Solar edita o livro "Laboratório Cinemático - Solar 10 anos"

30 Setembro 2016
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A Solar- Galeria de Arte Cinemática apresenta, no sábado, 8 de outubro, pelas 19:00, o livro "Laboratório Cinemático - Solar 10 anos", que inclui textos e entrevistas de autores que fizeram parte da história da galeria.

“Laboratório Cinemático – Solar, 10 Anos” é um livro que assume e adota o carácter puramente experimental da Solar. É uma obra que pretende guardar um passado, celebrar o presente, mas também projetar um futuro. Por isso mesmo, são incluídos trabalhos anteriores e posteriores aos dez anos, que rompem propositadamente as balizas cronológicas formais numa manifestação consciente de ação ininterrupta. Esse olhar para o futuro está bem presente com a inclusão de materiais da instalação 4.56.20, de João Tabarra ,a inaugurar em simultâneo com o lançamento deste livro, às 18:00 do dia 8 de outubro. Pretende-se, com isso, demonstrar como o projeto da Solar, enquanto laboratório, se projeta num futuro sempre instável, à procura dos novos territórios da arte cinemática.

No dia do lançamento do livro e da inauguração da exposição, entre as 18:00 e as 20:00, algumas publicações da Loja das Curtas, situada na Solar, estarão com descontos entre os 10% e os 50%.

Lançamento do DVD "João Pedro Rodrigues & João Rui Guerra da Mata: As Curtas-Metragens"

30 Setembro 2016
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Em parceria com a Fnac, o Curtas Vila do Conde editou em DVD todas as obras de curta-metragem realizadas por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, em conjunto ou a solo. Esta compilação é um testemunho da intimidade e do cosmopolitismo cinéfilo da dupla que esteve recentemente em Vila do Conde para apresentar uma exposição na Solar - Galeria de Arte Cinemática e uma carta branca no 24º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. A propósito da edição deste volume, será ainda apresentada uma exposição itinerante com fotos de rodagem de alguns dos filmes da dupla que percorrerá as lojas Fnac do país.

 

“João Pedro Rodrigues & João Rui Guerra da Mata: As Curtas-Metragens” é o volume três de um conjunto de edições lançadas no âmbito desta parceria, depois de “Reconversão" de Thom Andersen e de “Miguel Gomes: As Curtas-Metragens”. Estas edições, legendadas em inglês, espanhol e português, podem ser adquiridas por 4 euros na Loja das Curtas, situada na Solar -Galeria de Arte Cinemática e nas lojas Fnac de todo o país.


Em paralelo ao lançamento deste DVD, os realizadores foram convidados a fazer uma seleção de fotografias de cena em pleno ato criativo, para uma exposição itinerante que irá percorrer as Fnacs do país. Esta exposição reúne vinte e duas imagens da rodagem do filme “Morrer Como um Homem”, e das curtas-metragens “O Corpo de Afonso”, “O que Arde Cura”, “Manhã de Santo António” e “Mahjong”, realizados por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, tanto a solo como em dupla, e documenta aspetos específicos dos bastidores da produção, sobretudo momentos de preparação dos elementos da mise-en-scène, como cenários, decoração e de composição da luz.


As imagens aqui mostradas exibem igualmente artifícios de ilusionismo e revelam a atenção ao detalhe que é depositada pela dupla de realizadores em cada enquadramento, e a forma como preparam visualmente as suas composições. Elas são testemunho da diversidade temática e estética destas obras, evidenciando ambientes e atmosferas específicas, como é o caso inequívoco das fotografias de “Mahjong”, um filme produzido pela Curtas Metragens CRL, rodado na Varziela, em Vila do Conde, e que transformou uma vulgar zona industrial com grandes armazéns de retalho num misterioso filme de suspense.


As fotos de rodagem são sempre um testemunho documental de um processo de trabalho. As que esta exposição reúne são a evidência do trabalho meticuloso de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, dois dos mais talentosos cineastas portugueses. 


O lançamento desta edição coincide com a estreia em sala de “O Ornitólogo”, a longa-metragem que valeu a João Pedro Rodrigues o prémio de melhor realizador no prestigiado festival de Locarno.


João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata são uma das duplas mais criativas e singulares do cinema contemporâneo. Ambos têm construído uma carreira sólida repleta de cumplicidades, desde o iniciático Parabéns!, agora com quase duas décadas, realizado por Rodrigues e com Guerra da Mata como ator. A partir de então, juntos ou individualmente, as suas curtas-metragens abordam alguns dos seus temas obsessivos: a herança asiática na cultura portuguesa, o desafio aos géneros cinematográficos e uma constante reinvenção do cinema de ficção, através de retratos tão distantes como o do Martim Moniz, em Lisboa, ou o de uma rua anónima de Macau. Este DVD inclui todas as obras de curta-metragem realizadas pelos dois cineastas, em conjunto e a solo, e é um testemunho da intimidade e do cosmopolitismo cinéfilo da dupla.

 

João Pedro Rodrigues & João Rui Guerra da Mata: As Curtas-Metragens

Curtas Vila do Conde & FNAC

Volume 3 


Parabéns!

João Pedro Rodrigues

PT, 1997, 15’

Dois homens, dois corpos encerrados num apartamento. Duas idades: 30 e 19 anos, um arquiteto e um rapaz das noites. Um gato. A voz de Ana no atendedor de chamadas.

 

China, China

João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata

PT, 2007, 19’

China desce as escadas em direção ao Martim Moniz, em Lisboa. China vai voar. Fugir para longe ao amanhecer. Ela só quer ser feliz. Mas China bebe o seu próprio veneno. Bebe-o até ao fim.

 

Alvorada Vermelha

João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata

PT, 2001, 27’

Macau, Mercado Vermelho, Fevereiro de 2011. Dois realizadores, um olhar. Os gestos e as rotinas, entre a vida e a morte. In memoriam: Jane Russell.

 

O Que Arde Cura

João Rui Guerra da Mata

PT, 2012, 26’

Na madrugada de 25 de Agosto de 1988, Portugal acorda com o maior incêndio de que há memória desde o Grande Terramoto de 1755. Do outro lado da cidade, Francisco recebe um telefonema e as chamas do passado irrompem pelo seu quarto, sufocando a sua vida.

 

Manhã de Santo António

João Pedro Rodrigues

PT · FR, 2012, 25’

Manda a tradição que, no dia de Santo António, os namorados ofereçam vasos de manjericos enfeitados com cravos de papel e bandeirolas com quadras populares como prova do seu amor.

 

O Corpo de Afonso

João Pedro Rodrigues

PT, 2013, 32’

Como seria o corpo do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques,

figura tutelar, alvo de mitificações sucessivas no decurso da nossa História

 

Mahjong

João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata

PT, 2013, 35’

Um homem de chapéu e uma mulher desaparecida. O confronto

entre o Vento Leste e o Dragão Vermelho; os pontos cardeais trocados como num derradeiro jogo de Mahjong.

 

Allegoria della Prudenza

João Pedro Rodrigues

PT, 2013, 1’30’’

Hécate, um corpo e três cabeças: Ticiano, Mizoguchi e Paulo Rocha. O vento leva-nos dos dois túmulos de Mizoguchi em Tóquio e Quioto até Ovar, onde repousam as cinzas de Rocha.

 

Iec Long

João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata

PT, 2014, 31’

Do chinês, “pan-tcheong” ou “pau- -tcheong”, consta nos dicionários como um regionalismo macaense também chamado “estalo da China” ou “foguete chinês”. Quem vive na antiga Fábrica de Panchões Iec Long?

Curtocircuito com grande participação portuguesa

29 Setembro 2016
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A 13ª edição do Curtocircuito – Festival Internacional de Cinema de Santiago de Compostela decorre entre 3 e 9 de outubro naquela cidade espanhola com vários filmes da Agência da Curta Metragem e produções do Curtas Vila do Conde na programação.

Em competição, vão ser apresentadas as curtas-metragens “A Brief History of Princess X” de Gabriel Abrantes, “Um Campo de Aviação” de Joana Pimenta, “Cabeça d’Asno” de Pedro Bastos e “Exodus” de Nicolas Provost. Na retrospetiva dedicada ao realizador ucraniano Sergei Loznitsa, o festival espanhol exibe “Milagre de Santo António”, uma produção do Curtas Vila do Conde no âmbito do 20º aniversário do festival, em 2012, resultante de dez dias de descobertas que o cineasta fez sozinho na região norte de Portugal incidindo particularmente na tradição da bênção dos animais em Santo António de Mixões da Serra, no Gerês.


A 7 de outubro, o Curtocircuito apresenta ainda, em estreia em Espanha, o espetáculo “How To Become Nothing”, o projeto revelado no último Curtas Vila do Conde, que juntou o músico Paulo Furtado (The Legendary Tigerman), a fotógrafa Rita Lino e o realizador Pedro Maia, numa road trip pelo deserto da Califórnia. O resultado é um road movie, em formato de filme-concerto, com banda sonora ao vivo de The Legendary Tigerman e imagens manipuladas em tempo real por Pedro Maia, a quem o festival dedica, paralelamente, uma retrospetiva integral.


O Curtas Vila do Conde vai marcar ainda presença nas festas do festival através da dupla Curtas Sound System, composta por Miguel Dias e Sérgio Gomes.


Programa completo: http://curtocircuito.org/

João Tabarra parte de trailer inédito de Godard para nova exposição na Solar

29 Setembro 2016
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Partindo de um trailer, nunca visto pelo público, de Jean-Luc Godard para o filme “Numéro Deux”, João Tabarra apresenta na Solar – Galeria de Arte Cinemática uma obra original dividida em sete filmes com precisamente 4'56''20 de duração cada, dando o título ao projeto: “4.56.20”. A exposição inaugura no sábado, 8 de outubro, pelas 18:00, com a presença do autor, e ficará patente na galeria até 31 de dezembro.

Por ser um artista cuja obra olha para o cinema, a Solar – Galeria de Arte Cinemática inscreve, uma vez mais, o nome de João Tabarra como um dos seus autores, apostando novamente num território de fronteira entre as artes plásticas e o cinema. “4.56.20” marca, assim, o regresso de Tabarra à galeria, depois da sua participação na exposição coletiva “2012 Odisseia Kubrick”, em 2012.


Em “4.56.20”, João Tabarra adopta, uma vez mais, uma posição crítica e analítica em relação ao cinema, apropriando-se de excertos de um trailer inédito de Jean-Luc Godard, realizado para o filme “Numéro Deux”, de 1975, e desenvolvendo uma série de sete filmes experimentais. Com aprovação do próprio Godard, o artista trabalhou os quatro minutos cinquenta e seis segundos e vinte frames a partir do negativo original em 35mm. “Ao ter escolhido trabalhar sobre um trailer em película ao invés do próprio filme acessível em formato digital, João Tabarra baseia de forma precisa a sua proposta artística: um trailer pode ser visto por quem nunca irá ver o filme e isto é já abordar as imagens na sua dimensão de ostensório ou de estandarte, na sua dimensão invasiva e pública, na sua suposta vocação de serem vistas” explica Nicole Brenez, docente de estudos cinematográficos na Universidade de Paris 3 Sorbonne Nouvelle, também autora do texto que serviu como ponto de partida para o trabalho experimental desenvolvido por João Tabarra. “É, também, uma constatação histórica: onde “Numéro Deux” inventava uma dialéctica entre a película e o vídeo, que à época se supunha iria substituir o primeiro, João Tabarra reparte do formato 35mm sabendo bem que será este que sobreviverá por mais umas centenas de anos, contrariamente a todos os substratos, vectores e codificações dos dispositivos digitais, tão voláteis e fugazes”, acrescenta.


João Tabarra selecionou sete afirmações recolhidas do texto “Under Reconstruction”, da autoria de Nicole Brenez, transformando-as em questões, cada uma delas colocada num dos sete filmes que integram a instalação site-specific desenvolvida para a Solar. “Trabalhando a partir da linguagem fragmentada do autor, insisto numa proposta de investigação sobre o cinema, sobre as imagens e sobre as respostas que podemos ainda dar às questões cruciais com as quais a contemporaneidade nos confronta, usando as narrativas visuais num mundo onde a imagem parece ser cada vez mais espetacularmente excessiva”, explica João Tabarra.


O resultado final é uma obra original dividida em sete filmes com precisamente 4'56''20 de duração cada um, duração que origina também o título do projeto: 4.56.20. As sete instalações vídeo exploram a complexa interligação e interpenetração de temas, metáforas e processos audiovisuais do filme, que envolvem o trabalho, o sexo, o lazer, a família e a cultura. Em análise ao projeto, Jonathan Rosenbaum, crítico de cinema do Chicago Reader, refere o exemplo do sétimo vídeo, intitulado “break the chain of representations”. "Sobre o ruído da eletricidade estática, vemos Vanessa escrever numa ardósia “Antes de ter nascido, eu estava morta”, numa imagem única que se torna duplicada e multiplicada, empilhando-se como cartas num jogo de paciência, apontando para as mesmas contradições que tanto “Numéro Deux” como “4.56.20” exploram de vários modos – os modos como a adição se pode tornar subtração, o solitário se pode tornar colectivo, o som se pode tornar imagem, a pertença à família se pode tornar solidão existencial, uma fábrica se pode tornar paisagem, a morte se pode tornar nascimento, a fertilidade do negro se pode tornar na esterilidade do branco, e como o vídeo se pode tornar cinema”, refere.


É, ainda, motivo de destaque a inclusão dos textos de Nicole Brenez e Jonathan Rosenbaum, ambos originais e redigidos a propósito, que enriquecem a publicação que acompanha a exposição e contribuem para um estudo analítico e consequente sobre o trabalho do artista.


João Tabarra (Lisboa, 1966) estudou fotografia na Arco Centro de Arte e Comunicação Visual. Começou a expor com regularidade no final dos anos 80 tendo consolidado um percurso que conta com a sua presença em relevantes projetos expositivos nacionais e internacionais tanto individualmente como em coletivos. Está representado em prestigiadas coleções, institucionais e privadas, fazendo os seus trabalhos parte dos acervos das mesmas em Portugal e no estrangeiro. É professor de Moving Image no Departamento de Media Arts, HGK Karlsruhe University for Arts and Design, Karlsruhe, Alemanha.


No projeto paralelo CAVE, dedicado à obra de artistas emergentes, Igor Jesus apresenta “Chessari”, um projeto que, através de metodologias e formatos distintos, pretende problematizar a “colonização” do corpo humano a partir do filme “Salò ou os 120 dias de Sodoma” (1975) de Pier Paolo Pasolini.

No mesmo dia, às 19:00, será também lançada a publicação que assinala os 10 anos da Solar, "Laboratório Cinemático/Solar 10 anos", que inclui textos e entrevistas de autores que fizeram parte da história da galeria. 

Euro Connection: Concurso de apoio a curtas-metragens com inscrições abertas

1 Setembro 2016
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Todos os anos, o Festival de Cinema de Clermont Ferrand (França) - que acolhe um dos maiores mercados cinematográficos da Europa – é o anfitrião do Euro Connection, um fórum de coprodução de curtas-metragens que culmina no pitching dos projetos selecionados. Esta plataforma tem como objetivo o desenvolvimento de parcerias entre produtores europeus, investidores, patrocinadores e televisões. As candidaturas para a próxima edição, que terá lugar nos dias 7 e 8 de fevereiro de 2017, decorrem até 20 de outubro.

Os projetos a concurso deverão cumprir os seguintes requisitos:
- curta-metragem de animação, ficção ou documentário;
- duração até 40 minutos;
- o projeto tem de ter assegurado um apoio ou parceria (embora não haja montante mínimo monetário ou em serviços);
- o produtor/realizador tem de querer estabelecer uma coprodução com um parceiro europeu;
- a produção/rodagem terá de começar a partir de maio de 2017.


Apenas podem concorrer os projetos de países associados ao Euro Connection: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia.


Um júri europeu – que inclui, pelo menos, três profissionais de diferentes nacionalidades – elegerá 16 projetos entre os finalistas de cada país. Todos os finalistas serão informados acerca da lista dos projetos selecionados no final de novembro de 2016.


Os produtores deverão candidatar os seus projetos de curta-metragem até ao dia 20 de outubro, junto dos representantes do país a que pertencem. Em Portugal, os festivais associados ao Euro Connection são o Curtas Vila do Conde e o IndieLisboa. As candidaturas deverão ser enviadas para os seguintes e-mails: mdias@curtas.pt (Miguel Dias) e miguel.valverde@indielisboa.com (Miguel Valverde).


O regulamento completo e o formulário de candidatura estão disponíveis aqui.


Cada projeto selecionado deverá ser apresentado pelo seu produtor/realizador, que terá 10 minutos para fazer uma apresentação concisa, em inglês ou francês, numa das sessões de pitching que terão lugar nos dias 7 e 8 de Fevereiro de 2017. Cada produtor poderá apresentar apenas um projeto.


Em 2016, o filme selecionado para representar Portugal no Euro Connection foi "Do Berço prá Cova" (na imagem), de João Vladimiro, produzido pela Terratreme. 

Lembra-me dos anos 90 - Sobre "NYC 1991"

8 Agosto 2016
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O texto seguinte foi produzido por um dos participantes do Workshop Crítica de Cinema realizado durante o Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema. Este Workshop é formado por um conjunto de masterclasses e debates com convidados internacionais e pela produção de textos críticos sobre os filmes exibidos durante o festival, que serão publicados, periodicamente, na página do PÚBLICO e no blogue do Curtas Vila do Conde.

 

Por Maria Inês Castro e Silva

 

NYC 1991 integrou a competição experimental do 24ª Curtas Vila do Conde e é assinado por Paulo Abreu numa aventura da rua que abre a janela para Nova Iorque dos anos 90. Este é um filme onde a palavra experimental se pode justamente adequar, não só pela técnica utilizada, como também pela captação aparentemente aleatória das imagens. É um lugar fílmico concebido para o acto de experimentar, distante da narratividade convencional. 

Paulo Abreu já mostrara o gosto pela experiência dos materiais e do super 8, película utilizada em NYC 1991 e que tem sido muito explorada pelo cineasta, já utilizada noutras curtas como Barba (2011) ou O Facínora (2012), tematicamente distantes de NYC 1991 e que podem dar a Paulo Abreu o confortável epíteto de eclético, tendo o Curtas de Vila do Conde contado já com a sua presença nas secções de vídeos musicais, nacional ou experimental.


NYC 1991
regressa à Nova Iorque dos anos 90 captando imagens da cidade num registo que nos parece aparentemente pobre, mas que proporciona precisamente o efeito pretendido: a correria das ruas, um retrato junkie de uma cidade em constante mudança. Esta é uma vontade de fixar em imagens fílmicas uma era, uma geração, personagens que nos parecem sempre em fuga durante todo o filme. É uma reunião excêntrica de imagens com figuras excêntricas acompanhada pela música e poesia de Lee Ranaldo. NYC 1991 é, no fundo, um conjunto de dois filmes, duas visões pessoais de Nova Iorque: uma por Paulo Abreu, outra por Lee Ranaldo. Parte-se claramente de pontos de vista pessoais, uma expressão da contemporaneidade com imagens fugidias de quem caminha pela rua. Um filme que nos avisa “Nova Iorque é isto” na sua fugacidade citadina.


A experiência em Super 8 não é nova no percurso de Paulo Abreu, recurso que tinha sido já utilizado noutras curtas como Barba (2011) ou em O Facínora (2012), tematicamente distantes de NYC 1991 e que podem dar a Paulo Abreu o confortável epíteto de eclético, tendo o Curtas de Vila do Conde contado já com a sua presença nas secções de vídeos musicais, nacional ou experimental.


Editado por Paulo Cunha e Daniel Ribas. 

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