Dois filmes portugueses na Competição do Festival de Clermont-Ferrand

22 Dezembro 2015
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As curtas-metragens “A Glória de Fazer Cinema em Portugal”, de Manuel Mozos, e “O Guardador”, de Rodrigo Areias, vão integrar a competição internacional do maior e mais relevante festival de curtas-metragens europeu, o Clermont-Ferrand Short Film Festival, que terá lugar de 5 a 13 de fevereiro de 2016 em França. Os dois filmes, os únicos portugueses a concurso, foram selecionados entre as 7778 obras de todo o mundo inscritas no festival.

 

“A Glória de Fazer Cinema em Portugal” estreou em julho no 23º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema e resultou de uma encomenda da Curtas Metragens ao realizador Manuel Mozos. O filme tem como ponto de partida uma carta escrita por José Régio, em 1929, a Alberto Serpa onde o escritor manifestou a vontade de fundar uma produtora para começar a fazer cinema. Durante quase noventa anos, nada se soube sobre o desfecho deste pedido: nunca se encontrou qualquer resposta de Serpa à carta e Régio não terá voltado a mencionar o assunto. “A Glória de Fazer Cinema em Portugal” tenta desvendar o desfecho desta história. A curta-metragem, que entretanto integrou o circuito internacional dos festivais de cinema tendo sido distinguida pelo Júri do Doclisboa e premiada com uma menção honrosa no Festival Caminhos do Cinema Português, venceu, este mês, o Prémio de Melhor Curta-Metragem no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira.


Por sua vez, a curta-metragem “O Guardador”, de Rodrigo Areias, surgiu a partir de um convite feito pela Universidade da Beira Interior ao realizador para lecionar um workshop, integrando os alunos na construção da narrativa do filme. A obra marca o regresso de Rodrigo Areias à Serra da Estrela, depois de “Estrada de Palha”, num processo que, com escassos recursos, envolveu apenas uma atriz local, 30 estudantes e uma câmara de bolso. A curta inspira-se em quatro livros - “Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos” de Alves Redol; “O Guardador de Rebanhos” do heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro; “O Capital de Karl Marx” e a “Lã e a Neve” de Ferreira de Castro. “O Guardador” é sobretudo um filme acerca do valor do trabalho, a solidão e a incomunicabilidade, sobre um homem que tem de trabalhar de dia de noite, como pastor e no Museu da Lã, para sobreviver a comer uma sopa no restaurante do Senhor Ministro.


À semelhança dos últimos anos, a Agência da Curta Metragem voltará a marcar presença no Festival, onde participa desde 1999 assegurando a promoção das obras nacionais. A mediatização do evento e a presença de cerca de 3300 profissionais do cinema de todo o mundo fazem deste mercado um espaço de extrema importância na divulgação do cinema português.

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