O fim dos amores felizes

26 Julho 2018
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do 3.º Workshop Crítica de Cinema realizado durante o 26.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Este workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, no site do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

por Rebeca Bonjour


Morreram os “felizes para sempre”. É esta a sensação que nos fica quando se acende a luz no final da sessão Produções Curtas, onde foram exibidos mais três filmes produzidos ou coproduzidos pelo Curtas através da Curtas Metragens CRL. Este ano foram apresentadas três obras: Náufragos(2018), de Pedro Neves, Rio Entre Montanhas (2018), de José Magro, e Circo do Amor(2018), de Miguel Clara Vasconcelos. Três filmes que, à partida, não parecem ter uma relação entre eles, mas que acabam, de uma forma mais ou menos direta, por ter um denominador comum: todos eles abordam o amor e as relações ambíguas que lhe são, frequentemente, inerentes.

Sob a orientação de Pedro Neves,Náufragos, é o resultado de um workshop de filme documental que se centra nos pescadores vila-condenses que se perdem para o mar. Os relatos são daqueles que ficam: as mulheres que viram os seus maridos partir; os homens que sobreviveram ao mar para viver para sempre aterrorizados pelas imagens dos companheiros a morrer, sobrepõe-se a imagens do mar, ao som das ondas a rebentar na praia, rítmicas, hipnóticas, magnetizantes. A escolha parece clara: apresenta-se-nos aqui a ambiguidade do terror provocado pelo mar, o medo de perder os seus amados, o fantasma presente dos que já se foram, contra a necessidade do mar, ganha-pão das gentes que aqui vivem. Esta dicotomia é acentuada pelo uso do preto e branco e da fotografia feita aos entrevistados: iluminados a lanterna, predominam as sombras, os negros, uma metáfora visual para representar o desconhecido, o perigo, o medo constante que paira sobre estes rostos, as sombras do que já viveram. 

Rio Entre Montanhas 
é, das três, a curta que explora as questões do amor de forma mais explícita. Feito em parceria com o festival chinês de cinema de Jinzhen, propõe-se evitar expor uma visão ocidentalizada desta temática e a explorá-la antes segundo a forma como é percebida e experienciada naquele país. A deliciosa sucessão de imagens em planos abertos, fixos, parecem-se quase como o desfolhar de um álbum de fotografias, através do qual nos são reveladas as relações da personagem Kong. Numa sociedade que atribui ao homem o papel da iniciativa, Kong vive sempre entre a vontade de tentar levar as relações avante e a sua timidez extrema.

Está condenada ao fracasso a relação de Alberto, que em O Circo do Amorse apaixona por uma acrobata de um circo que chega de repente à cidade. Este amor é apresentado como um fator de reviravolta e mudança no quotidiano de Alberto, levando-o a querer deixar tudo para trás. A verdadeira relação de amor que se põe em causa é, no entanto, aquela que existe entre Alberto e a mãe, uma figura autoritária que sabota a liberdade e as opções de vida do filho. Neste sentido, Alberto depara-se perante uma encruzilhada: entre o amor materno, o seu dever de obrigação para com ela, e o peso do despotismo que esta tem para com ele e que o impelem à necessidade de se afastar dela.

São três filmes diferentes que retratam tipos de amor diferentes: aquele ligado às nossas origens, entre casais, e pela família, mas todos eles reforçam a sensação de que não existe relação que não seja ambígua. O medo, a manipulação, a expectativa, a obrigação, acabam sempre por empurrar-nos ao fracasso: não há amores fáceis; os “felizes para sempre” morreram. No entanto, persistirmos em procurar esse amor, em representá-lo insistentemente em canções, livros, filmes. Afinal, o que é a vida sem amor, mesmo em todas as suas formas intrincadas e retorcidas?

Extensões do 26º Curtas Vila do Conde

25 Julho 2018
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A 26ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema terminou no passado dia 22 de julho com o anúncio dos premiados. Como habitual, as extensões do festival vão apresentar, em diferentes pontos do país, algumas das curtas-metragens galardoadas no festival.


As extensões do 26º Curtas Vila do Conde, que arrancaram a 19 de julho e prolongam-se até ao final do ano, apresentam uma seleção de filmes, nacionais e internacionais, para adultos e crianças, em diferentes cidades: Almada, Braga, Barcelos, Porto, Lisboa, Coimbra, Setúbal, Viseu, entre outras.


No programa “Best of Curtas Vila do Conde” serão apresentados os filmes “Raymonde ou l’évasion verticale”, de Sarah van den Boom (Prémio Melhor Animação); "Fry Day" de Laura Moss (Prémio Melhor Ficção da Competição Internacional); "Entre Sombras" de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos (Prémio do Público SPA da Competição Nacional) e “Ce Magnifique Gâteau!”, de Emma de Swaef e Marc James Roels (Prémio Público da Competição Internacional).


A pensar nos mais novos, a sessão “Curtinhas” apresenta os premiados nesta competição do festival onde o próprio júri é composto por crianças: "Formiga" de Julia Ocker (Menção Honrosa M/3) e "O Rato da Floresta", de Jeroen Jaspaert (vencedor do Prémio MAR Shopping do Curtinhas). Além destes, a sessão inclui ainda as curtas-metragens "A Caça", de Alexey Alekseev, "Dois Balões", de Mark Smith, e "Dois Elétricos", de Svetlana Andrianov.


Em Lisboa, a Cinemateca Portuguesa recebe um programa especial que terá lugar no próximo dia 30 de julho, às 21h30. Esta sessão especial integra os filmes "Aquaparque", de Ana Moreira (Prémio Melhor Curta-Metragem Europeia e Melhor Realizador Português), "Madness", de João Viana (Prémio Melhor Documentário da Competição Internacional, "Entre Sombras", de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos (Prémio do Público SPA Competição Nacional), e "Ce Magnifique Gâteau!", de Emma de Swaef e Marc James Roels (Prémio do Público Competição Internacional).


Calendário das Extensões: 

COIMBRA
Teatro Académico Gil Vicente (TAGV)
25 Jul - 21:30 Best of Curtas Vila do Conde

Fila K Cineclube
31 Jul - 21:40 Best of Curtas Vila do Conde

PORTO 
Casa da Animação: AS NOITES DE BORIS (Restaurante Árvore, Virtudes)
8 Ago - 22:00 Best of Curtas Curtas Vila do Conde 

LISBOA
Cinemateca Portuguesa
30 Jul - 21:30 Best of Curtas Vila do Conde - Programa Especial

BRAGA
GNRation
17 Ago - Best of Curtas Vila do Conde
27 Set - Curtinhas

Cineclube Aurélio da Paz dos Reis
25 Jul - Curtinhas

VISEU
Shortcutz Viseu
10 Ago - Best of Curtas Vila do Conde
14 Set - Curtinhas 

SETÚBAL
Casa da Cultura
5 Out - Best of Curtas Vila do Conde

BARCELOS
Teatro Gil Vicente (Zoom Cineclube)
26 Jul - Best of Curtas Vila do Conde
27 Jul | 14 Ago - Curtinhas

VIGO
Instituto Camões Vigo
4 Out - Best of Curtas Vila do Conde

VILA DO CONDE
Bind'ó Peixe – Rua da Praia
11 Ago - 22:00 Sessão Especial Vila do Conde

“La Chute”, de Boris Labbé, vence 26º Curtas Vila do Conde

22 Julho 2018
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O palmarés da 26ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema foi anunciado esta tarde na cerimónia de encerramento do festival. O grande prémio do certame foi entregue à animação francesa “La Chute”, de Boris Labbé. 

O júri – composto por Laurence Boyce (crítico de cinema e membro da BAFTA, da FIPRESCI e da European Film Academy), Aurélie Chesné (programadora da France Télévisions) e Nadav Lapid (escritor e realizador In Focus) – considerou o filme “uma peça de puro cinema (...) como se não existisse mais nada a não ser cinema” mas “também um ensaio audiovisual sobre a vida e a morte”. A curta-metragem “La Chute”, de Boris Labbé, venceu o Grande Prémio DCN Beers da Competição Internacional (à qual concorrem também os filmes da Competição Nacional).

Na mesma competição, “Raymonde ou l’évasion verticale”, de Sarah van den Boom, foi o vencedor do prémio para Melhor Animação“Madness”, de João Viana, foi considerado o Melhor Documentário; e “Fry Day”, de Laura Moss, foi premiado com o troféu para Melhor Ficção. O Prémio do Público foi atribuído pelos espectadores a “Ce Magnifique Gâteau!” realizado por Emma de Swaef e Marc James Roels.


A portuguesa Ana Moreira, reconhecida como atriz e estreante nas lides da realização, venceu o Prémio de Melhor Curta-Metragem Europeia com “Aquaparque”. O filme ficou, assim, nomeado para os European Film Awards da European Film Academy. Ana Moreira conquistou ainda o Prémio Kino Sound Studio para Melhor Realizador Português. Nas palavras do júri, a curta-metragem “combina a nostalgia do passado e o vazio literal e figurativo do presente num trabalho hipnótico e sedutor”.


Na Competição Nacional, que contou com 17 filmes portugueses a concurso, o vencedor do Prémio Pixel Bunker e Melhor Filme em competição foi “Onde o Verão Vai (Episódios da Juventude)”, de David Pinheiro Vicente – um filme que, segundo o júri, é “um trabalho requintado que combina o cinemático com belos quadros pictóricos”.


Prémio do Público SPA, destinado ao filme português com melhor média de votação atribuída pelo público, foi atribuído à animação “Entre Sombras”, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos.

Na Competição Experimental, o realizador norte-americano Morgan Fisher conquistou o prémio para melhor filme com “Another Movie”. O júri atribuiu ainda uma menção honrosa à curta-metragem “Comfort Stations”, da dupla Anja Dornieden e Juan David González.


No Curtinhas, secção para os mais novos onde o júri é composto por crianças, o Prémio Curtinhas MAR Shopping foi atribuído a “The Highway Rat”, de Jeroen Jaspaert. Foram ainda distinguidos com menções honrosas os filmes “Ameise”, de Julia Ocker, e “Skyggebokser”, de Andreas Boggild Monies.


João Pombeiro venceu a Competição de Vídeos Musicais com “Back to Nature”, da banda Nightmares On Wax.


Na Competição Take One!, dedicada a filmes de escola, foram entregues à curta-metragem “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra, o Prémio IPDJ, o Prémio Smiling, o Prémio Agência da Curta Metragem e o Prémio Restart. A dupla André Puertas e Ana Oliveira conquistou o Prémio Blit para Melhor Realização pela curta-metragem “A Ver o Mar”. Na primeira edição da Competição Take One! Europeu, com várias escolas europeias a concurso, a curta-metragem polaca “Their Voices”, de Eri Mizutani, arrecadou o prémio para melhor filme.


Os filmes premiados repetem, este domingo, no Teatro Municipal de Vila do Conde, em sessões às 20:00, 21:30 e 23:00. Os premiados serão também apresentados, em diferentes cidades do país, através das extensões do festival.

O 26º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema tem o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, do Ministério da Cultura, do Instituto do Cinema e Audiovisual, do programa MEDIA/Europa Criativa e de vários parceiros imprescindíveis à realização do festival.

22 de julho : Destaques do Dia

22 Julho 2018
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Chega ao fim mais uma edição do Curtas Vila do Conde. Hoje é dia de celebrar... e premiar!

Termina hoje mais uma edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. A Cerimónia de Encerramento acontece às 17:30, no Teatro Municipal de Vila do Conde, e contará com a entrega dos prémios desta edição.


A sessão contará ainda com a estreia de "Como Fernando Pessoa Salvou Portugal", de Eugène Green. O filme, que será exibido também em Locarno, é uma bem humorada viagem ao universo de Fernando Pessoa. A narrativa é baseada num dos episódios mais célebres da carreira publicista do heterónimo Álvaro de Campos, autor do célebre slogan “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, criado em 1927 para a entrada da Coca-Cola em território português. A bebida viria a ser proibida em Portugal e só chegaria a ser comercializada 50 anos depois daquele episódio.

Até ao final da noite, o festival apresenta várias sessões que contarão com os filmes premiados durante a cerimónia.

21 de julho : Destaques do Dia

21 Julho 2018
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Programa paralelo de New Spain chega ao fim com performance de cinema expandido, Linda Martini musicam Germaine Dulac e Da Curta à Longa apresenta último filme de Guy Maddin.

No penúltimo dia do festival, o Curtas Vila do Conde apresenta ainda sessões das Competições Nacional, Internacional e Experimental, bem como encontros com realizadores durante a tarde. Tudo a acontecer no Teatro Municipal de Vila do Conde.


O programa paralelo da exposição New Spain chega ao fim com uma performance de cinema expandido protagonizada por Adriana Vila e Luis Macías, intitulada "Even Silence is Cause of Storm", a acontecer às 20:30 no Teatro Municipal de Vila do Conde.


Mais tarde, o festival apresenta o último filme de Guy Maddin, co-realizado por E. Johnson e G. Johnson, "The Green Fog", às 23:30. Esta é uma homenagem à cidade de San Francisco, recorrendo a variadas imagens da cidade californiana, construindo um novo filme a partir de várias outras obras cinematográficas, umas mais conhecidas e outras mais obscuras, sobretudo produzidas no período dourado de Hollywood.


Às 23:00, a banda portuguesa Linda Martini apresenta um espetáculo inédito com música composta e interpretada ao vivo para "La Coquille et le Clergyman", realizado por Germaine Dulac e escrito por Antonin Artaud. 

20 de julho : Destaques do Dia

20 Julho 2018
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Prossegue programa paralelo da exposição New Spain, com debate coletivo, e termina retrospetiva de Nadav Lapid, cineasta israelita.

No dia de hoje, o Curtas Vila do Conde apresenta uma sessão dedicada inteiramente ao trabalho da realizadora Laida Lertxundi, programada por María Palacios Cruz, às 17:00, no Teatro Municipal de Vila do Conde. Ambas estarão presentes nesta sessão.

O programa da New Spain inclui também um debate com curadores, artistas e programadores, a decorrer hoje às 15:00.

A retrospetiva do Nadav Lapid termina também hoje com uma sessão dedicada às curtas-metragens do realizador, a acontecer às 23:30.

Antes disso, às 23:00, o cantautor português B Fachada interpreta ao vivo uma composição inédita parao "La Coquille et le Clergyman", de Germaine Dulac.

 

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