Salomé Lamas apresenta "Fatamorgana"

24 Outubro 2018
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A realizadora e artista plástica Salomé Lamas apresenta a exposição individual "Fatamorgana", na Culturgest, a partir do dia 26 de outubro.

"Fatamorgana" é a continuação do projeto de cinema expandido levado a cabo por Salomé Lamas desde 2016, ano em que apresentou uma versão da instalação para teatro.

A versão fílmica será apresentada agora pela primeira vez na Culturgest do Porto e resulta numa complexa instalação vídeo projetada em dois canais, a que se junta uma segunda teia de narrativas em cinco canais, para além de uma instalação sonora. Filmado em Beirute, o filme parte da história de uma mulher, Hanan, que nos guia pela complexidade histórica e cultural do Líbano.

A obra cinematográfica original, cujas variações resultam nesta instalação, foi co-produzido pela Curtas Metragens CRL.

Salomé Lamas (1987, Lisboa) estudou Cinema (Licenciatura) em Lisboa e em Praga, Artes Visuais (Mestrado) em Amsterdão e é candidata a Doutoramento em Estudos Artísticos pela Universidade de Coimbra. Os seus filmes já conquistaram vários prémios internacionais e nacionais e já expôs em diversos centros de arte contemporânea um pouco por todo o mundo. Lamas colabora regularmente com a produtora O Som e a Fúria e é representada pela galeria Miguel Nabinho – Lisboa 20. Várias das suas curtas-metragens são distribuídas pela Agência da Curta Metragem.

Exposição individual de Ricardo Jacinto na Solar

19 Setembro 2018
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A Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, apresenta, entre 22 de setembro e 3 de novembro, “Cinco Filmes e Uma Máscara”, uma exposição individual do compositor e artista plástico português, Ricardo Jacinto. A inauguração terá lugar no próximo dia 22 de setembro (sábado), às 18h30.

Além de uma instalação permanente, que reúne cinco vídeos realizados pelo artista, uma máscara e outros elementos escultóricos, o projeto expositivo contempla também o concerto-instalação "Medusa Spectrum", que terá lugar no dia 29 de setembro, às 19h30, integrado na programação da 14ª edição do Circular – Festival de Artes Performativas e desenhado especificamente para o espaço desta galeria.


Cruzando as práticas musicais e artísticas, Ricardo Jacinto explora as possibilidades de configurações sonoras do espaço, trabalhando com as especificidades das estruturas onde expõe, neste caso, a Solar – Galeria de Arte Cinemática. Assim, a vídeo-instalação, exposta em permanência na galeria, estará em diálogo direto com a obra musical de Ricardo Jacinto e Nuno Torres, no momento performativo ao vivo que se intitula “Medusa Spectrum”.


Nuno Torres e Ricardo Jacinto têm mantido uma colaboração contínua nos últimos anos, partilhando vários projetos em duo e em articulação com um conjunto vasto de músicos, entre eles Manuel Mota, Ricardo Guerreiro, Shiori Usui, Susana Santos Silva, C. Spencer Yeh, Diogo Alvim, João Pais Filipe, Gustavo Costa e Nuno Morão. Iniciativas como Cacto, Parque, Les Voisins, Eye Height e Territórios Temporários, têm servido de mote para uma partilha musical e sonora com apresentação em diversos locais como CCB - Lisboa, Museu de Serralves - Porto, Centre Culturel Gulbenkian - Paris, Dance Base - Edimburgo, Culturgest - Lisboa e ZDB - Lisboa.


Ricardo Jacinto vive e trabalha entre Lisboa e Belfast e é, atualmente, doutorando na Sonic Arts Research Center. É formado em Arquitetura pela Universidade de Lisboa e em Escultura e Artes Visuais pela Ar.Co. Além disso, estudou música no Hot Clube de Portugal e na Academia de Amadores de Música, em Lisboa. Desde 1998, apresenta o seu trabalho em exposições individuais e coletivas, concertos e performances, em Portugal e no estrangeiro, tendo colaborado com artistas, músicos, arquitetos e performers. É também fundador da associação cultural OSSO.

Inscrições abertas para Euro Connection 2019

19 Setembro 2018
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A próxima edição do Euro Connection acontecerá nos dias 5 e 6 de fevereiro de 2019, durante o Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand. Esta plataforma tem como objetivo auxiliar as parcerias entre produtores Europeus na produção de curtas metragens.

Em cada país, os correspondentes nacionais avaliam todos os projectos inscritos e escolhem o projeto finalista. As inscrições para a próxima edição terminam no dia 20 de outubro de 2018. Os projetos devem seguir os seguintes requisitos:

- curta metragem de animação, ficção ou documentário criativo;
- duração até 40 minutos;
- o projeto deve ter parte do seu financiamento garantido por um terceiro (fonte externa);
- o produtor deve ser aberto à co-produções internacionais (projeto adequado ou destinado à co-produção);
- filmagem ou produção devem começar a partir de maio de 2019;

Um júri europeu, composto por 3 profissionais da indústria de diferentes nacionalidades, irá eleger depois até 13 projetos para irem à final e apresentarem o seu pitching durante o festival. A lista de finalistas será divulgada aos vencedores até ao fim de novembro de 2018.

Os produtores devem enviar os seus projetos de curta-metragem até ao dia 20 de outubro de 2018 ao representante do seu país. Em Portugal, os festivais associados são o IndieLisboa e o Curtas Vila do Conde.

Todas as inscrições devem ser enviadas para:

Miguel Dias - mdias@curtas.pt
Miguel Valverde - miguel.valverde@indielisboa.com.

Veja aqui o regulamento e o formulário de inscrição.

Estreia comercial de "Mariphasa"

14 Setembro 2018
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A longa-metragem de Sandro Aguilar, "Mariphasa", chega esta semana às salas comerciais. O filme teve estreia mundial no 25º Curtas Vila do Conde, em 2017, tendo passado, posteriormente, pelo Forum da Berlinale.

A estreia mundial de "Mariphasa", de Sandro Aguilar, aconteceu na 25ª edição do Curtas Vila do Conde, em 2017. Esta semana a longa-metragem chega ao circuito comercial português com exibição em sala.

Antes de "Mariphasa", Sandro Aguilar realizou outra longa-metragem, "A Zona", lançada há já quase uma década, em 2009. Durante esse intervalo de tempo, o realizador dedicou-se sobretudo ao formato da curta-metragem, tendo realizado mais de uma dezena de filmes, que foram exibidos e premiados um pouco por todo o mundo.

No festival de Vila do Conde, Sandro Aguilar já conquistou o prémio principal da competição nacional com "Corpo e Meio", em 2001, e também o prémio de jovem cineasta português com "Estou Perto", em 1998. É considerado um dos nomes centrais da Geração Curtas.

Realizador e produtor, Sandro Aguilar (1974) concluiu o curso de Cinema na área de Montagem da Escola Superior de Teatro e Cinema em 1997 e, um ano depois, fundou a produtora O Som e a Fúria. Os seus filmes arrecadaram prémios em festivais como La Biennale di Venezia, Gijón, Oberhausen e Curtas Vila do Conde e foram exibidos em Torino, Belfort, Montreal e Clermont-Ferrand, entre outros. O seu trabalho foi alvo de retrospetivas no BAFICI, em Roterdão e no Instituto Arsenal. 

Anteu tem os pés bem assentes na terra

29 Julho 2018
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 3.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 26.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

por Luís Azevedo

Figura mitológica grega, Anteu é um gigante dotado de uma força sobrenatural, filho de Gaia, a representação da terra. O seu calcanhar de Aquiles era o ar. A sua força desaparecia quando o levantavam do chão e o separavam da terra/mãe. Em Anteu (2018)o filme de João Vladimiro a concurso no Curtas, o protagonista perde a mãe à nascença e dedica a sua vida a elaborar um plano para se voltar a juntar a ela.

Lacrau (2018), a longa-metragem anterior de João Vladimiro foi acusada de ser parca em estrutura. Mas se em Anteuo trato do realizador continua críptico, não é por falta de estrutura. O filme segue uma linha reta, do nascimento à morte. A inefabilidade da narrativa é culpa de simbolismos que se perderão para quem entre na sessão desprevenido, e só se lembre na sala que deixou o dicionário de símbolos em casa. Mas, como diz o povo, isto não é defeito, é feitio.

A força das imagens, ricas em possibilidades interpretativas e potencial sensório, torna qualquer tentativa de interpretar o puzzlenão só fútil como desaconselhável. Numa das cenas iniciais a câmara revela a mãe morta antes de fazer um movimento vertical para revelar Anteu criança ao lado de um homem a afiar uma foice, um barqueiro de Caronte que troca o rio pela terra e a barca pelo trator. A beleza do quadro é complementada por uma abordagem sonora em que só ouvimos o que interessa ouvir, com sons isolados e cenas auralmente despidas.

A morte está presente em todos os planos de Anteu, mas é numa das cenas finais do filme, em que o simbolismo aflora mais vividamente: Anteu gira duas moedas circulares, na cara está o ovo e o homem, na coroa a galinha e o caixão. A velocidade da rotação cria uma ilusão ótica, em que a galinha entra no ovo e o homem no caixão. A questão aqui implícita é o que veio primeiro, o ovo ou a galinha; a vida ou a morte?

A magia da tecnologia

27 Julho 2018
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 3.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 26.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

por Diogo Lucena e Vale

The Rare Event
(2018) é a última colaboração entre Ben Rivers e Ben Russell. Os dois cineastas já antes tinham colaborado na longa A Spell to Ward Off the Darkness(2013) e partilhado a exposição Ruins/Rites/Runesna Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde. Agora reencontram-se numa curta que toma como ponto de partida uma conversa entre diferentes filósofos.

O evento raro a que o título alude, é a magia, porventura a magia do cinema, na sua capacidade de encontrar ou produzir novas relações entre elementos da realidade. De facto, os temas discutidos pelos intervenientes do colóquio informam e refletem o trabalho que, por outro lado, Rivers e Russell desenvolvem a nível formal. No centro desta obra encontra-se um claro conflito entre os meios digital e analógico, pois não obstante The Rare Eventter sido filmado em película, o corpo verde de uma personagem batizada “The Green Man” serve de palco para as inconfundíveis estruturas tridimensionais, monocromáticas e digitais de Peter Burr, servindo de ponte entre digital e analógico, como uma interferência na verosimilhança que geralmente é associada à fisicalidade da película. A dada altura, vemos esta figura a contornar o círculo de interlocutores, numa sequência filmada num plano contínuo em que a câmara descreve igualmente uma trajetória circular entre as pessoas. Estas duas trajetórias cruzam-se várias vezes o que resulta num surpreendente contraste de texturas causado pela coexistência na tela do grão da película e das cores sólidas das imagens digitais. Chegamos então ao ponto em que o Green Man cobre toda a imagem: o plano, que, por força das limitações físicas do formato, não poderia continuar durante mais tempo, é continuado digitalmente. Vemos então a figura verde entre grandes formações de pixéis pretos e brancos, quiçá explorando um mundo novo.

O Green Man está presente, dizem-nos, para “gravar”. Contundo, cenas em que ele esteja mais próximo são caraterizadas por o som das vozes gravadas poder ser ouvido antes, e não depois, de serem proferidas pelos atores. Este homem de verde, então, enquanto símbolo do intrometimento do digital nos métodos analógicos, simboliza a possibilidade da disrupção da linearidade temporal e espacial.

Se é verdade que seria difícil com base neste trabalho dizer que Rivers e Russell veem no digital uma utopia cinematográfica, à semelhança de Peter Greenaway, eles parecem apontá-lo como algo que constituiu uma expansão do que anteriormente era possível. Um passo em frente que concomitantemente invoca o passado: a dupla parece ter encontrado uma forma de devolver ao cinema a sua magia primordial.

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