugal pela Agência da Curta Metragem.


O programa completo da 4ª edição d’ O Dia Mais Curto será anunciado brevemente em www.odiamaiscurto.curtas.pt.

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