Rui Toscano em exposição na Solar

16 Novembro 2018
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A Solar Galeria de Arte Cinemática, em Vila do conde, inaugura no sábado, 24 de novembro, às 17:00, uma exposição dedicada ao artista Rui Toscano, composta sobretudo por instalações vídeo.  A abertura contará com um concerto de Rafael Toral, músico e compositor que há muito tem vindo a colaborar com o artista.

A Solar, neste novo ciclo iniciado em 2018 e com mais uma exposição dedicada a um artista português, prossegue com Rui Toscano a sua linha de programação, promovendo diálogos possíveis entre áreas artísticas supostamente distintas, entre as artes-plásticas, o cinema e a música. Assumindo a divulgação de aspetos particulares na obra de artistas nacionais consagrados como um dos seus propósitos, considerando que Rui Toscano pertence a uma geração que há mais de duas décadas vem marcando o panorama nacional das artes-plásticas e que atingiu repercussão internacional, a galeria propõe uma revisitação de momentos específicos do seu percurso artístico, sobretudo daqueles em que o vídeo – ou a sua projeção – se torna numa das fórmulas possíveis da apresentação final das suas obras. Enquanto instalações, estas obras ganham um novo contexto espacial, de percurso e de significação, que até ao momento não terá sido possível apreciar, articulando-se de forma engenhosa com a arquitetura e com os materiais do próprio edifício, chegando, até, a dispensar a interposição de écrans.  
É no processo de construção de cada obra que aqui se apresenta que se encontra, também, a sustentação e pertinência desta exposição. Por um lado, o facto dos vídeos partirem de desenhos, da experiência plástica pura, que por serem filmados e depois projetados, consubstanciam, depois, uma transposição de suportes. Como se o ponto de partida fosse, afinal, o ponto de chegada: do plano do desenho, no qual se adquire uma sintetização da realidade; ao de filmagem e montagem, que o anima e prolonga seguindo impulsos musicais; ao de projeção, onde essa realidade encontra uma nova existência sonora e visual. Por outro lado, a proximidade da obra de Rui Toscano com a cultura pop/rock, não só pelas contaminações subjacentes a um imaginário quase geracional, mas também pela diversidade de interações criativas, sobretudo pelas colaborações com músicos.  
O desenho e a música são, portanto, os elementos basilares na conceção dos dispositivos que integram esta exposição e que trabalham imagens em movimento. E a propósito da relevância da música no trabalho de Rui Toscano, na abertura da exposição, propõe-se um concerto de Rafael Toral, performer/compositor, que apresentará a sua obra “Moon Field” acompanhado por Riccardo Dillon Wanke.
Em simultâneo, no espaço CAVE, dedicado a autores emergentes, Helder Luís  expõe "Under the Above", uma instalação vídeo que lida com a experiência de estar sozinho, no mar, após um naufrágio.
Na Solar Galeria de Arte Cinemática, Rui Toscano apresenta, até 19 de janeiro, um trabalho eclético composto por filmes e vídeo instalações das obras "Lisbon Calling", "To The Mountain Top", "Antenna", "Empire", Journey Beyond The Stars" e "Music Is The Healing Force Of The Universe".


Rui Toscano
Frequentou os cursos de pintura e escultura do Ar.Co e da FBAUL e começou a expor em 1993, ainda enquanto aluno. Paralelamente à sua carreira de artista plástico prosseguiu diversas linhas de actividade na área da música e do "video-jamming" integrando vários grupos (entre eles os Tone Scientists) com grande visibilidade na cena cultural nacional.  O autor tem demonstrado uma grande eficácia na exploração dos mais diversos media, desde o desenho à instalação multimédia, exibindo uma potencialidade criativa no mais clássico sentido do termo, aplicada a uma atitude claramente pós-moderna. Toscano, antes de mais, expõe uma clara compreensão da experiência contemporânea e respectivas tecnologias.

Rafael Toral
Rafael Toral apresenta no Solar uma peça derivada da obra  Moon Field (2017). Paradoxalmente estática, como em suspensão, mas em movimento constante, Moon Field é uma peça de eletrónica remotamente herdeira do jazz, mas que acaba por assumir uma presença mais próxima do ambient. Com uma qualidade de certo modo noturna, pode evocar emissões de sinais alienígenas entre satélites que cruzam o céu ao luar. Na esteira de uma longa e feliz cumplicidade artística com Rui Toscano, a capa de Moon Field é um dos seus desenhos da série "Pequenas Nebulosas", cujas imagens serão projetadas em sucessão no local.

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