• RAMBO: A FÚRIA DO HERÓI Ted Kotcheff
7 JUL, 16:30, TEATRO MUNICIPAL SALA 1
  • RAMBO: A FÚRIA DO HERÓI

    Ted Kotcheff
FIRST BLOOD RAMBO: A FÚRIA DO HERÓI
Ted Kotcheff, 1982
USA, FIC, 01:33:00
“First Blood” começa no desamparo: uma esperança de reencontro frustrada, uma memória tingida pela realidade, uma fotografia entregue como quem doa uma lembrança para melhor a esquecer. O amigo morreu, o cancro da “orange stuff” tirou-lhe a vida e o sorriso do rosto pueril de Stallone (descendo a colina, alegre pela possibilidade de uma renovada irmandade de guerra na terra natal). Nada disso, em poucos segundos de filme já ele se fecha no seu isolamento e a brecha de comunicabilidade preenche-se pelo negrume do stresse pós-traumático. E do desamparo caímos no desespero, na raiva e na animalidade de um corpo tomado pelo hábito da morte. Ainda assim, Stallone, seguro pelo sucesso da saga Rocky, impôs uma humanização do personagem do romance homónimo de David Morrell. Essa cândida transformação do monstro (o ator e argumentista referiu-se ao personagem como um monstro de Frankenstein, mas também o equiparou ao personagem de James Dean em “A Leste do Paraíso” [1955]), torna Stallone numa criatura feita de músculo entesados e olhinhos de cachorro, tintados de uma doçura sofrida, igualmente indefesa e mortal. Traduz também o olho para o negócio, que Stallone já havia demonstrado (e que justifica em grande parte o seu legado enquanto monumento do grande herói americano), e a vontade de prolongar a vida (literalmente) das suas pessoas: obrigadas a envelhecerem com o corpo do ator, a lidarem com o seu próprio fim, no fundo, a humanizarem-se ainda mais, num rosto de esguelha e nuns lábios comprimidos pelas plásticas. Há, no entanto, qualquer coisa de anjo exterminador neste Rambo, figura sempre casta, meio reclusa, da ordem do contemplativo e da comunhão com a natureza, figura monástica no voto de silêncio e nos trajes simples e rasgados. De facto, um dos momentos mais marcantes de “First Blood” dá-se quando Rambo rasga um pedaço de pano, o enverga como poncho e o ata à cintura com uma simples corda. Assim vestido, o militar franciscano percorre o mato e prepara a morte dos seus perseguidores. Será exatamente com os trapos das suas vestes santas que Rambo acenderá uma luz no breu e encontrará (literalmente) a saída. Este é portanto um abnegado instrumento de matar, sem causa própria, sem direção nem destino, apenas a morte como caminho, como percurso que conduz à (sua eterna) salvação. (RVL)
PRODUÇÃO Buzz Feitshans CONTACTO DE CÓPIA Tamasa Distribution; 33143590101, contact@tamasadiffusion.com, www.tamasa-cinema.com ARGUMENTO Michael Kozoll, William Sackheim, Sylvester Stallone FOTOGRAFIA Andrew Laszlo EDIÇÃO Joan Chapman MÚSICA Jerry Goldsmith ACTORES Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, Bill McKinney, Jack Starrett, Michael Talbott, Chris Mulkey, John McLiam, Alf Humphreys, David Caruso, David L. Crowley, Don Mackay