Curtas Vila do Conde no SACO – Semana del Audiovisual Contemporáneo de Oviedo

10 Março 2017
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O Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema preparou uma seleção de curtas-metragens para serem apresentadas na próxima quinta-feira, 16 de março, no SACO – Semana del Audiovisual Contemporáneo de Oviedo, que decorre entre 10 e 19 de março naquela cidade espanhola.


A sessão é composta pelos filmes “Penúmbria” de Eduardo Brito, “À Noite Fazem-se Amigos” de Rita Barbosa, “A Brief History of Princess X” de Gabriel Abrantes e “Cidade Pequena” de Diogo Costa Amarante, apresentados em estreia mundial na competição nacional do Curtas Vila do Conde em 2016, e “Chatear-me Ia Morrer Tão Joveeeem…” de Filipe Abranches e “Estilhaços” de José Miguel Ribeiro exibidos na secção “Panorama Nacional” do festival no mesmo ano.


No dia seguinte, sexta-feira, 17 de março, o Curtas Vila do Conde vai marcar presença numa das festas do festival espanhol com um Dj Set do Curtas Sound System, dupla composta por Miguel Dias e Sérgio Gomes. 

CURTAS VILA DO CONDE SOUNDSYSTEM

O Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema tem uma forte tradição em eventos musicais, para além da programação cinemática de base, o que pode ser explicado não só pelo desejo do festival de integrar outras formas artísticas relacionadas com o cinema, mas também pelos interesses musicais dos seus membros e programadores. Neste caso particular, a música proposta por Miguel Dias e Sérgio Gomes é também uma boa analogia de outra característica muito importante do festival, o diálogo entre a história e o cinema de vanguarda, cobrindo géneros desde o Soul obscuro e os clássicos de Deep Funk até aos seus contrapontos eletrónicos, como o Ghetto-Funk, Glitch-Hop e Future Beats. 


Miguel Dias é um colecionador de discos interessado em todos os tipos de musica Jazz,Funk, Latino e Africano, especialmente dos anos 60 e 70. Faz também parte d'Os Sete Magníficos, um coletivo de DJs do Porto, que roda clássicos de 7''.


Sérgio Gomes é DJ desde 1998. Mostrou sempre interesse na música eletrónica contemporânea e avant-garde. Com a sua marca BREAKS lda. é também promotor de eventos musicais eletrónicos em Portugal, tendo também um programa semanal na RUM.

Carta de Protesto e Solidariedade

20 Fevereiro 2017
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Em Portugal, um colectivo de realizadores, produtores, atores, técnicos e distribuidores, festivais de cinema e associações profissionais escreveu uma carta aberta ao governo português e recebeu o apoio da comunidade internacional do sector.

CARTA DE PROTESTO E SOLIDARIEDADE

Há várias décadas que Portugal é tido como um caso à parte no contexto da produção cinematográfica mundial. Tratando-se de um país pequeno, sem mercado interno para sustentar uma indústria, é raro o ano em que surja nas salas de cinema mais do que uma dúzia de longas-metragens nacionais. Mas, apesar disso, é elevadíssima a percentagem desses filmes com presença em festivais internacionais. A partir da década de 80, e de um modo sistemático, o cinema português tem sido objeto de mostras e homenagens; tal como têm sido organizadas retrospetivas de vários cineastas portugueses – uns em atividade (alguns deles assinam este texto), outros infelizmente já desaparecidos (João César Monteiro, Paulo Rocha, Fernando Lopes, António Reis, José Álvaro Morais, António Campos ou, claro, Manoel de Oliveira). O “milagre” desta desproporcional visibilidade internacional no contexto de tão escassa produção – atravessando décadas distintas e diferentes gerações de autores – deve-se certamente ao mérito dos realizadores, dos técnicos, dos atores e dos produtores de cinema em Portugal. Mas o mérito também residiu numa política cultural que  fomentou a produção de um cinema marcado por uma forte singularidade das suas propostas, bem como estabeleceu as bases para lhe garantir liberdade criativa. Assim se consolidou a imagem do cinema feito em Portugal.

A política cultural que permitiu este cinema e que abriu as portas à diversidade, assentou em Leis do Cinema e num Instituto Público, o ICA, que as aplicou, organizando de forma continuada concursos públicos para o apoio financeiro à produção de filmes, com regras de participação transparentes e critérios de avaliação compatíveis com uma política promovida pelo Ministério da Cultura e com júris escolhidos pelo Instituto cujo perfil é definido por lei como “personalidades com reconhecido mérito cultural e idoneidade”. Assim, foram chamados à função de júri cineastas e técnicos de cinema, bem como críticos, artistas plásticos, escritores, arquitetos, músicos, programadores culturais ou professores universitários para aprovarem os projetos de filmes.

A partir de 2013, um decreto-lei regulamentador da Lei do Cinema e uma nova direção do Instituto de Cinema e Audiovisual de Portugal (ICA), mostrando-se alérgicos à responsabilidade e desconhecedores do papel regulador que o ICA deve ter no processo, transferiram a tarefa da escolha dos júris para um comité onde estão representados todos os interessados no resultado dos concursos de apoio: associações profissionais, representantes das televisões, representantes dos operadores de audiovisual, entre outros. Passou, então, a ser este comité corporativo a indicar ao ICA os nomes dos júris que  avaliam os projetos de filmes, num claro conluio de interesses em muitos dos casos entre nomeados e quem nomeia.

O resultado não se fez esperar: os requisitos exigidos no regulamento sobre o perfil dos júris, “personalidades de reconhecido mérito cultural”, deixaram manifestamente de fazer sentido tendo em conta os atuais jurados. Nos últimos anos contam-se entre os decisores dos projetos de cinema, administradores de bancos com ligação ao cinema ou diretores de marketing de operadoras de telecomunicações…

O atual governo, refém da pressão exercida por operadores da televisão por cabo,  prepara-se agora para homologar um novo decreto-lei que perpetua e agrava este procedimento. Um conjunto muito representativo de realizadores e produtores portugueses manifestou-se contra este sistema promíscuo e viciado, assegurando à tutela que se recusam terminantemente a fazer parte do processo de nomeações: não querem ter influência na nomeação de júris nem aceitam que outros interessados nos resultados dos concursos possam participar do processo. Acreditam que a transparência só pode ser assegurada se a nomeação de júris regressar à exclusiva competência do ICA. De uma vez por todas, querem uma direção do ICA capaz de assumir as suas responsabilidades, estando consciente do seu duplo papel de executor da política cultural para o cinema e de regulador desta atividade.

Os subscritores desta carta de protesto querem recordar ao Estado que o Cinema Português não é uma questão exclusivamente nacional. Por isso, prestam  a sua solidariedade com os realizadores e produtores portugueses que se têm oposto a este processo e manifestam o seu repúdio, caso o decreto-lei seja homologado.
 
A carta e os subscritores do protesto podem ser consultados aqui.  

Diogo Costa Amarante vence Urso de Ouro na Berlinale com “Cidade Pequena”

20 Fevereiro 2017
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“Cidade Pequena” de Diogo Costa Amarante venceu, no sábado passado, o Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem na Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim.


O júri, composto pelo artista alemão Christian Jankowski, pela curadora norte-americana Kimberly Drew e pelo programador chileno Carlos Núñez, destacou os enquadramentos do filme que “lembram a atenção ao detalhe presente nos quadros do Renascimento italiano”.


Protagonizado pela irmã e o sobrinho do realizador, “Cidade Pequena” parte de um episódio verídico onde Francisco descobre na escola que as pessoas têm cabeça, tronco e membros e que se o coração pára morrem. A ficção é uma reflexão acerca da tomada de consciência da morte, do tempo e da família.

A curta-metragem de 20 minutos, com produção da Curtas Metragens CRL, estreou em julho de 2016 no 24º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema e integra o catálogo de filmes distribuídos pela Agência da Curta Metragem.


No concurso de curtas-metragens do festival, que decorreu entre 9 e 19 de fevereiro na capital alemã , estiveram ainda “Altas Cidades de Ossadas” de João Salaviza – que venceu o prémio em 2012 com “Rafa” – e “Coup de Grâce” de Salomé Lamas. “Os Humores Artificiais” de Gabriel Abrantes foi o nomeado na Berlinale para os Prémios Europeus de Cinema.

Curtocircuito com grande participação portuguesa

29 Setembro 2016
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A 13ª edição do Curtocircuito – Festival Internacional de Cinema de Santiago de Compostela decorre entre 3 e 9 de outubro naquela cidade espanhola com vários filmes da Agência da Curta Metragem e produções do Curtas Vila do Conde na programação.

Em competição, vão ser apresentadas as curtas-metragens “A Brief History of Princess X” de Gabriel Abrantes, “Um Campo de Aviação” de Joana Pimenta, “Cabeça d’Asno” de Pedro Bastos e “Exodus” de Nicolas Provost. Na retrospetiva dedicada ao realizador ucraniano Sergei Loznitsa, o festival espanhol exibe “Milagre de Santo António”, uma produção do Curtas Vila do Conde no âmbito do 20º aniversário do festival, em 2012, resultante de dez dias de descobertas que o cineasta fez sozinho na região norte de Portugal incidindo particularmente na tradição da bênção dos animais em Santo António de Mixões da Serra, no Gerês.


A 7 de outubro, o Curtocircuito apresenta ainda, em estreia em Espanha, o espetáculo “How To Become Nothing”, o projeto revelado no último Curtas Vila do Conde, que juntou o músico Paulo Furtado (The Legendary Tigerman), a fotógrafa Rita Lino e o realizador Pedro Maia, numa road trip pelo deserto da Califórnia. O resultado é um road movie, em formato de filme-concerto, com banda sonora ao vivo de The Legendary Tigerman e imagens manipuladas em tempo real por Pedro Maia, a quem o festival dedica, paralelamente, uma retrospetiva integral.


O Curtas Vila do Conde vai marcar ainda presença nas festas do festival através da dupla Curtas Sound System, composta por Miguel Dias e Sérgio Gomes.


Programa completo: http://curtocircuito.org/

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