Carlos Conceição segundo realizador em foco do Curtas

28 Maio 2019
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Comecemos por Sepentário, a primeira longa metragem de Carlos Conceição estreada, este ano, em Berlim e que se apresenta pela primeira vez nas salas portuguesas no festival vilacondense. O filme, interpretado por João Arrais (Soldado Milhões,Coelho Mau), acompanha a viagem de um cineasta na busca pela alma da mãe numa África pós-apocalíptica. Uma reflexão emocional sobre a memória, que joga com a biografia do realizador – nasceu e viveu em África até aos 21 anos, e a história da própria terra. Um filme-catástrofe, onde se exploram sentimentos de pertença e se olha uma Angola saída da guerra, à descoberta de si mesma e das referências apagadas pela história recente.

Apontado como um dos mais interessantes jovens realizadores europeus, Carlos Conceição explora nos seus filmes um estilo elegante, romântico, barroco e subversivo. Foi assim com Versailles apresentado na competição de Locarno em 2013, que, em Vila do Conde, será mostrada uma versão inédita remontada. Voltou a sê-lo em Coelho Mau, uma coprodução luso-francesa que aborda as relações entre dois irmãos (João Arrais e Júlia Palha), uma mãe ausente (Carla Maciel) e o seu amante (Matthieu Charneau), estreada mundialmente na semana da crítica de Cannes. A retrospectiva no festival integrará ainda O Inferno, um olhar para o interior de uma casa contemporânea que testa, de forma desempoeirada, os limites da percepção e a capacidade de choque do espectador. 

A programação para este foco encerra-se com uma carta branca, onde o realizador escolhe filmes que dialogam com o seu percurso e a sua obra: da referência incontornável a Pasolini e Carl Dreyer, de quem se mostrará La Sequenza Dei Fiore di Carta e Thorvaldsen, respectivamente, até Le Musée de Walerian Borowczyk, cujo trabalho, recentemente restaurado, está a ser redescoberto pela comunidade cinéfila mundial, passando pela curta que inaugurou a colaboração entre Scott Walker e os percursores do drone metal Sunn o))). 

O realizador marcará presença no festival para apresentar os filmes e participar numa conversa com João Rui Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues. 

O 27º Curtas Vila do Conde, que decorre entre 6 e 14 de julho, tem o apoio do programa MEDIA/Europa Criativa, da Câmara Municipal de Vila do Conde, do Ministério da Cultura, do Instituto do Cinema e Audiovisual e de vários parceiros imprescindíveis à realização do festival.

PROGRAMAÇÃO

Coelho Mau, Carlos Conceição, Portugal, França, 2017, fic., 30'
O Inferno, Carlos Conceição, Portugal, 2011, fic., 20'50''
Serpentário, Carlos Conceição, Portugal, Angola, 2019, doc./fic.,75'
Versailles (versão inédita remontada), Carlos Conceição, Portugal, fic., 2019, 18'

PROGRAMAÇÃO CARTA BRANCA
 
Werner Herzog Eats His Shoe, Les Blank, 1980, 22’
Moving Stories, Nicolas Provost, Belgium, 2011, 7’
Le Musée, Walerian Borowczyk, France, 1964, 2’
Interlúdio 1: Real Men Meow (Memory Hole), 2’
Cat Listening To Music, Chris Marker, France, 1990, 3’
Trailer de "Mill Of The Stone Women", 2’
Brando - Scott Walker + Sunn o))), Gisele Vienne, France, 2014, 10’
Andy Warhol Eating a Hamburger (excerto de "66 Scenes From America"), Jørgen Leth, Denmark, 1982, 5’
Thorvaldsen, Carl Dreyer, Denmark, 1949, 10’
Interlúdio 2: "Our World Is Ending" (Memory Hole), 2’
La Sequencia Dei Fiore di Carta (episódio de “Amore e rabbia”), Pier Paolo Pasolini, Italy, 1969, 11’

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