• DIAMOND ISLAND Davy Chou
França / Cambodja / Alemanha / Qatar / Tailandia · 2016 · FIC · 1:43:00
  • CAMBOJA 2099

    Davy Chou
DIAMOND ISLAND DIAMOND ISLAND
Davy Chou, 2016
France · Cambodia · Germany, FIC , 01:43:00
Selecionada para a Semana da Crítica de Cannes 2016, “Diamond Island” é a primeira longa-metragem de ficção de Davy Chou, cineasta nascido em França mas com raízes familiares no Camboja e autor do documentário “Golden Slumbers” (2012) sobre a “era dourada” do cinema cambojano dos anos 60 e 70 (praticamente varrido do mapa pelos khmers vermelhos). A longa prolonga, quer no plano formal como no material (há cenas inclusivamente filmadas nos mesmos espaços), o olhar da sua curta anterior – “Cambodia 2099” (2014), presente na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2014 e vencedora do Grande Prémio do Curtas no mesmo ano – sobre o Camboja atual (sobretudo sobre a sua população mais jovem) e suas transformações a um nível transversal: económicas e sociais, sim, mas também culturais (o lugar da família, os movimentos migratórios), urbanísticas, identitárias (extensíveis, de resto, aos restantes países do sudeste asiático). Com a profundidade que a maior duração da longa permite, Chou documenta essas convulsões a partir da história de um rapaz que abandona a sua aldeia para ir construir um empreendimento imobiliário de luxo, novo-riquista e ostentatório, na capital proto-futurista Phnom Penh. É como se, de alguma forma, o “Cambodia 2099”, i.e., a ideia (não o filme) de um Camboja “do futuro”, se materializasse nesse ‘dream come true’ do capitalismo consumista mais agressivo chamado “Diamond Island”, cuja insularidade (de “Island”) rima com o elitismo e o exclusivismo do empreendimento.

Os sonhos e o desejo de evasão, de um lado, o futuro e a interrogação sobre o porvir, do outro; estes são, programaticamente falando, os eixos por onde passa todo o cinema de Chou, sendo várias as “terras prometidas” a que as personagens se referem, em ambos os casos ilusões frustradas: os EUA, sim (como na curta anterior), mas também a Malásia, por exemplo (e o próprio “Diamond Island” é, metaforicamente, todo ele um “sonho em construção”). Se o pendor realista se faz notar (a pobreza, o trabalho infantil, a degradação habitacional, o choque entre ricos e pobres), no que ecoa um filme como o “Los Olvidados” de Buñuel (sobretudo nos planos dos miúdos inseridos na paisagem de “escombros” da cidade), é o registo melodramático, porém, que interessa a Chou na construção das personagens e do ambiente de “melancolia de metrópole” em que elas giram (poeticamente potenciado pelas cores e neóns noturnos, a evocar algum do cinema americano dos anos 70 e 80), com destaque para a de Solei, o irmão de Bora que é “financiado” por um ambíguo ‘sponsor’ americano e de quem alguém diz ninguém conhecer realmente bem (no seu mistério e penumbra trazendo à memória o irmão mais velho de “Rumble Fish”…). Se Rithy Panh tem, por todos os motivos, sido o porta-estandarte do melhor cinema cambojano que temos visto, Chou é, definitivamente, outro dos nomes que merece um acompanhamento atento daqui em diante. (FN)
PRODUÇÃO Charlotte Vincent - Aurora Films CONTACTO DE CÓPIA Berenice Vincent - Les Films du Losange; 33663746910, b.vincent@filmsdulosange.fr, www.filmsdulosange.fr ARGUMENTO Davy Chou FOTOGRAFIA Thomas Favel EDIÇÃO Laurent Leveneur SOM Vincent Villa MÚSICA Jérémie Arcache, Christophe Musset ACTORES Sobon Nuon, Cheanick Nov, Madeza Chhem, Mean Korn, Samnang Nut, Samnang Khim, Sophyna Meng, Jany Min, Sreyroth Dom, Batham Oun, Sreyleap Hang, Phara Phon