Filme-concerto de You Can't Win, Charlie Brown em Braga

16 Setembro 2015
Share on Facebook Share on Twitter

Depois de terem aceite o desafio do Curtas Vila do Conde para trabalharem sobre “Maudite Soit la Guerre”, o filme realizado por Alfred Machin para a Pathé nas vésperas do início da II Guerra Mundial, que conta a história de dois amigos em lados opostos do conflito, os You Can't Win Charlie Brown apresentam o mesmo espetáculo a 14 de novembro, no GNRation, em Braga, às 22:30.

Os bilhetes, à venda na bilheteira online, custam 7 euros.

Em 1914, sob a direção de Alfred Machin, foi produzido o filme Maudite Soit la Guerre, uma criação belga que refletia sobre os horrores da guerra, projetando no futuro muitas das tragédias que a história viria depois a confirmar. Para lá da mensagem distintiva do filme, existe o próprio objeto artístico, ambicioso para a época: filme colorido à mão e por isso com uma dimensão plástica invulgar que lhe confere uma estranha beleza pictórica. É esse o filme que os portugueses You Can’t Win, Charlie Brown irão “ilustrar” musicalmente num filme concerto de recorte muito especial.

A relação entre o som e as imagens é antiga e no caso do cinema poderá dizer-se mesmo primordial. Antes das palavras – das falas e dos diálogos -, já a música servia o propósito de sublinhar as histórias que se soltavam do grande ecrã. A música para cinema tornou-se entretanto uma entidade própria, gerando escolas e uma linguagem muito particular que muito tem influenciado as esferas mais aventureiras da pop. E os autores de Chromatic (2011) ou Diffraction / Refraction (2014) não são imunes a esse longo diálogo. Aliás, ambos os títulos das suas coleções de canções remetem para uma óbvia dimensão visual, pelo que este projeto de traduzir musicalmente um filme clássico como Maudite Soit la Guerre é absolutamente justificado.

Os You Can’t Win, Charlie Brown nasceram em Lisboa em 2009 e contam no seu seio com seis músicos: Luís Costa, Salvador Menezes, Afonso Cabral, David Santos, Tomás Sousa e João Gil. Pela sua música cruzam-se ecos de folk, estratégias da eletrónica, inspirações kraut e outras derivas que ao longo das décadas foram informando os rumos mais interessantes da pop. São um grupo inteligente, que conquista espaço não apenas em listas de Melhores do Ano, mas nas memórias de quem valoriza a música e se sente por ela desafiado. São o casting certo para este filme e prometem uma viagem que embrulhará sentidos e imaginação num novelo de novas e fortes emoções. Sem pipocas.
por Rui Miguel Abreu (Blitz, Antena 3, Rimas&Batidas) 

Informações:
http://www.gnration.pt/

ETIQUETAS