Peixe:avião, Filho da Mãe & Jibóia no Teatro Maria Matos

27 Agosto 2014
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A 20 de setembro, o Teatro Maria Matos, em Lisboa, recebe dois filmes-concerto, com bandas sonoras originais, encomendadas pelo Curtas Vila do Conde aos peixe:avião, Filho da Mãe e Jibóia, estreadas na 22ª edição do Festival.

Os primeiros a subir ao palco, às 22h00, serão os bracarenses peixe:avião para musicar o clássico do cinema mudo “Ménilmontant”, um filme de 1926 de Dimitri Kirsanoff. Seguem-se Filho da Mãe & Jibóia acompanhados das imagens de Edward S. Curtis, no filme "In The Land Of the Head Hunters", um clássico etnográfico da década de 10.

Peixe: Avião

A banda de Braga peixe:avião – já com três álbuns publicados e nome firme da nova música portuguesa – musica um clássico do período do cinema mudo, “Ménilmontant”. No statement da banda, pode ler-se: "Trata-se de uma oportunidade privilegiada para aplicar a nossa música a um contexto de não-canção, apoiada em imagens em vez de narrativas líricas. O filme escolhido transmite drama e tensão como poucos, apesar de datar de 1926. Tentamos, com a nossa música, amplificar este sentimentos tornando o filme uma experiência (ainda) mais intensa. Acreditamos que durante o processo a nossa própria música também se transformou".

 

“Ménilmontant” acompanha a história de duas órfãs, cujos pais foram selvaticamente assassinados, a trabalhar em Paris e a viver no bairro popular de Ménilmontant. A mais nova é seduzida por um jovem. Engravida e descobre que o seu amante também mantém uma relação com a irmã mais velha. Ela foge. Desesperada e pobre, erra pelas ruas com o seu bebé. Observando o vai e vem das prostitutas descobre a sua irmã entre elas.



Filho da Mãe + Jibóia

Nesta sessão, Filho da Mãe, nome de palco do guitarrista Rui Carvalho, acompanhado por Óscar Silva (Jibóia), musicará ao vivo um clássico etnográfico da década de 10, “In The Land of the Head Hunters”. Segundo Rui Carvalho, "Não quisemos aqui arrumar coisas, nem dar-lhes proveniências… quisemos tirar os brinquedos da gaveta e deixá-los à distância de um pontapé, ir buscar a continentes diferentes o mesmo suor e a mesma capacidade para acreditar em patranhas e juntar-lhes dois pescadores à procura de bacalhau onde claramente não o há".



“In The Land of the Head Hunters” é da autoria de Edward S. Curtis, o mais famoso etnólogo norte-americano que documentou a realidade dos índios nativos.  Em 1911, como parte de um gigantesco empreendimento, Edward S. Curtis viajou até à ilha de Vancouver, na Columbia Britânica, para conhecer os Kwakwaka'wakw. No ano seguinte, porque precisava de dinheiro para o seu projeto, investigação e trabalho fotográfico, Curtis decidiu que a melhor forma de registar o modo de vida tradicional e as cerimónias dos Kwakwaka'wakw era dirigir um dos primeiros filmes com imagens em movimento. Curtis tinha já filmado em 1906 a dança da Serpente Hopi, que mostrara durante umas conferências, mas isto ia ser em grande escala.


A preparação deste filme levou três anos, incluindo a confecção do guarda-roupa; a construção das canoas de guerra, as fachadas das casa, as estacas; e o fabrico das máscaras.


George Hunt, assistente no filme, era um Kwakwaka'wakw que, quase vinte anos antes, tinha trabalhado como intérprete de Franz Boas, o conhecido antropólogo. Hunt contribuiu de forma substancial para a história do filme. Selecionado para o Registo Nacional do Cinema pela Biblioteca do Congresso, este primitivo filme/ documentário nativo-americano estreou em 1914 e é uma espantosa obra produzida com a colaboração de membros da tribo. Nesta história de amor e vingança no seio dos Kwakwaka'wakw da Columbia Britância, Motana, o filho de um respeitado chefe, entra em vigília. Espera obter uma enorme força fazendo jejum e enfrentando dificuldades, que o tornarão num chefe tão poderoso como o pai. Curtis mostra as esplêndidas canoas de guerra dos Kwakwaka'wakw, os totens.

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