O historial do Curtas Vila do Conde, durante estes vinte e quatro anos, está repleto de grandes filmes. É por isso que muitos dos cinéfilos da região se sentem ciné-filhos do festival: foi nas sessões de cinema, em julho de todos os anos, que aprenderam a gostar de cinema e aprenderam a gostar dos filmes que nos surpreendem. Em 2016, o Curtas oferece uma pequena homenagem ao cinema e à sua história, com um conjunto de sessões espalhadas por vários programas. Para além disso, e confirmando uma aposta dos últimos anos, haverá filmes-concerto para todos os gostos, em mais uma edição Stereo.


Como tradicionalmente, o festival terá o seu centro nas suas competições: internacional, experimental, nacional, vídeos musicais, curtinhas e Take One!, cujas sessões mostram o pulsar do cinema contemporâneo. É desse cinema que também se faz a retrospetiva In Focus de 2016, dedicada ao coletivo Borderline Films, cujos autores - Antonio Campos, Sean Durkin e Josh Mond - nos têm oferecido uma renovação geracional do cinema indie americano. Outro coletivo - agora em forma de dupla - tem também motivado grande entusiasmo e estão em Vila do Conde com uma missão especial: João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata irão ocupar a Solar, para a sua primeira exposição cinemática em Portugal. E, claro, para terminar, não esquecemos o futuro do festival: o Curtinhas estará sempre na moda, com um programa especial para os mais pequenos.

Este ano, a história do cinema está espalhada pela programação do festival. Não é apenas a história oficial, mas também a história das vanguardas e do cinema experimental. Na secção Stereo, por exemplo, tanto o concerto dos The Greg Foat Group (com clássicos das vanguardas dos anos 20) como os Tindersticks (com encomendas a cineastas que já inscreveram o seu nome na história do cinema) mostram como a música pode estar intimamente ligada a esta cinefilia. Outro dos pontos altos será a carta branca que João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata imaginaram. De Keaton a Beckett, passando por Warhol, Tati ou Kenneth Anger, estas sessões são uma autêntica lição de um cinema subversivo. Também neste contexto, podem integrar-se as três sessões dedicadas aos Ensaios Audiovisuais. Formato popularizado pelas novas ferramentas digitais, o ensaio audiovisual olha de novo para os filmes, analisando as suas estruturas e as suas semelhanças. É uma forma nova de cinefilia, por vezes mais livre, outras vezes mais analítica e académica. Dentro desta secção, mostrar-se-á também a arqueologia do género, com filmes históricos de, entre outros, Bruce Conner, Dara Birnbaum ou Jean-Luc Godard. Para culminar este programa transversal, o Curtas Vila do Conde promove um Workshop de Crítica de Cinema, juntando críticos, cineastas e académicos com um grupo de aspirantes à arte de escrever sobre cinema.

Uma das marcas mais importantes das noites de Vila do Conde são os filmes-concerto, onde música e cinema se encontram de forma criativa. Mais uma vez, este ano haverá muitos e bons concertos de bandas e músicos como Tindersticks, Jay-Jay Johanson, The Legendary Tigerman e The Greg Foat Group. Claro que o grande destaque vai para os ingleses Tindersticks que apresentarão, pela primeira vez em Portugal, um espetáculo especialmente preparado como filme-concerto. “The Waiting Room” acompanha o último álbum da banda com um conjunto de curtas-metragens encomendadas para o efeito, de autores como Christoph Girardet, Claire Denis ou o próprio vocalista Stuart A. Staples. Será uma das noites do festival! Outro dos grandes nomes desta edição é o de Jay-Jay Johanson que apresentará o seu último álbum, “Opium” - assumidamente mais pop e rock -, num espetáculo audiovisual. Presença frequente no palco do Teatro Municipal, The Legendary Tigerman regressa este ano com um espetáculo surpreendente, “How To Become Nothing”, um projeto em estreia absoluta que juntou o músico, a fotógrafa Rita Lino e o realizador Pedro Maia numa road trip pelo deserto da Califórnia. Finalmente, pela primeira vez em Portugal, The Greg Foat Group, o sexteto de jazz liderado pelo talentoso músico Greg Foat, sobe ao palco do festival para apresentar, também em estreia, “Visual Music”, uma banda sonora original para clássicos do cinema de vanguarda. A secção Stereo vai contar ainda com performances de live-cinema a cargo de Jorge Quintela e Pedro Maia e sessões de cinema.

O festival dedica, este ano, duas retrospetivas com características muitos diferentes: o coletivo americano Borderline Films apresentará parte das suas obras mais significativas; e a dupla João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata fará a sua primeira exposição cinemática na Solar, que será acompanhada de uma carte blanche. Antonio Campos, Sean Durkin e Josh Mond são os três artífices da Borderline Films. Cada um realiza um filme à vez, enquanto os outros produzem. As obras que nos têm oferecido - como “Afterschool”, “Martha Marcy May Marlene” ou “James White” – são variações criativas do cinema americano independente, em histórias sobre os nossos dias a partir de fórmulas do cinema de género (como o thriller), mas aqui deliciosamente subvertidas. São excelentes filmes a descobrir. A dupla João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata já é amplamente conhecida do festival: são dois cineastas incontornáveis do cinema português e com obras de importância maior como “O Fantasma” (apenas realizado por João Pedro Rodrigues) ou “A Última Vez que Vi Macau”. O Curtas propôs à dupla a sua primeira exposição cinemática na Solar, a que os autores intitularam “Do Rio das Pérolas ao Ave”.

Finalmente, o Curtas Vila do Conde continua a apresentar as suas muito concorridas sessões de competição: internacional, nacional, experimental, vídeos musicais, Take One! e Curtinhas. O melhor do cinema contemporâneo está aqui, em filmes que desafiam convenções, géneros e temáticas para nos dar uma panorâmica dos nossos dias. E o festival também oferece espaços onde as crianças e os jovens possam crescer a gostar de cinema: sessões, oficinas e o já clássico Espaço “Brincar ao Cinema”, onde as crianças são orientadas por formadores, enquanto os pais vão às nossas salas.


Assim, em 2016 o Curtas olha para a história e para o presente da sétima arte, sabendo que o cinema nos surpreende e nos permite exaltar a vida. A programação que se imaginou é, por isso, diversificada, com propostas diferentes para vários públicos, sempre com o melhor do cinema contemporâneo. Em Vila do Conde, de 9 a 17 de julho, o festival volta a celebrar a cinefilia que está em cada um de nós. A sua presença é obrigatória!

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