CURTAS: UM FESTIVAL PARA TODOS

O último Curtas Vila do Conde, que decorreu entre 9 e 17 de julho, foi um festival para todos. Nas suas diversas secções, o Curtas mostrou a sua abrangência de públicos, desde a cinefilia mais aguerrida, passando pelos amantes da música e pelas crianças, o público do futuro. Foi, precisamente, um festival entre o passado e o futuro, exibindo filmes icónicos da história do cinema, mas também procurando as novas tendências do cinema contemporâneo.

Durante nove dias de programação intensa, foram apresentados 9 filmes-concerto/performances e 241 filmes, oriundos de 46 países, em 86 sessões de cinema que decorreram nas duas salas do Teatro Municipal de Vila do Conde para de cerca de 20.000 espectadores. Esta edição contou com uma equipa de 138 colaboradores e mais de 350 convidados, entre eles realizadores, técnicos, atores, produtores, programadores e jornalistas.


O grande destaque vai, sobretudo, para os filmes-concerto, que voltaram a encher as salas do Teatro Municipal. Os Tindersticks e Jay-Jay Johanson mostraram porque são nomes fundamentais de um certo intimismo musical, em espetáculos em que a imagem em movimento é essencial para criar ambientes sonoros. Por outro lado, The Legendary Tigerman, desta vez acompanhado por Rita Lino e Pedro Maia, voltou a encantar com um projeto inédito, exibido em estreia mundial. Foi uma noite esplendorosa. Finalmente, The Greg Foat Group trouxe o melhor do jazz para um filme-concerto com filmes das vanguardas clássicas.

Como dissemos, o Curtas Vila do Conde foi um festival cinéfilo, com a exibição de muitos filmes clássicos, muitos deles projetados em película. Tanto na carta branca dos realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, como no programa especial de Ensaios Audiovisuais, foram vários os filmes “históricos” que foram apreciados por plateias muito jovens. Cumpriu-se, assim, um dos objetivos do festival: promover a cinefilia do futuro. Esse futuro foi também cumprido num Workshop de Crítica de Cinema, em que treze participantes escreveram mais de 40 textos sobre filmes exibidos no festival.

As competições mantiveram a sua apetência para chamar públicos e para mostrar o melhor do cinema contemporâneo. Em 2016, o júri do Curtas premiou dois cineastas que estiveram pela primeira vez em Vila do Conde: o prémio principal foi para o israelita Nadav Lapid (com “From the Diary of a Wedding Photographer”) e o prémio de melhor filme português foi para Ana Maria Gomes (com “António, Lindo António”). Mostrou-se, assim, que há uma renovação geracional do cinema de curta-metragem.

O panorama europeu, em colaboração com várias entidades de apoio e promoção ao cinema nos seus respectivos países, voltou a apresentar uma seleção das melhores curtas-metragens recentes de várias cinematografias europeias. Os países convidados em 2016 foram a Holanda, a Bulgária, a Roménia e a Polónia. Já o Panorama Nacional, apresentou filmes relevantes do último ano, mas que já passaram por outros festivais portugueses, de autores como Leonor Teles, Pedro Peralta, José Miguel Ribeiro, Filipe Abranches e Simão Cayatte.

O Curtas Vila do Conde dedicou ainda uma retrospetiva à Borderline Films, com a exibição das várias curtas e longas do coletivo de cinema independente americano e a presença de um dos fundadores, Josh Mond.

Finalmente, a exposição “Do Rio das Pérolas ao Ave” foi outro dos pontos altos. Pela primeira vez em Portugal, a dupla João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata montaram uma exposição numa galeria de arte, combinando elementos fílmicos (filmes ou rushes dos seus projetos) com elementos cénicos das suas obras. A exposição estará patente até 25 de setembro na Solar – Galeria de Arte Cinemática.

Com um ambiente de festa, em que as noites foram também importantes, o Curtas Vila do Conde mostrou, mais uma vez, ser um ponto de encontro para criadores e público, num clima de partilha e de descoberta. Para o ano há mais, numa edição especial: o 25º aniversário!

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