Lembra-me dos anos 90 - Sobre "NYC 1991"

8 Agosto 2016
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do Workshop Crítica de Cinema realizado durante o Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

 

Por Maria Inês Castro e Silva

 

NYC 1991 integrou a competição experimental do 24ª Curtas Vila do Conde e é assinado por Paulo Abreu numa aventura da rua que abre a janela para Nova Iorque dos anos 90. Este é um filme onde a palavra experimental se pode justamente adequar, não só pela técnica utilizada, como também pela captação aparentemente aleatória das imagens. É um lugar fílmico concebido para o acto de experimentar, distante da narratividade convencional. 

Paulo Abreu já mostrara o gosto pela experiência dos materiais e do super 8, película utilizada em NYC 1991 e que tem sido muito explorada pelo cineasta, já utilizada noutras curtas como Barba (2011) ou O Facínora (2012), tematicamente distantes de NYC 1991 e que podem dar a Paulo Abreu o confortável epíteto de eclético, tendo o Curtas de Vila do Conde contado já com a sua presença nas secções de vídeos musicais, nacional ou experimental.


NYC 1991
regressa à Nova Iorque dos anos 90 captando imagens da cidade num registo que nos parece aparentemente pobre, mas que proporciona precisamente o efeito pretendido: a correria das ruas, um retrato junkie de uma cidade em constante mudança. Esta é uma vontade de fixar em imagens fílmicas uma era, uma geração, personagens que nos parecem sempre em fuga durante todo o filme. É uma reunião excêntrica de imagens com figuras excêntricas acompanhada pela música e poesia de Lee Ranaldo. NYC 1991 é, no fundo, um conjunto de dois filmes, duas visões pessoais de Nova Iorque: uma por Paulo Abreu, outra por Lee Ranaldo. Parte-se claramente de pontos de vista pessoais, uma expressão da contemporaneidade com imagens fugidias de quem caminha pela rua. Um filme que nos avisa “Nova Iorque é isto” na sua fugacidade citadina.


A experiência em Super 8 não é nova no percurso de Paulo Abreu, recurso que tinha sido já utilizado noutras curtas como Barba (2011) ou em O Facínora (2012), tematicamente distantes de NYC 1991 e que podem dar a Paulo Abreu o confortável epíteto de eclético, tendo o Curtas de Vila do Conde contado já com a sua presença nas secções de vídeos musicais, nacional ou experimental.


Editado por Paulo Cunha e Daniel Ribas. 

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