28º Curtas Vila do Conde Adiado

30 Março 2020
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A 28ª edição do Curtas Vila do Conde, inicialmente agendada para as datas de 11 a 19 de julho de 2020, foi adiada devido ao surto de COVID-19.



A incerteza sobre a situação em Portugal e na Europa, nos próximos meses, fez com que a organização do festival decidisse desde já pelo seu adiamento, apontando os dias 3 a 11 de outubro para a sua realização. Devido a esta alteração, as novidades sobre os conteúdos da programação do evento serão apenas divulgadas a partir do mês de junho. Mesmo considerando a excecionalidade desta situação, o festival tem asseguradas todas as parcerias institucionais e privadas, tendo estas já demonstrado a sua total solidariedade. 
O Curtas Vila do Conde está igualmente solidário com todos os outros eventos e profissionais do sector cultural afectados por esta pandemia. 

Estes são tempos novos e extraordinários para todos. É importante para nós começar a pensar num caminho de regresso, e por isso continuaremos a trabalhar para uma nova edição do festival, ainda que numa altura diferente do ano. Esperamos, assim, acompanhar um recomeço que passe também pelo regresso ao cinema como um local de encontro, num festival que sempre foi uma celebração da cultura e da comunidade. Porém, este é um momento de união no cumprimento das recomendações da Direcção-Geral da Saúde, de forma a estarmos, em breve, todos juntos numa sala de cinema.

Looking Back: Uma breve história da Competição Internacional do Curtas

26 Fevereiro 2020
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As curtas-metragens parecem estar outra vez na moda, com diversos autores consagrados a voltarem recentemente a este formato. Quer seja uma forma de experimentação com as possibilidades do cinema, quer seja como forma de contornar os constrangimentos de uma produção tradicional, ou o resultado imediato de uma crescente facilidade em partilhar uma obra com o público através das novas tecnologias, são vários os exemplos: desde as curtas de David Lynch e Paul Thomas Anderson para a Netflix, ao pequeno filme dos irmãos Safdie lançado na altura da estreia de “Uncut Gems”, a obras de Yorgos Lanthimos (“Nimic”) e Luca Guadagnino (“The Staggering Girl”) apresentadas em festivais, ou até o filme de Jonathan Glazer (“The Fall”) que interrompeu a emissão da BBC. Para muitos é um regresso a um formato que adotaram em início de carreira, um caminho das curtas à longa que faz parte do percurso normal de um realizador. É esse percurso que permite que as curtas sejam uma janela para o futuro dos seus autores, reflexo de uma altura de definição do seu cinema. 

O Curtas Vila do Conde, na sua competição internacional, orgulha-se de ter acompanhado vários nomes importantes do cinema mundial desde o início da sua carreira, e de oferecer a possibilidade de descobrir os autores exatamente nessa fase de ebulição da sua visão criativa. A história desta competição no Curtas é longa e fértil. É a competição que se mantém desde a primeira edição, em 1993, cujo objetivo sempre foi de dar a conhecer novos autores, numa fase inicial da carreira ou então apenas pouco conhecidos até aí do público nacional, como é afirmado no catálogo da primeira edição do festival: “Curta-metragem, curta-escala: são numerosos os grandes nomes de hoje que se forjaram nesta escola (...) assim, promover a curta-metragem é participar na construção do universo cultural presente, é preparar o universo cultural de amanhã”.

No campo da ficção, um dos nomes mais importantes que o festival acompanhou desde cedo é o cineasta de Taiwan, Tsai Ming-Lang: vencedor do prémio para melhor ficção em 2003 (“La Passarelle Disparue”) e em 2009 (“Madame Butterfly”), intercalava as suas longa-metragens com filmes de menor duração, muitas vezes repetindo personagens e temas, como forma de explorar novas variações para o seu cinema minimalista; outro exemplo notório será o tailandês Apichatpong Weerasethakul: alvo de uma retrospetiva no festival em 2006 que deu a conhecer o cineasta ao público português, e conhecido também como artista visual pelas suas instalações apresentadas na Solar - Galeria de Arte Cinemática, em 2009 foi exibida em competição a sua curta “A Letter to Uncle Boonmee”, um filme precursor da obra que venceria, um ano mais tarde, o Festival de Cannes - ilustrando assim a possibilidade recorrente de utilizar este formato para trabalhar um esboço do que poderá mais tarde ser uma longa-metragem. Hou Hsiao-Hsien é outro cineasta da “nova vaga” asiática que o festival também acompanhou, mas podemos também falar de outros nomes: desde o contingente americano, que deu a conhecer autores como Spike Jonze, Harmony Korine ou Sean Durkin, ou o recente período dourado do cinema romeno, que revelou nomes como Adrian Sitaru e Corneliu Porumboiu, ou a forte influência da produção francesa, desde Alain Guiraudie (premiado em 2002) a Louis Garrel (2011), a autores que hoje em dia redefinem a identidade do cinema francês, como Yann Gonzalez (premiado em 2006 e 2017) e Bertrand Mandico (Grande Prémio do Festival em 2011). Um dos exemplos mais recentes desta feliz coincidência de descobrir autores através da curta-metragem será o israelita Nadav Lapid, vencedor em 2016 do Grande Prémio do Curtas e recentemente galardoado com o prémio máximo do Festival de Berlim em 2019.


A animação sempre foi uma vertente fundamental deste formato, permitindo um maior contato com obras que de outra forma dificilmente seriam exibidas nas salas de cinema. Logo na primeira edição, em 1993, o festival premiou a obra de Aleksandr Petrov, cineasta russo que ganharia mais tarde em 1999 o Óscar para Melhor Animação. Na edição seguinte seria a vez de ficarmos a conhecer o trabalho de Nick Park, criador da série “Wallace and Gromit”, premiado esse ano pelo filme “The Wrong Trousers” (com o qual ganharia também o Óscar), seria novamente premiado pelo público do Curtas em 1996 com “A Close Shave” - com 4 prémios da Academia de Hollywood, é um dos nomes mais consagrados nesta área. O humor é uma das imagens de marca desta vertente do cinema e autores como o americano Bill Plympton, premiado em 2005 por “Guard Dog” e uma presença constante no festival desde 1997, ou a dupla belga Stéphane Aubier e Vincent Patar, autores da série “Panique au Village”, presentes no festival desde também desde 1997 (e premiados no festival em 2004, 2014 e 2019) são alguns dos autores que o Curtas acompanhou ao longo das suas várias edições. David O’Reilly é um autor que explora de forma original as possibilidades do 3D e a intersecção entre animação e videojogos, como é o caso de “Everything”, exibido em 2017 - além de várias presenças na competição, foi premiado em 2008 com o seu filme “RGB XYZ”. Ludovic Houplain, um dos autores de “Logorama”, galardoado com o Prémio do Público em 2009 e com o Óscar no ano seguinte, regressou em 2019 com “My Generation”, nova obra sobre os ícones do mundo moderno - é um acompanhamento dos seus “autores” que também faz parte da identidade do festival e desta secção competitiva.  


O documentário tem conhecido várias evoluções ao longo dos anos do festival, que tem acompanhado a crescente atenção dedicada ao formato e as tendências de diluição de fronteiras entre este género e a ficção. É algo que é refletido pelos autores que o festival tem dado a conhecer, como é o caso de Sergei Loznitsa, realizador ucraniano que alterna entre o documentário e a ficção e muitas vezes procura um equilíbrio entre os dois - foi premiado em 1999 pelo filme “Life Autumn” e em 2001 com “Polustanok”, e é um dos autores com mais presenças na competição internacional do Curtas. Outro nome importante que demonstra como o documentário e a ficção tem vindo a confundir-se nos últimos tempos é Nicolás Pereda, cineasta galardoado em 2009 (“Entrevista con la Tierra”) e 2014 (“El Palacio”). O documentário é também uma área abrangente, que oferece espaço a autores que exploram o lado experimentalista do formato, casos de Deborah Stratman (premiada em 2003 e com vários filmes exibidos ao longo dos anos) ou Thom Andersen (um dos autores que já trabalhou com o Curtas numa produção, e premiado em 2011 com “Get Out of the Car”), ou então o lado mais tradicional, como é o caso de Victor Asliuk, realizador bielorusso conhecido pelos seus retratos cândidos de figuras nas margens da sociedade. De um lado ao outro cabem diferentes definições e interpretações do que é o cinema, possibilidades imensas representadas por diversas cinematografias de vários países e culturas, e autores sempre por descobrir e à espera de nos surpreender com a imaginação do cinema. A verdade é que as curtas nunca deixaram de estar na moda.

Vencedor do “My Generation” é um dos nomeados dos Óscares 2020

13 Janeiro 2020
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O filme “Nefta Football Club” de Yves Piat e Damien Megherbi, vencedor do programa “My Generation” do Curtas Vila do Conde, está entre os cinco nomeados para o prémio de “Melhor Curta Metragem” dos Óscares 2020.

A secção “My Generation”, nova secção competitiva do Curtas Vila do Conde, é especialmente direcionada para a faixa etária entre os 14 e os 18 anos. As curtas-metragens desta secção foram selecionadas por um grupo de 12 alunos de escolas do Ensino Secundário de Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

“Nefta Football Club” retrata a história de Abdallah, amante de futebol, que encontra no deserto uma mula que transportava droga, que ele pensava ser detergente. Abdallah decide utilizar o “detergente” para desenhar as linhas de marcação no seu campo de futebol.

A cerimónia de entrega de prémios da 92ª edição dos Óscares será realizada no dia 9 de fevereiro, em Los Angeles.

O Dia Mais Curto está de volta!

1 Dezembro 2019
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Pelo sétimo ano consecutivo, Portugal celebra o Dia Mais Curto do ano com exibições de curtas-metragens de norte a sul do país durante o mês de dezembro.

Todos os anos, entre 21 e 22 de dezembro, o dia mais curto do ano anuncia a chegada do Inverno no hemisfério norte do globo terrestre. Se marca um momento, o Solstício de Inverno, em que o Sol está no seu ponto mais distante do equador, pretende-se que este seja também um momento em que estamos mais perto do cinema. Celebra-se assim, ao mesmo tempo, a entrada na nova estação e a curta-metragem. A ideia tem alcançado uma dimensão internacional sendo, atualmente, celebrada em simultâneo em dezenas de países. 

A Agência da Curta Metragem propõe cinco programas distintos, para todas as idades e públicos, com filmes portugueses ou internacionais, que serão exibidos de norte a sul do país, incluindo as ilhas, com múltiplas sessões de cinema, consagrando assim a diversidade deste formato nos mais variados lugares de projeção - cinemas, bibliotecas, museus, televisões, transportes públicos, entre outros - em 28 localidades: Almada, Amadora, Amarante, Aveiro, Barcelos, Braga, Caxias, Elvas, Faro, Guimarães, Leiria, Lisboa, Lourinhã, Madalena (Pico), Maia, Odivelas, Ovar, Porto, Sardoal, Setúbal, Tavira, Tomar, Torres Vedras, Vila do Conde, Vila Nova de Famalicão, Vila Real, Vila Verde e Viseu.


Neste ciclo de cinema, que decorre desde o início de dezembro e culmina a 21 de dezembro, desafiamos a criatividade dos programadores, pelo que as curtas-metragens serão exibidas em diferentes locais de projeção, dos mais tradicionais aos mais inesperados. Para além das sessões em sala, O Dia Mais Curto vai ser assinalado nos transportes públicos com exibições no Metro do Porto, nos aviões de longo curso da Tap Air Portugal (TAP), em espaços culturais como o Museu Nacional Dos Coches, num estabelecimento prisional e num centro educativo. À semelhança dos anos anteriores, O Dia Mais Curto também passará pela televisão, com programas especiais na RTP2, Canal 180 e nos Canais TvCine & Séries, e pela Internet, com sessões no site da Agência da Curta Metragem e na plataforma Filmin. O Dia Mais Curto será também celebrado por alunos de diferentes graus de ensino e em instituições de solidariedade social.


A Agência da Curta Metragem dispõe de cinco programas de curtas-metragens, que incluem sessões para adultos e crianças, com filmes portugueses e internacionais, de diferentes géneros, aos quais se juntam programações próprias das entidades que se associaram à iniciativa: “Curtas do Mundo”, “Novas Curtas Portuguesas”, “20 Anos da Agência”, “Amiguinhos” e “Curtinhas para Todos”. Paralelamente a estes cinco programas, existirá também espaço para a programação mais particularizada, como é o caso dos “Programas Especiais”, cujas sessões são elaboradas pela equipa de programação da Agência e dedicados a uma temática específica ou realizador segundo o critérios da entidade exibidora. Pretende-se que O Dia Mais Curto seja também um evento particular que suscite a organização de exibições especiais de cinema.

A agenda da 7ª edição d’O Dia Mais Curto está disponível em: www.odiamaiscurto.curtas.pt
Os bilhetes, à venda nos locais das sessões, variam entre a entrada gratuita e os 5,00 euros.

Carlos Conceição vence o Prémio Revelação do Doclisboa

28 Outubro 2019
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“Serpentário”, primeira longa metragem de Carlos Conceição, foi a vencedora do Prémio Revelação do Doclisboa, que teve lugar de 17 a 27 de outubro, em Lisboa. O realizador esteve em destaque na programação do 27º Curtas Vila do Conde, onde foram exibidos todos os seus filmes, entre eles a estreia nacional do galardoado “Serpentário”.

O filme foi apresentado no passado dia 25 no contexto da secção “Riscos” do festival, cujo programa se propõe discutir fronteiras e limites com filmes de diferentes épocas que interrogam a contemporaneidade do cinema.

O “Prémio Canais Tvcine Para Melhor Primeira Longa-metragem” é concedido ao realizador da melhor primeira longa-metragem de uma selecção transversal a todas as secções, excepto retrospectivas e cinema de urgência, e foi atribuído pelo júri composto por Aya Koretzky (realizadora, Portugal), Sofia Bohdanowicz (realizadora, Canadá) e Veton Nurkollari (director artístico do Festival Dokufest, Kosovo).


“Serpentário”, uma co-produção luso-angolana, representada pela Agência da Curta Metragem, segue um rapaz que vagueia por uma paisagem africana pós-catástrofe em busca do fantasma da sua mãe e é protagonizado por João Arrais, contando ainda com a participação de Isabel Abreu (voz). O filme teve a sua estreia mundial na secção Fórum do festival de Berlim e, entretanto, obteve o prémio Nuove Visione no Sicilia Queer, em Itália, o Prémio do Público do Burgas Film Festival, na Bulgária, uma Menção Especial para o Melhor filme e o Prémio de Melhor Montagem no festival Filmadrid, e ainda a menção especial do júri Nouveaux Alquimistes do Festival du Nouveau Cinéma.

Leonor Teles e Gabriel Abrantes finalistas dos European Film Awards

23 Outubro 2019
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“Cães Que Ladram aos Pássaros”, de Leonor Teles e “Les Extraordinaires Mésaventures De La Jeune Fille De Pierre”, de Gabriel Abrantes estão entre os cinco finalistas da categoria de “Melhor Curta-Metragem” dos European Film Awards (Prémios Europeus de Cinema). Os vencedores são conhecidos no dia 7 de dezembro.

“Cães Que Ladram aos Pássaros”, comissariado pela Câmara Municipal do Porto, produzido por Leonor Teles e Uma Pedra no Sapato e com promoção internacional da Agência da Curta-Metragem, foi inteiramente rodado na cidade do Porto. O filme acompanha os dias de verão de Vicente e da sua família, obrigados a sair da sua casa no centro do Porto, por força da especulação imobiliária e teve a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Veneza, no passado mês de setembro.
 
Para chegar a esta lista reduzida, os juris de um conjunto de 19 festivais de toda a Europa, do qual o Curtas Vila do Conde é o único festival português, escolheu um nomeado que agora resultou em 5 finalistas. O filme “Les Extraordinaires Mésaventures De La Jeune Fille De Pierre”, de Gabriel Abrantes, foi o noemado da 27ª edição do Curtas Vila do Conde, e foi tambem galardoado com o "Prémio Ficção" da Competição Internacional e o "Prémio do Público" da Competição Nacional.  


Estes prémios reconhecem a excelência dos filmes produzidos na Europa e são entregues anualmente pela Academia Europeia de Cinema, composta por cerca de 3500 profissionais do meio. A 32ª cerimónia do European Film Awards vai realizar-se em Berlim, Alemanha, no dia 7 de dezembro.

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