Curtas Vila do Conde na Filmin

13 Julho 2017
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A Agência da Curta Metragem e o Curtas Vila do Conde colaboram, este ano, com a Filmin, a nova plataforma VoD portuguesa dedicada ao cinema independente, na apresentação de uma programação especial online dedicada aos autores nacionais, Miguel Gomes e João Nicolau, que se destacaram nos últimas edições do Curtase Carlos Conceição e Laura Gonçalves, que apresentam os seus novos filmes na sessão competitiva desta edição.

 

Os filmes selecionados são:

 

- CÂNTICO DAS CRIATURAS, Miguel Gomes- Prémio Melhor filme Português 2006

- BOA NOITE CINDERELA, de Carlos Conceição - Prémio TAP 2014

- GAMBOZINOS, de João Nicolau - Menção Honrosa Curtinhas em 2013

- TRÊS SEMANAS EM DEZEMBRO de Laura Gonçalves

 

Este programa está disponivel para todos os subscritores de Filmin Portugal.

 

A colaboração entre a Filmin e a Agência estende-se além destas 4 curtas: na plataforma é possível visualizar uma quinzena de produções de curta duração que nasceram dentro das actividades desenvolvidas pelo Curtas Vila do Conde, filmes como "A Glória de Fazer Cinema em Portugal" de Manuel Mozos ou "Stokkur" de João Salaviza.

 

Filmin.pt é uma plataforma VoD com centenas de filmes disponiveis atraves da web, telemoveis, tablet e smart tv.

Destaques do dia: Quarta 12 de julho

12 Julho 2017
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O Curtas Vila do Conde já vai a meio e são vários os motivos para visitar o festival nesta quarta-feira! 
 
Continua hoje a Competição Nacional, um dos momentos mais aguardados do festival. Às 21h15 serão exibidos mais quatro filmes a concurso: "Thursday Night", de Gonçalo Almeida, "Surpresa", de Paulo Patrício, "O Homem Eterno", de Luís Costa e "Os Humores Artificiais", de Gabriel Abrantes e às 20h repetimos a sessão de ontem. Ainda nas competições, destaque para as duas sessões da Competição Internacional, às 22h30 e às 23h30, onde continuaremos a mostrar o que de melhor se faz no cinema contemporâneo. 

Arranca também hoje a Competição Experimental, o espaço do Curtas onde são desafiadas as convenções do cinema, indo além das técnicas conhecidas. Para ver às 18h30.  
 
A Carta Branca dos 25 anos do festival continua hoje e com sessão dupla! Às 15h00 temos as escolhas de Eduardo Brito e Miguel Gomes: "A Story for the Modlins", de Sergio Oskman, e "Le Ventre de L'Amérique", de Luc Moullet. Mais tarde, às 21h45, a sessão conta com as escolhas de João Lopes, Valter Hugo Mãe e Francisco Ferreira: "De L'Origine Du XXle Siécle", de Jean-Luc Godard, "Seasons", de Artavadz Pelechian e "A Caça", de Manoel de Oliveira. 
  
Começam hoje as sessões de Encontros Com Realizadores, com sessões que irão promover o diálogo com realizadores das Competições Internacional e Experimental às 14h e da Competição Nacional às 16h. 
  
Teremos também hoje a primeira sessão do Cinema Expandido, um ciné-conversa entre João Tabarra e Nicole Brenez intitulada "Deixem as Imagens Falar um Pouco", que misturará um debate com alguns dos trabalhos dos artistas, que participaram na exposição 4.56.20 da Solar - Galeria de Arte Cinemática. 
  
No Auditório Municipal, continuam as sessões de cinema gratuitas para toda a família com uma seleção de divertidos filmes.  
 
 A secção Stereo de hoje conta com duas sessões, protagonizadas por Chassol. O artista francês tem a sua estreia em Portugal no Curtas Vila do Conde, apresentando o seu filme "Indiamore" às 18h, no Auditório Municipal. Mais tarde, à meia-noite, o músico apresenta, em concerto, o seu mais recente projeto, "Big Sun". 
  
A festa de hoje decorre na Barcearia, com Karlon Crioulo (Altas Cidades de Ossadas) e Nitronious (Monster Jinx).   
  
Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do Teatro Municipal, no Auditório Municipal e na rede da Bilheteira Online.

A geografia, o ser e o agir

11 Julho 2017
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 2.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 25.º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

 

Por Pedro Henrique

 

Os caminhos que cruzam as localidades de Livingstone, Billings e Belfry, no Montana, Estados Unidos, com as Rocky Mountains a atravessar o estado, criam personagens neste filme de Kelly Reichardt. São as novas figuras à margem de uma sociedade assente noutros valores. Localidades para lá da Frontier, um território muito familiar à cineasta, onde as pessoas se valem umas às outras. Neste filme, encontramos quatro personagens que se intersectam  para quebrar a solidão que vivenciam, mesmo que de uma forma inconsciente: Laura (Laura Dern) é uma advogada que necessita de ‘defender’ o seu cliente (Fuller) da realidade, mantendo um caso com o marido de Gina (Michelle Williams), uma mulher que quer construir uma casa com o recurso à pedra arenito, reminiscência ancestral dos primeiros pioneiros, extraindo com dureza esse mineral à própria natureza envolvente, metáfora de uma necessidade de criar raízes. Elizabeth (Kristen Stewart) é uma jovem advogada que dá formação em horário pós-laboral numa cidade muito distante da sua residência, (4 horas, 370 kilómetros de viagem) onde os alunos são professores de profissão bastante mais interessados nas suas questões laborais ou de disciplina. Elizabeth interrompe a vida solitária de Jamie (Lily Gladstone), uma ajudante de Inverno num rancho de cavalos, criando, sem querer, um evento social que ilumina a sua semana – a aula noturna.

Não estamos, ainda assim,  perante um filme de caminhos bifurcados, mas antes no espaço de habitantes comuns que, devido a uma política económica selvagem, se vão tornando proscritos, os mesmos que Reichardt costuma filmar nas suas ações mais simples e mais vitais. Citando a própria realizadora: «[prefiro] pequenos esforços momentâneos para alcançar coisas como encontrar um sítio para dormir à noite». Neste filme, esses esforços, «gestos minimalistas», são símbólicos de algo muito maior, uma sobrevivência emocional e não física, para criar sentidos de existência, não pela necessidade de alimentação, por exemplo, mas pela exigência de construção de uma identidade, uma pegada que permaneça no gelo enlameado daquele espaço.

A forma como a realizadora nos mostra os dias rotineiros e monótonos de Jamie reforça a atenção a esses comportamentos da vida quotidiana, que rejeita o sensacionalismo e valoriza um ritmo de um tempo que ainda existe, um tempo mais lento, em que o espaço é um ator nessa lentidão pela resistência que apresenta. Um tempo que ainda permite o trote pela noite, a cavalo até ao diner de Belfry,  por duas pessoas que estabelecem uma forte intimidade pela simples necessidade de, montadas a cavalo, se agarrarem a alguém. Esta intimidade obrigada pela realidade é o que Elizabeth oferece a Jamie, mas quando esta procura Elizabeth por sua própria vontade, a solidão será a resposta que vai encontrar na cidade.

Destaques do dia : Terça 11 de julho

11 Julho 2017
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Arranca hoje a Competição Nacional, um dos momentos mais aguardados do festival. Esta primeira sessão, às 21h15, irá exibir três dos filmes a concurso: "Água Mole", de Laura Gonçalves e Xá (Alexandra Ramires), "Verão Saturno", de Mónica Lima e " Altas Cidades de Ossadas", de João Salaviza. Ainda nas competições, destaque para as quatro sessões da Competição Internacional, às 17h, às 20h, às 22h30 e às 23h30, onde continuaremos a mostrar o que de melhor se faz no cinema contemporâneo.
 
Na secção In Focus - que, até sábado, vai apresentar todos os filmes do cineasta francês F. J. Ossang - é exibido "L'Affaire des Divisions Morturi", a primeira longa-metragem do realizador, uma história sobre gladiadores. Um deles, Ettore, tornou-se uma estrela do submundo. Ele acaba desfeito, preso a um papel que não pode mais cumprir. A sua última traição é denunciar segredos à imprensa. 

A Carta Branca dos 25 anos do festival continua, às 21h45, com as escolhas de Marcos Curz e Rodrigo Affreixo: "31", de Miguel Gomes, e "Surviving Desire", de Hal Hartley.
 
Às 16h, decorre a segunda Conversa Take One!, intitulada "Manual de Instruções para ganhar um Urso”, com a presença de dois cineastas vencedores do Urso de Ouro em Berlim: Leonor Teles ("A Balada de um Batráquio") e Diogo Costa Amarante (“Cidade Pequena"). Às 18h30 temos ainda a segunda sessão da competição Take One!, dedicada a filmes de escola.  
 
Esta terça-feira serão também ainda exibidos, no Teatro Municipal, filmes provenientes dos Países Nórdicos e da Roménia, nas sessões do Panorama Europeu, às 15h e às 18h. 
 
No Auditório Municipal, continuam as sessões de cinema gratuitas para toda a família com uma seleção de divertidos filmes. É também neste espaço que será apresentada a Competição de Vídeos Musicais com uma seleção dos melhores vídeos musicais portugueses, inovadores na arte de combinar música e cinema.
 
O dia termina no Cacau Café-Bar com a Music Videos Party Night e André Tentugal, com entrada livre.
 
Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do Teatro Municipal, no Auditório Municipal e na rede da Bilheteira Online. 

Sessão Extra "Vaza" e "Um Conto de Duas Cidades"

10 Julho 2017
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Devido ao elevado interesse e afluência à Sessão Especial do passado domingo, com os filmes "Vaza" e "Um Conto de Duas Cidades", o Curtas Vila do Conde decidiu abrir uma sessão extra no próximo sábado, às 14h30 no Auditório Municipal, para que veja, ou reveja, estes dois filmes passados em Vila do Conde e na Póvoa de Varzim.

Todos os anos, o Curtas abre espaço de visibilidade a filmes que retratam realidades locais, e este ano não foi exceção. A Sessão Especial do passado domingo, dia 14 de julho, contou com casa cheia e lugares esgotados. Por esse motivo, o Curtas Vila do Conde vai exibir mais uma vez os filmes que passaram na Sessão Especial, dando oportunidade àqueles que não viram, e àqueles que queiram rever, de assistirem mais uma vez aos dois filmes passados em Vila do Conde e Póvoa de Varzim.  
 
 
"Vaza", de José Manuel Sá e Paulo Pinto, conta a história de Vânia, uma adolescente, caxineira como toda a sua família, desde sempre ligada ao mar. "Um Conto de Duas Cidades", de Morag Brennan e Steve Harrison, é um filme sobre a Póvoa de Varzim nas décadas de 1950 e 1960, tendo como protagonistas as pessoas da Póvoa de Varzim. O filme começa com a célebre fotografia de Maria do Alívio aos 16 anos, a andar descalça pela Rua das Lavadeiras, debaixo do icónico cartaz publicitário com a diva Sophia Loren, e conta a história de duas Póvoas de Varzim muito diferentes: a comunidade piscatória e a realidade brutal de um modo de vida tradicional, e a cidade turística e os indivíduos que a começaram a projetar nacionalmente como um concorrido destino de férias.  
 
 
O filme oferece essa viagem histórica a um mundo que agora está praticamente esquecido, mas também a uma sociedade portuguesa marcada pelo Salazarismo de má recordação. Para o ditador, a Póvoa de Varzim representava um singular repositório de memórias ligadas à heroica gesta marítima, mas também seria o cenário dramático para o confronto entre a ditadura do Estado Novo e o homem que jurou derrubá-lo, o General Humberto Delgado. Este “Conto de Duas Cidades” é contado através de entrevistas de testemunhas oculares, às vezes hilariantes e outras vezes dolorosas, mas sempre inspiradoras e reveladoras.  
 
 
A sessão extra irá decorrer no Auditório Municipal e os bilhetes poderão ser adquiridos na bilheteira do Teatro Municipal, no Auditório Municipal e, ainda, na rede da Bilheteira Online.

Todos os anos, o Curtas abre espaço de visibilidade a filmes que retratam realidades locais, e este ano não foi exceção. A Sessão Especial do passado domingodia 14 de julhocontou com casa cheia e lugares esgotados. Por esse motivo, o Curtas Vila do Conde vai exibir mais uma vez os filmes que passaram na Sessão Especial, dando oportunidade àqueles que não viram, e àqueles que queiram rever, de assistirem mais uma vez aos dois filmes passados em Vila do Conde e Póvoa de Varzim.  

 
 

"Vaza", de José Manuel Sá e Paulo Pinto, conta a história de Vânia, uma adolescentecaxineira como toda a sua famíliadesde sempre ligada ao mar. "Um Conto de Duas Cidades", de Morag Brennan e Steve Harrison, é ufilme sobre a Póvoa de Varzim nas décadas de 1950 e 1960, tendo como protagonistas as pessoas da Póvoa de Varzim. O filme começa com a célebre fotografia de Maria do Alívio aos 16 anos, a andar descalça pela Rua das Lavadeirasdebaixo do icónico cartaz publicitário com a diva Sophia Loren, e conta a história de duas Póvoas de Varzim muito diferentes: a comunidade piscatória e a realidade brutal de um modo de vida tradicional, e a cidade turística e os indivíduos que a começaram a projetar nacionalmente como um concorrido destino de férias 

 
 

filme oferece essa viagem histórica a um mundo que agora está praticamente esquecido, mas também a uma sociedade portuguesa marcada pelo Salazarismo de  recordação. Para o ditador, a Póvoa de Varzim representava um singular repositório de memórias ligadas à heroica gesta marítimamas também seria o cenário dramático para o confronto entre a ditadura do Estado Novo e o homem que jurou derrubá-lo, o General Humberto Delgado. Este “Conto de Duas Cidades” é contado através de entrevistas de testemunhas ocularesàs vezes hilariantes e outras vezes dolorosas, mas sempre inspiradoras e reveladoras.  

 
 

sessão extra irá decorrer no Auditório Municipal e os bilhetes poderão ser adquiridos na bilheteira do Teatro Municipal, no Auditório Municipal e, aindana rede da Bilheteira Online.

Entre Mares: Diferença e Dignidade em Kaurismäki

10 Julho 2017
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 2.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 25.º Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

 

Por Gisela Leal

 

Desta vez é o Báltico o mar que abre o filme, visto do porto de Helsínquia, na segunda parte da trilogia que Aki Kaurismäki dedica àqueles espaços com O Outro Lado da Esperança (2017), depois de Le Havre de 2011. Aqui, Kaurismäki retoma a temática ali iniciada (embora possamos considerar que O Homem sem passado, 2002, tocasse já nalguns dos pontos centrais): o percurso errante e esperançoso dos migrantes pela Europa. De novo, o confronto entre aquela condição e a de um homem de idade avançada, ele próprio em momento de restruturação de vida. Um à procura de um espaço, em fuga da guerra, depois de ter perdido quase toda a família; o outro a quebrar todos os laços, profissionais e pessoais, incluindo com a companheira alcoólica, também ela a procurar renovação e limpeza, potenciada pela ausência do companheiro.

De facto, todos personagens do filme exalam mutação, processos contínuos de transformação, aspeto central no filme e que é também claramente objetificado no restaurante que os reúne e que muda constantemente de “nacionalidade”. Essa mudança é simbólica do cruzamento cultural que subjaz à temática, quase a dizer-nos que somos todos um pouco de tudo e, ao mesmo tempo, a apontar subtilmente uma arma ao coração do capitalismo e da sua capacidade de se readaptar para cumprir o seu objetivo primordial.

 

É, pois, um filme sobre movimento, sobre mudança – geográfica e psicológica, exterior e interior, forçada e voluntária –, onde se abordam as questões centrais da sociedade e da política contemporânea: o fenómeno da migração e as suas consequências, como a xenofobia, os nacionalismos e a violência associada. Como lidam não os Estados, mas os povos, os indivíduos, consigo próprios e com o outro – o estranho, o diferente – e o incluem ou rejeitam.

 

Poderia não parecer uma tarefa fácil à partida, pois os personagens são desconcertantemente monocórdicos, mas o humor é uma ferramenta utilizada pelo realizador com uma mestria invulgar nestas circunstâncias: podemos estar a partilhar a angústia e a nostalgia dos protagonistas para rir da sua desgraça (que pode também ser a nossa) e do maquiavelismo capitalista. Como exemplo, tanto a sequência de transação de dinheiro de mão em mão, como as relações negociais e de patrão-empregado associadas são transformadas em caricaturas do modelo socioeconómico atual. Mais uma vez, e a cada momento, a preocupação humanista do realizador revela-se no extremo cuidado com que trata a dignidade dos seus personagens.

 

O mesmo mar encerra o filme, que na realidade não tem fim. O refugiado sírio que vemos chegar no início, negro do carvão em que vem escondido, vai sendo lavado pelo humanismo que encontra no seu caminho. Até voltar a olhar o Báltico aonde chegou, já sem medo. Mas na brancura da sua camisa está também a mancha de sangue, marca de um percurso: marca do outro lado da esperança?

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