Exposição individual de Ricardo Jacinto na Solar

19 Setembro 2018
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A Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, apresenta, entre 22 de setembro e 3 de novembro, “Cinco Filmes e Uma Máscara”, uma exposição individual do compositor e artista plástico português, Ricardo Jacinto. A inauguração terá lugar no próximo dia 22 de setembro (sábado), às 18h30.

Além de uma instalação permanente, que reúne cinco vídeos realizados pelo artista, uma máscara e outros elementos escultóricos, o projeto expositivo contempla também o concerto-instalação "Medusa Spectrum", que terá lugar no dia 29 de setembro, às 19h30, integrado na programação da 14ª edição do Circular – Festival de Artes Performativas e desenhado especificamente para o espaço desta galeria.


Cruzando as práticas musicais e artísticas, Ricardo Jacinto explora as possibilidades de configurações sonoras do espaço, trabalhando com as especificidades das estruturas onde expõe, neste caso, a Solar – Galeria de Arte Cinemática. Assim, a vídeo-instalação, exposta em permanência na galeria, estará em diálogo direto com a obra musical de Ricardo Jacinto e Nuno Torres, no momento performativo ao vivo que se intitula “Medusa Spectrum”.


Nuno Torres e Ricardo Jacinto têm mantido uma colaboração contínua nos últimos anos, partilhando vários projetos em duo e em articulação com um conjunto vasto de músicos, entre eles Manuel Mota, Ricardo Guerreiro, Shiori Usui, Susana Santos Silva, C. Spencer Yeh, Diogo Alvim, João Pais Filipe, Gustavo Costa e Nuno Morão. Iniciativas como Cacto, Parque, Les Voisins, Eye Height e Territórios Temporários, têm servido de mote para uma partilha musical e sonora com apresentação em diversos locais como CCB - Lisboa, Museu de Serralves - Porto, Centre Culturel Gulbenkian - Paris, Dance Base - Edimburgo, Culturgest - Lisboa e ZDB - Lisboa.


Ricardo Jacinto vive e trabalha entre Lisboa e Belfast e é, atualmente, doutorando na Sonic Arts Research Center. É formado em Arquitetura pela Universidade de Lisboa e em Escultura e Artes Visuais pela Ar.Co. Além disso, estudou música no Hot Clube de Portugal e na Academia de Amadores de Música, em Lisboa. Desde 1998, apresenta o seu trabalho em exposições individuais e coletivas, concertos e performances, em Portugal e no estrangeiro, tendo colaborado com artistas, músicos, arquitetos e performers. É também fundador da associação cultural OSSO.

Inscrições abertas para Euro Connection 2019

19 Setembro 2018
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A próxima edição do Euro Connection acontecerá nos dias 5 e 6 de fevereiro de 2019, durante o Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand. Esta plataforma tem como objetivo auxiliar as parcerias entre produtores Europeus na produção de curtas metragens.

Em cada país, os correspondentes nacionais avaliam todos os projectos inscritos e escolhem o projeto finalista. As inscrições para a próxima edição terminam no dia 20 de outubro de 2018. Os projetos devem seguir os seguintes requisitos:

- curta metragem de animação, ficção ou documentário criativo;
- duração até 40 minutos;
- o projeto deve ter parte do seu financiamento garantido por um terceiro (fonte externa);
- o produtor deve ser aberto à co-produções internacionais (projeto adequado ou destinado à co-produção);
- filmagem ou produção devem começar a partir de maio de 2019;

Um júri europeu, composto por 3 profissionais da indústria de diferentes nacionalidades, irá eleger depois até 13 projetos para irem à final e apresentarem o seu pitching durante o festival. A lista de finalistas será divulgada aos vencedores até ao fim de novembro de 2018.

Os produtores devem enviar os seus projetos de curta-metragem até ao dia 20 de outubro de 2018 ao representante do seu país. Em Portugal, os festivais associados são o IndieLisboa e o Curtas Vila do Conde.

Todas as inscrições devem ser enviadas para:

Miguel Dias - mdias@curtas.pt
Miguel Valverde - miguel.valverde@indielisboa.com.

Veja aqui o regulamento e o formulário de inscrição.

Estreia comercial de "Mariphasa"

14 Setembro 2018
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A longa-metragem de Sandro Aguilar, "Mariphasa", chega esta semana às salas comerciais. O filme teve estreia mundial no 25º Curtas Vila do Conde, em 2017, tendo passado, posteriormente, pelo Forum da Berlinale.

A estreia mundial de "Mariphasa", de Sandro Aguilar, aconteceu na 25ª edição do Curtas Vila do Conde, em 2017. Esta semana a longa-metragem chega ao circuito comercial português com exibição em sala.

Antes de "Mariphasa", Sandro Aguilar realizou outra longa-metragem, "A Zona", lançada há já quase uma década, em 2009. Durante esse intervalo de tempo, o realizador dedicou-se sobretudo ao formato da curta-metragem, tendo realizado mais de uma dezena de filmes, que foram exibidos e premiados um pouco por todo o mundo.

No festival de Vila do Conde, Sandro Aguilar já conquistou o prémio principal da competição nacional com "Corpo e Meio", em 2001, e também o prémio de jovem cineasta português com "Estou Perto", em 1998. É considerado um dos nomes centrais da Geração Curtas.

Realizador e produtor, Sandro Aguilar (1974) concluiu o curso de Cinema na área de Montagem da Escola Superior de Teatro e Cinema em 1997 e, um ano depois, fundou a produtora O Som e a Fúria. Os seus filmes arrecadaram prémios em festivais como La Biennale di Venezia, Gijón, Oberhausen e Curtas Vila do Conde e foram exibidos em Torino, Belfort, Montreal e Clermont-Ferrand, entre outros. O seu trabalho foi alvo de retrospetivas no BAFICI, em Roterdão e no Instituto Arsenal. 

Anteu tem os pés bem assentes na terra

29 Julho 2018
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 3.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 26.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

por Luís Azevedo

Figura mitológica grega, Anteu é um gigante dotado de uma força sobrenatural, filho de Gaia, a representação da terra. O seu calcanhar de Aquiles era o ar. A sua força desaparecia quando o levantavam do chão e o separavam da terra/mãe. Em Anteu (2018)o filme de João Vladimiro a concurso no Curtas, o protagonista perde a mãe à nascença e dedica a sua vida a elaborar um plano para se voltar a juntar a ela.

Lacrau (2018), a longa-metragem anterior de João Vladimiro foi acusada de ser parca em estrutura. Mas se em Anteuo trato do realizador continua críptico, não é por falta de estrutura. O filme segue uma linha reta, do nascimento à morte. A inefabilidade da narrativa é culpa de simbolismos que se perderão para quem entre na sessão desprevenido, e só se lembre na sala que deixou o dicionário de símbolos em casa. Mas, como diz o povo, isto não é defeito, é feitio.

A força das imagens, ricas em possibilidades interpretativas e potencial sensório, torna qualquer tentativa de interpretar o puzzlenão só fútil como desaconselhável. Numa das cenas iniciais a câmara revela a mãe morta antes de fazer um movimento vertical para revelar Anteu criança ao lado de um homem a afiar uma foice, um barqueiro de Caronte que troca o rio pela terra e a barca pelo trator. A beleza do quadro é complementada por uma abordagem sonora em que só ouvimos o que interessa ouvir, com sons isolados e cenas auralmente despidas.

A morte está presente em todos os planos de Anteu, mas é numa das cenas finais do filme, em que o simbolismo aflora mais vividamente: Anteu gira duas moedas circulares, na cara está o ovo e o homem, na coroa a galinha e o caixão. A velocidade da rotação cria uma ilusão ótica, em que a galinha entra no ovo e o homem no caixão. A questão aqui implícita é o que veio primeiro, o ovo ou a galinha; a vida ou a morte?

A magia da tecnologia

27 Julho 2018
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 3.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 26.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

por Diogo Lucena e Vale

The Rare Event
(2018) é a última colaboração entre Ben Rivers e Ben Russell. Os dois cineastas já antes tinham colaborado na longa A Spell to Ward Off the Darkness(2013) e partilhado a exposição Ruins/Rites/Runesna Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde. Agora reencontram-se numa curta que toma como ponto de partida uma conversa entre diferentes filósofos.

O evento raro a que o título alude, é a magia, porventura a magia do cinema, na sua capacidade de encontrar ou produzir novas relações entre elementos da realidade. De facto, os temas discutidos pelos intervenientes do colóquio informam e refletem o trabalho que, por outro lado, Rivers e Russell desenvolvem a nível formal. No centro desta obra encontra-se um claro conflito entre os meios digital e analógico, pois não obstante The Rare Eventter sido filmado em película, o corpo verde de uma personagem batizada “The Green Man” serve de palco para as inconfundíveis estruturas tridimensionais, monocromáticas e digitais de Peter Burr, servindo de ponte entre digital e analógico, como uma interferência na verosimilhança que geralmente é associada à fisicalidade da película. A dada altura, vemos esta figura a contornar o círculo de interlocutores, numa sequência filmada num plano contínuo em que a câmara descreve igualmente uma trajetória circular entre as pessoas. Estas duas trajetórias cruzam-se várias vezes o que resulta num surpreendente contraste de texturas causado pela coexistência na tela do grão da película e das cores sólidas das imagens digitais. Chegamos então ao ponto em que o Green Man cobre toda a imagem: o plano, que, por força das limitações físicas do formato, não poderia continuar durante mais tempo, é continuado digitalmente. Vemos então a figura verde entre grandes formações de pixéis pretos e brancos, quiçá explorando um mundo novo.

O Green Man está presente, dizem-nos, para “gravar”. Contundo, cenas em que ele esteja mais próximo são caraterizadas por o som das vozes gravadas poder ser ouvido antes, e não depois, de serem proferidas pelos atores. Este homem de verde, então, enquanto símbolo do intrometimento do digital nos métodos analógicos, simboliza a possibilidade da disrupção da linearidade temporal e espacial.

Se é verdade que seria difícil com base neste trabalho dizer que Rivers e Russell veem no digital uma utopia cinematográfica, à semelhança de Peter Greenaway, eles parecem apontá-lo como algo que constituiu uma expansão do que anteriormente era possível. Um passo em frente que concomitantemente invoca o passado: a dupla parece ter encontrado uma forma de devolver ao cinema a sua magia primordial.

O experimental, o acidente e o espectador

27 Julho 2018
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 3.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 26.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

por Rebeca Bonjour

Chama
(2018), do multifacetado artista finlandês Sami van Ingen, é um filme experimental feito a partir dos únicos pedaços de película existentes de Fallen Asleep When Young(1937), um melodrama épico do realizador Teuvo Tulio, também ele finlandês. O filme tinha sido dado como perdido após um incêndio devastador, até a Cinemateca Francesa ter conseguido encontrar uma parte da película danificada, em 2015. Dos cerca de 20 minutos de película recuperados, Ingen aproveitou cerca de dois, que multiplicou através da câmara lenta e de uma série de efeitos visuais que ajudam no processo de manipulação e ressignificação das imagens e da narrativa original do filme de Tulio.   

O filme de Sami van Ingen abraça este acidente, explora-o e expande-o. No ecrã, um homem aproxima-se de uma mulher, naquilo que parece ser um jardim. As imagens sucedem-se em câmara lenta, deixando-nos em suspenso por cada um dos seus movimentos, tanto inesperados como expectáveis. De repente, a face da protagonista começa a mover-se. Não a cara; não como se mudasse a direção do seu olhar, mas antes como se a sua pele tentasse ganhar vida e fugir do corpo a que pertence. Vira, revira, retorce-se e transforma-se numa mancha epidérmica que ocupa gradualmente o ecrã. Estes são, em parte, efeitos causados na película pelo fogo e pela degradação temporal, em parte efeitos de manipulação que o realizador acrescentou. As faces dos atores vão assim aparecendo e desaparecendo sob estas formas, revelando-se ou apagando-se sob o peso dessas imagens danificadas e manipuladas.

Aliados a uma melodia lindíssima, estes efeitos transportam-nos para o campo do hipotético, do onírico, do sonho. Através das imagens à nossa frente perdemo-nos nas nossas próprias memórias e reflexões, como se de repente entrássemos no próprio mecanismo do pensamento, onde as imagens se vão dobrando e metamorfoseando, passando de umas ideias a outras, por vezes com significados muito precisos, por vezes sem qualquer sentido. 


No final, deixamos de ver qualquer vestígio do filme de que Sami van Ingen se apropriou. Chama transforma-se numa outra coisa, uma narrativa mutável e dinâmica que propõe novas leituras e interpretações a imagens concertas, imagens narrativas que deixam de o ser. O acidente passa de defeito a inerência. 

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