O Caminho de Vidas que se Espelham - Sobre "Setembro"

15 Julho 2016
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do workshop Crítica de Cinema realizado durante o Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.


Por Vítor Romba

Setembro, o mais recente filme de Leonor Noivo, reaviva memórias de alguns dos seus trabalhos anteriores, nomeadamente Salitre, 2005, Outras cartas ou o Amor inventado, 2012, A Cidade e o Sol, 2012, algumas das quais já exibidas no Curtas Vila do Conde, que nos realçam a sua tendência para as questões existenciais, dando-lhe forma através de temas como o amor, as relações humanas, as suas emoções e as suas próprias direções, promovendo a reflexão da condição do eu.

Num regresso a casa, após longo tempo no estrangeiro, uma mulher e o seu filho projetam um recomeço de suas vidas, que se inicia numa viagem de comboio. De volta às suas origens, numa casa atolada de caixas e de factos conturbados, mãe e filho espelham as suas posturas, os seus estados emocionais, os seus afetos, e tentam reatar assuntos que ficaram pendentes: ela numa indumentária de força (bem presente através do vermelho vivo de sua roupa), assume com poder, mediante suposta antiga paixão, o não pretender voltar a acender o passado; ele, depois de várias tentativas de contacto com o pai, procura-o e descobre a rejeição, rompendo desenfreadamente pelo seio dos bosques.


Num universo de mundos em que o egoísmo impera, a mãe fomenta a sua garra pela existência de seu filho, a sua inspiração. Com registos musicais contemporâneos, os ritmos e timbres do filme vão-se encadeando e dão realce a toda a estrutura narrativa. Numa dicotomia controversa, que exibe a desorientação e a procura, busca-se uma vida nova com sentido. Uma obra que instiga ao conhecimento da verdade que atravessa a realidade humana, no seu quotidiano, numa busca do ser.


Editado por Paulo Cunha e Daniel Ribas.

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