Balanço 23º Curtas Vila do Conde

5 Agosto 2015
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No domingo, 12 de julho, terminou mais uma edição do Curtas Vila do Conde. Foi uma edição como todas as outras: um ambiente festivo, acolhedor, que juntou uma comunidade cinéfila, com uma audiência interessada e diversos profissionais do cinema, entre eles, realizadores, atores, produtores, imprensa e programadores. Mas foi também uma edição muito diferente: a avassaladora presença de cinco extraordinários filmes-concerto e um fim-de-semana dedicado àquele que será, muito provavelmente, um dos grandes cineastas da história do cinema português: Miguel Gomes.

Os nove dias da 23º edição mostraram, assim, porque o Curtas Vila do Conde é especial entre todos os outros festivais de cinema portugueses, incluindo várias salas esgotadas e, sobretudo, uma programação eclética e de excelência. Foram mais de vinte mil espectadores, que assistiram a 84 sessões, 5 concertos, 3 debates e 8 encontros com realizadores. Durante os nove dias do festival foram projetados 222 filmes, entre curtas e longas-metragens.

 

O primeiro fim-de-semana do festival mostrou o novo filme de Miguel Gomes, “As Mil e Uma Noites”, divido nos seus três volumes. Gomes é um dos autores mais queridos do Curtas Vila do Conde, onde mostrou quase todas as suas curtas-metragens e onde foi várias vezes premiado. As três sessões esgotaram e na sua apresentação estiveram presentes, para além do realizador e do produtor Luís Urbano, diversos atores e técnicos do filme. Foi uma verdadeira festa em família e o Teatro Municipal está ávido por ver aquele que era considerado um dos filmes do ano. Estes primeiros dias foram também palco para dois filmes-concerto: um de Frankie Chavez e outro de Garcia da Selva com Norberto Lobo. Por outro lado, a Ovelha Choné voltou a Vila do Conde e também encheu uma sala cheia de miúdos e graúdos.

 

A semana decorreu centrada nas suas diferentes competições: internacional, nacional, experimental e Take One!. Tanto nesta competição de escolas como na principal competição portuguesa, as sessões foram sempre apresentadas pelos autores dos filmes. Para além disso, todos os dias, depois da exibição da sessão no dia anterior, os realizadores portugueses debateram com o público do festival, no Lounge Curtas no Teatro Municipal. Aliás, este ano também se organizaram debates com autores da competição internacional e experimental, possibilitando uma discussão alargada com os convidados internacionais do festival.

 

Entretanto, na Solar – Galeria de Arte Cinemática e no Teatro, decorreu também uma retrospetiva da dupla Ben Rivers e Ben Russell. Na Solar, os dois artistas montaram uma exposição que combinava obras individuais e coletivas, explorando as potencialidades de espaço da galeria. No Teatro, conversaram com o público e mostraram alguns dos seus trabalhos mais significativos. Outra retrospetiva foi dedicada ao cineasta francês Quentin Dupieux, mostrando a sua principal filmografia de longa-metragem, incluindo o seu mais recente filme, “Réalité”. No festival, esteve o produtor de Dupieux, Grégory Bernard, e também foi avistado Robert, o pneu protagonista de “Rubber”, um dos filmes mais icónicos do realizador.


O final da semana e do festival trouxe, de novo, os filmes-concerto. Primeiro com duas bandas portuguesas: Bruno Pernadas Quinteto e You Can’t Win, Charlie Brown, com dois filmes-concerto de excelência. Mas, sobretudo, com a atuação dos Lambchop que, para além de um concerto tradicional, tocaram ao vivo para um filme de Bill Morrison, produzido pela Curtas e com excertos de filmes colecionados na Cinemateca Portuguesa. No último dia, também se conheceram os premiados. Pela terceira vez na história do festival, o Grande Prémio foi atribuído a um filme português: “Mined Soil”, de Filipa César.

 

O Curtas Vila do Conde é talvez o melhor festival de verão: tem cinema e música; tem praia; tem um excelente ambiente cultural e cinéfilo; e é, sobretudo, um ponto de encontro para todos aqueles que acreditam, ainda, que participar num festival como este é abrir-se ao novo, ao diferente, e ao futuro do cinema.

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