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Portugal · 2016
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16-05-2014, ESTA OBRA É PASSÍVEL DE PROVOCAR UMA EXPERIÊNCIA DESCONFORTÁVEL E EMOÇÕES NEGATIVAS NO PÚBLICO CHINÊS 16-05-2014, ESTA OBRA É PASSÍVEL DE PROVOCAR UMA EXPERIÊNCIA DESCONFORTÁVEL E EMOÇÕES NEGATIVAS NO PÚBLICO CHINÊS
João Rui Guerra da Mata, João Pedro Rodrigues, 2016
Portugal, , 00:00:00
Instalação, Projeção Vídeo, HD, cor, som
Portugal, 2016

Em 2014, fomos convidados a participar na mostra “Onde é a China?/Where is China?“, composta por obras de 27 artistas chineses e portuguese, exibidas em simultâneo em Pequim, no Beijing World Art Museum - Millenium Monument (16.05.2014 – 04.06.2014) e em Lisboa, no Museu do Oriente - Fundação Oriente (29.05.2014 - 06.07.2014). Com curadoria de Luís Alegre, Nuno Aníbal Figueiredo e José Drummond, pretendia-se celebrar 35 anos de relações diplomáticas entre estes dois países, reflectindo sobre a realidade cultural e o sentido global das geografias, valores não estáveis nem previsíveis.

No entanto, duas obras foram alvo de censura por parte das autoridades chinesas, não podendo ser exibidas em Pequim: “Yami Chop Suey“ de Miguel Palma e o nosso filme “Alvorada Vermelha“.

“Alvorada Vermelha“, curta-metragem de 2011, como as restantes obras propostas para a mostra, foi visionada por múltiplas comissões de censura na República Popular da China, tendo sido autorizada a sua exibição. Mesmo assim, acabou por ser retirada da exposição em Pequim pelas autoridades chinesas no dia da sua abertura, a 16 de Maio de 2014, uma hora antes da chegada do Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva, para a inauguração da mostra durante a visita oficial à República Popular da China que estava a decorrer. As autoridades chinesas confiscaram também os catálogos da exposição, alegando um erro de impressão. Os serviços da Presidência da República Portuguesa não reagiram, tendo dito ao semanário Expresso de 31 de Maio de 2014, que a presença do Presidente da República foi apenas um item da agenda da mesma visita oficial, não tendo Cavaco Silva sabido “de qualquer problema relacionado com a censura a obras portuguesas”. A embaixada de Portugal em Pequim não comentou o incidente, que foi notícia em vários órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros.

Depois de ter decidido retirar a obra, uma hora antes da abertura da exposição, o censor designado pelas autoridades chinesas, quando confrontado com a incongruência de ser apresentada uma sala vazia pintada de preto, com o título “Alvorada Vermelha“ e o nome dos realizadores escrito na parede e um écran branco onde o filme iria ser projetado, decidiu escolher uma imagem do filme e fixá-la, em pausa.

É esta imagem que agora apresentamos, numa instalação inédita, concebida especialmente para a Galeria Solar.

O visitante desce uma escada íngreme, iluminada a vermelho, ao som do hino da República Popular da China. Ao fundo da escada, encontra uma reprodução emoldurada do fax oficial, em chinês, da Associação Internacional de Cultura Chinesa, com a justificação da censura ao filme “Alvorada Vermelha“. Depois de passar por uma cortina preta que bloqueia a luz, desce uma rampa de segurança que o introduz numa sala escura e húmida onde, na única cadeira, do único espectador do filme completo em Pequim, se poderá sentar. Projetada está a imagem escolhida pelo censor chinês: uma mulher que nos olha surpreendida e apática.

A curta metragem “Alvorada Vermelha“, concebida para ser exibida em salas de cinema, pode ser vista na última sala desta exposição na Solar, sentado nas cadeiras originais antigo Cine Clube do Porto.