No dia 16 de julho, terminou mais um Curtas Vila do Conde. No entanto, esta não foi uma edição normal: celebramos vinte e cinco anos, uma idade particularmente importante para um festival de cinema feito numa cidade periférica em Portugal. Foram nove dias intensos, com uma programação que olhava para a história do festival, mas também projetava o presente e o futuro. Esta edição foi uma das mais visitadas de sempre, com muitas salas cheias para ver o melhor do cinema contemporâneo.


Parte importante desta edição ocorreu com três acontecimentos celebratórios: o lançamento de um livro; a abertura de uma exposição; e nove sessões de uma carta branca a várias personalidades que têm passado pelo festival. No primeiro sábado, a 9 de julho, foram simultaneamente apresentados o livro e a exposição, ambos no Auditório Municipal, que foi a casa do Curtas durante muitos anos. Este regresso ao Auditório foi festejado por várias pessoas, muitas delas também “expostas” na exposição retrospetiva que o festival dedicou ao cinema português, intitulada “A Glória de Fazer Cinema em Portugal”. As sessões da carta branca foram dispersas durante toda a semana: foi uma espécie de best of da diversidade e qualidade da curta-metragem, tanto do ponto de vista histórico como contemporâneo, olhando também para o cinema português. Cada uma destas sessões foi apresentada pela personalidade que escolhera o filme.

O 25º Curtas Vila do Conde manteve a sua tradição das tardes e noites dedicadas às suas competições: nacional, internacional, experimental. Foi, para aqueles que cá vieram – público em geral, imprensa especializada – uma seleção muito forte, espelhada também na lista de premiados, que incluiu, mais uma vez, um filme português como vencedor do Grande Prémio do festival (Farpões Baldios, de Marta Mateus), curiosamente uma primeira obra.

O festival também dedicou uma retrospetiva integral ao cineasta francês F.J. Ossang, que esteve presente em Vila do Conde, apresentando os seus filmes e conversando com o público. Foi uma oportunidade única para conhecer a excentricidade do seu cinema e o peculiar lugar que ocupa no cinema francês e contemporâneo.
O ambiente foi de festa, com as longas noites de Vila do Conde, e o sentimento de que o Curtas é um festival, aos vinte e cinco anos, virado para o futuro.

1