Comunicado da Plataforma do Cinema

26 Abril 2020
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Como já foi reconhecido publicamente pelo governo, o sector da cultura foi dos primeiros a ver as suas actividades suspensas e será dos últimos a conseguir uma retoma. No caso do cinema, a situação é calamitosa. As salas de cinema estão fechadas e, quando finalmente for possível reabri-las, prevê-se uma fraca afluência de público. Várias produções (algumas já em fase de rodagem) foram interrompidas e adiadas sine die; quando regressarem as condições para poder prosseguir, os produtores terão de fazer face ao acréscimo de custos da paragem forçada e das novas condições de rodagem em contexto de distanciamento social. E, sobretudo, existem hoje – e continuarão a existir nos próximos meses – milhares de profissionais sem trabalho, num sector marcado pela precariedade e sazonalidade da atividade, profissionais para os quais nunca foi criado um regime especial de “intermitentes”, e que terão dificuldade em encaixar no sistema de apoios para os trabalhadores independentes da segurança social. 
      
Para fazer face à situação, a Plataforma do Cinema pensou em três medidas de intervenção pública que devem ser instituídas com carácter de urgência:
1) criação imediata de um fundo de emergência para os trabalhadores do sector, à semelhança do que já está a ser feito noutros países (Espanha, França, Reino Unido) e que também em Portugal foi estudado pelo ICA até essa possibilidade ter sido subitamente descartada pela SEC e pelo MC;
2) criação de um plano de contingência a dois anos para as diversas entidades que operam no sector (produtoras, festivais, cineclubes, empresas de serviços, exibidores e distribuidores independentes, etc) que amortize os prejuízos da suspensão das actividades previstas até que estas possam ser retomadas;
3) Incremento do papel da RTP junto do cinema, lembrando que ainda há uns anos estava em vigor um protocolo RTP / ICA que garantia um complemento financeiro automático ao montante atribuído pelo ICA a cada projeto apoiado, ficando a televisão pública com direitos de exibição do filme como contrapartida.
No passado dia 20 de Abril, representantes da Plataforma do Cinema reuniram com o Secretário de Estado e com o Presidente do ICA. O Secretário de Estado rejeitou a totalidade das propostas apresentadas pela Plataforma, alegando que não podem existir medidas de apoio a fundo perdido, que as questões dos trabalhadores da cultura devem ser resolvidas pelos ministérios centrais e que as medidas de apoio ao sector se irão cingir à flexibilização das regras administrativas no ICA. Tal como a Ministra da Cultura, o Secretário de Estado coloca a tónica no futuro do sector.

A Plataforma do Cinema não percebe que futuro é esse de que falam Ministra e Secretário de Estado. É revelador de uma preocupante falta de lucidez que se pondere  a discussão de um novo plano estratégico no final do ano, enquanto se testemunha  de braços cruzados a expectável falência de produtoras, distribuidores, exibidores independentes e outras entidades do sector. O efeito em cadeia levará a que o dinheiro destinado a projectos apoiados pelo ICA seja usado em desespero  para a sobrevivência de profissionais que se encontram totalmente desamparados e para a sobrevivência das estruturas. 
A Plataforma do Cinema considera que não existirá qualquer futuro com a inacção do presente. Constata a absoluta irrelevância política do Ministério da Cultura e da recém criada Secretaria de Estado do cinema e do audiovisual. E confirma definitivamente que os actuais ocupantes do Palácio da Ajuda não sentem fazer parte do sector que tutelam, que não o conhecem e que nada farão para o preservar.

Convencidos de que as dificuldades no sector do cinema e na cultura em geral irão infelizmente agravar-se, a Plataforma do Cinema apela à união entre profissionais e agentes da área da cultura para fazer ver aos responsáveis políticos, independentemente de quem sejam, que o Estado não pode lavar as mãos e abandoná-los à sua sorte na actual conjuntura. A responsabilidade política não ficou suspensa com o estado de emergência ou com a situação sanitária no país.

Pela Plataforma do Cinema

Agência da Curta Metragem
Apordoc – Associação pelo Documentário
APR – Associação Portuguesa de Realizadores
Casa da Animação
Curtas Vila do Conde
Doclisboa
IndieLisboa
Monstra – Festival de Animação de Lisboa
PCIA – Produtores de Cinema Independente Associados
Porto/Post/Doc
Portugal Film
Queer Lisboa

Vencedor do “My Generation” é um dos nomeados dos Óscares 2020

13 Janeiro 2020
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O filme “Nefta Football Club” de Yves Piat e Damien Megherbi, vencedor do programa “My Generation” do Curtas Vila do Conde, está entre os cinco nomeados para o prémio de “Melhor Curta Metragem” dos Óscares 2020.

A secção “My Generation”, nova secção competitiva do Curtas Vila do Conde, é especialmente direcionada para a faixa etária entre os 14 e os 18 anos. As curtas-metragens desta secção foram selecionadas por um grupo de 12 alunos de escolas do Ensino Secundário de Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

“Nefta Football Club” retrata a história de Abdallah, amante de futebol, que encontra no deserto uma mula que transportava droga, que ele pensava ser detergente. Abdallah decide utilizar o “detergente” para desenhar as linhas de marcação no seu campo de futebol.

A cerimónia de entrega de prémios da 92ª edição dos Óscares será realizada no dia 9 de fevereiro, em Los Angeles.

Carlos Conceição vence o Prémio Revelação do Doclisboa

28 Outubro 2019
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“Serpentário”, primeira longa metragem de Carlos Conceição, foi a vencedora do Prémio Revelação do Doclisboa, que teve lugar de 17 a 27 de outubro, em Lisboa. O realizador esteve em destaque na programação do 27º Curtas Vila do Conde, onde foram exibidos todos os seus filmes, entre eles a estreia nacional do galardoado “Serpentário”.

O filme foi apresentado no passado dia 25 no contexto da secção “Riscos” do festival, cujo programa se propõe discutir fronteiras e limites com filmes de diferentes épocas que interrogam a contemporaneidade do cinema.

O “Prémio Canais Tvcine Para Melhor Primeira Longa-metragem” é concedido ao realizador da melhor primeira longa-metragem de uma selecção transversal a todas as secções, excepto retrospectivas e cinema de urgência, e foi atribuído pelo júri composto por Aya Koretzky (realizadora, Portugal), Sofia Bohdanowicz (realizadora, Canadá) e Veton Nurkollari (director artístico do Festival Dokufest, Kosovo).


“Serpentário”, uma co-produção luso-angolana, representada pela Agência da Curta Metragem, segue um rapaz que vagueia por uma paisagem africana pós-catástrofe em busca do fantasma da sua mãe e é protagonizado por João Arrais, contando ainda com a participação de Isabel Abreu (voz). O filme teve a sua estreia mundial na secção Fórum do festival de Berlim e, entretanto, obteve o prémio Nuove Visione no Sicilia Queer, em Itália, o Prémio do Público do Burgas Film Festival, na Bulgária, uma Menção Especial para o Melhor filme e o Prémio de Melhor Montagem no festival Filmadrid, e ainda a menção especial do júri Nouveaux Alquimistes do Festival du Nouveau Cinéma.

Leonor Teles e Gabriel Abrantes finalistas dos European Film Awards

23 Outubro 2019
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“Cães Que Ladram aos Pássaros”, de Leonor Teles e “Les Extraordinaires Mésaventures De La Jeune Fille De Pierre”, de Gabriel Abrantes estão entre os cinco finalistas da categoria de “Melhor Curta-Metragem” dos European Film Awards (Prémios Europeus de Cinema). Os vencedores são conhecidos no dia 7 de dezembro.

“Cães Que Ladram aos Pássaros”, comissariado pela Câmara Municipal do Porto, produzido por Leonor Teles e Uma Pedra no Sapato e com promoção internacional da Agência da Curta-Metragem, foi inteiramente rodado na cidade do Porto. O filme acompanha os dias de verão de Vicente e da sua família, obrigados a sair da sua casa no centro do Porto, por força da especulação imobiliária e teve a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Veneza, no passado mês de setembro.
 
Para chegar a esta lista reduzida, os juris de um conjunto de 19 festivais de toda a Europa, do qual o Curtas Vila do Conde é o único festival português, escolheu um nomeado que agora resultou em 5 finalistas. O filme “Les Extraordinaires Mésaventures De La Jeune Fille De Pierre”, de Gabriel Abrantes, foi o noemado da 27ª edição do Curtas Vila do Conde, e foi tambem galardoado com o "Prémio Ficção" da Competição Internacional e o "Prémio do Público" da Competição Nacional.  


Estes prémios reconhecem a excelência dos filmes produzidos na Europa e são entregues anualmente pela Academia Europeia de Cinema, composta por cerca de 3500 profissionais do meio. A 32ª cerimónia do European Film Awards vai realizar-se em Berlim, Alemanha, no dia 7 de dezembro.

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