Curtas Vila do Conde apresenta programa especial no Kasseler Dokfest

3 Novembro 2017
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O Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema vai apresentar no 34.º Kasseler Dokfest, a 18 de novembro, um programa especial com alguns dos filmes produzidos pela Curtas Metragens CRL: "Strokkur" de João Salaviza, "Exodus" de Nicolas Provost, "Undisclosed Recipients" de Sandro Aguilar, "Noite Sem Disntância" de Lois Patiño e "The Dockworker's Dream" de Bill Morrison. A sessão International film festivals in profile: Curtas Vila do Conde será apresentada pelo co-diretor do festival, Mário Micaelo. 

O festival, dedicado a filmes de documentário, decorre entre 14 e 19 de novembro na Alemanha.

Nova produção da Curtas Metragens CRL estreia no 14º IndieLisboa

5 Abril 2017
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A curta-metragem “Semente Exterminadora”, de Pedro Neves Marques, a mais recente produção da Curtas Metragens CRL, vai ser apresentada em estreia mundial na 14ª edição do IndieLisboa – Festival de Cinema Independente, que decorre entre 3 e 14 de maio.


A ficção de 26 minutos acompanha um trabalhador de uma plataforma petrolífera evacuado para o Rio de Janeiro após um derrame que contamina a costa brasileira.


Um derrame de petróleo contamina a costa brasileira. Capivara, trabalhador numa plataforma petrolífera, é evacuado para o Rio de Janeiro, onde a população permanece ignorante do desastre que se aproxima. Apesar do perigo, Capivara deseja apenas retornar aos campos de extração em alto mar. Na cidade, é ajudado por Ywy, uma mulher que o convence a viajar para a sua terra do Mato Grosso do Sul, na procura de emprego nas plantações de monocultura de soja e milho. Nas plantações, Ywy expressa a Capivara a sua intimidade com as plantações transgénicas. Ela fala-lhe da infertilidade daquelas sementes geneticamente manipuladas e de uma androide como ela. Capivara, humano, é incapaz de compreender.”

Artista, realizador e escritor, Pedro Neves Marques vive e trabalha entre Lisboa e Nova Iorque. É o editor da antologia "The Forest and the School: Where to Sit at the Dinner Table?" (Archive Books, 2014) sobre antropologia e Antropofagia no Brasil, e o autor dos livros de ficção "Morrer na América" (Abysmo Editora e Kunsthalle Lissabon, 2017) e "O Processo de Integração" (Atlas Projectos, 2012). Entre outros, expôs e apresentou os seus filmes e vídeos em instituições como Contour8 Biennial of Moving Image (Mechelen), Fundación Botín (Santander), Sursock Art Museum (Beirut), Kadist Art Foundation (Paris), e-flux (Nova Iorque), Sculpture Center (Nova Iorque), 12ª Bienal de Cuenca (Equador), Fundação EDP (Lisboa) ou Museu de Serralves (Porto), bem como DocLisboa Festival de Cinema e Indie Lisboa Festival Internacional de Cinema. Juntamente com a artista Mariana Silva é um dos fundadores de inhabitants, um canal de vídeo online para reportagens em formatos experimentais. 

 

Curtas Vila do Conde no SACO – Semana del Audiovisual Contemporáneo de Oviedo

10 Março 2017
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O Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema preparou uma seleção de curtas-metragens para serem apresentadas na próxima quinta-feira, 16 de março, no SACO – Semana del Audiovisual Contemporáneo de Oviedo, que decorre entre 10 e 19 de março naquela cidade espanhola.


A sessão é composta pelos filmes “Penúmbria” de Eduardo Brito, “À Noite Fazem-se Amigos” de Rita Barbosa, “A Brief History of Princess X” de Gabriel Abrantes e “Cidade Pequena” de Diogo Costa Amarante, apresentados em estreia mundial na competição nacional do Curtas Vila do Conde em 2016, e “Chatear-me Ia Morrer Tão Joveeeem…” de Filipe Abranches e “Estilhaços” de José Miguel Ribeiro exibidos na secção “Panorama Nacional” do festival no mesmo ano.


No dia seguinte, sexta-feira, 17 de março, o Curtas Vila do Conde vai marcar presença numa das festas do festival espanhol com um Dj Set do Curtas Sound System, dupla composta por Miguel Dias e Sérgio Gomes. 

CURTAS VILA DO CONDE SOUNDSYSTEM

O Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema tem uma forte tradição em eventos musicais, para além da programação cinemática de base, o que pode ser explicado não só pelo desejo do festival de integrar outras formas artísticas relacionadas com o cinema, mas também pelos interesses musicais dos seus membros e programadores. Neste caso particular, a música proposta por Miguel Dias e Sérgio Gomes é também uma boa analogia de outra característica muito importante do festival, o diálogo entre a história e o cinema de vanguarda, cobrindo géneros desde o Soul obscuro e os clássicos de Deep Funk até aos seus contrapontos eletrónicos, como o Ghetto-Funk, Glitch-Hop e Future Beats. 


Miguel Dias é um colecionador de discos interessado em todos os tipos de musica Jazz,Funk, Latino e Africano, especialmente dos anos 60 e 70. Faz também parte d'Os Sete Magníficos, um coletivo de DJs do Porto, que roda clássicos de 7''.


Sérgio Gomes é DJ desde 1998. Mostrou sempre interesse na música eletrónica contemporânea e avant-garde. Com a sua marca BREAKS lda. é também promotor de eventos musicais eletrónicos em Portugal, tendo também um programa semanal na RUM.

Carta de Protesto e Solidariedade

20 Fevereiro 2017
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Em Portugal, um colectivo de realizadores, produtores, atores, técnicos e distribuidores, festivais de cinema e associações profissionais escreveu uma carta aberta ao governo português e recebeu o apoio da comunidade internacional do sector.

CARTA DE PROTESTO E SOLIDARIEDADE

Há várias décadas que Portugal é tido como um caso à parte no contexto da produção cinematográfica mundial. Tratando-se de um país pequeno, sem mercado interno para sustentar uma indústria, é raro o ano em que surja nas salas de cinema mais do que uma dúzia de longas-metragens nacionais. Mas, apesar disso, é elevadíssima a percentagem desses filmes com presença em festivais internacionais. A partir da década de 80, e de um modo sistemático, o cinema português tem sido objeto de mostras e homenagens; tal como têm sido organizadas retrospetivas de vários cineastas portugueses – uns em atividade (alguns deles assinam este texto), outros infelizmente já desaparecidos (João César Monteiro, Paulo Rocha, Fernando Lopes, António Reis, José Álvaro Morais, António Campos ou, claro, Manoel de Oliveira). O “milagre” desta desproporcional visibilidade internacional no contexto de tão escassa produção – atravessando décadas distintas e diferentes gerações de autores – deve-se certamente ao mérito dos realizadores, dos técnicos, dos atores e dos produtores de cinema em Portugal. Mas o mérito também residiu numa política cultural que  fomentou a produção de um cinema marcado por uma forte singularidade das suas propostas, bem como estabeleceu as bases para lhe garantir liberdade criativa. Assim se consolidou a imagem do cinema feito em Portugal.

A política cultural que permitiu este cinema e que abriu as portas à diversidade, assentou em Leis do Cinema e num Instituto Público, o ICA, que as aplicou, organizando de forma continuada concursos públicos para o apoio financeiro à produção de filmes, com regras de participação transparentes e critérios de avaliação compatíveis com uma política promovida pelo Ministério da Cultura e com júris escolhidos pelo Instituto cujo perfil é definido por lei como “personalidades com reconhecido mérito cultural e idoneidade”. Assim, foram chamados à função de júri cineastas e técnicos de cinema, bem como críticos, artistas plásticos, escritores, arquitetos, músicos, programadores culturais ou professores universitários para aprovarem os projetos de filmes.

A partir de 2013, um decreto-lei regulamentador da Lei do Cinema e uma nova direção do Instituto de Cinema e Audiovisual de Portugal (ICA), mostrando-se alérgicos à responsabilidade e desconhecedores do papel regulador que o ICA deve ter no processo, transferiram a tarefa da escolha dos júris para um comité onde estão representados todos os interessados no resultado dos concursos de apoio: associações profissionais, representantes das televisões, representantes dos operadores de audiovisual, entre outros. Passou, então, a ser este comité corporativo a indicar ao ICA os nomes dos júris que  avaliam os projetos de filmes, num claro conluio de interesses em muitos dos casos entre nomeados e quem nomeia.

O resultado não se fez esperar: os requisitos exigidos no regulamento sobre o perfil dos júris, “personalidades de reconhecido mérito cultural”, deixaram manifestamente de fazer sentido tendo em conta os atuais jurados. Nos últimos anos contam-se entre os decisores dos projetos de cinema, administradores de bancos com ligação ao cinema ou diretores de marketing de operadoras de telecomunicações…

O atual governo, refém da pressão exercida por operadores da televisão por cabo,  prepara-se agora para homologar um novo decreto-lei que perpetua e agrava este procedimento. Um conjunto muito representativo de realizadores e produtores portugueses manifestou-se contra este sistema promíscuo e viciado, assegurando à tutela que se recusam terminantemente a fazer parte do processo de nomeações: não querem ter influência na nomeação de júris nem aceitam que outros interessados nos resultados dos concursos possam participar do processo. Acreditam que a transparência só pode ser assegurada se a nomeação de júris regressar à exclusiva competência do ICA. De uma vez por todas, querem uma direção do ICA capaz de assumir as suas responsabilidades, estando consciente do seu duplo papel de executor da política cultural para o cinema e de regulador desta atividade.

Os subscritores desta carta de protesto querem recordar ao Estado que o Cinema Português não é uma questão exclusivamente nacional. Por isso, prestam  a sua solidariedade com os realizadores e produtores portugueses que se têm oposto a este processo e manifestam o seu repúdio, caso o decreto-lei seja homologado.
 
A carta e os subscritores do protesto podem ser consultados aqui.  

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