THURSTON MOORE / MAYA DEREN

Thurston Moore mudou-se para Nova Iorque à entrada na maioridade para tocar punk. Quatro anos depois, em 1981, fundava os Sonic Youth, mítica banda nova-iorquina que, a partir do final dos anos oitenta, alterou a forma como a música alternativa era encarada pelo mainstream, com uma sonoridade etérea e inovadora, que tanto deve à improvisação e ao noise como à subversão experimental das estruturas convencionais. A solo é, ainda hoje, um dos nomes mais relevantes e originais, que mais caminho desbrava na criação de novas linguagens em colisão com os padrões normativos, e que, ainda assim, lhe deixa tempo para fazer poesia ou dar aulas de escrita criativa. Na música, o vocalista, guitarrista e compositor continua a apresentar-se em palco com The Thurston Moore Group, mas é a solo que se apresenta em Vila do Conde, com uma proposta de acompanhamento para a exibição de alguns filmes realizados por Maya Deren, uma das mais icónicas realizadoras da vanguarda americana. Maya Deren afirmou um dia que "com o cinema, consigo fazer o mundo dançar" e o encontro entre a obra destes dois universos artísticos que partilham uma irreverência comum e ambição pela originalidade promete ser uma experiência entusiasmante.
  • WITCH CRADLE Maya Deren
10 JUL, 21:00, TEATRO MUNICIPAL DE VILA DO CONDE
  • THURSTON MOORE / MAYA DEREN

    WITCH CRADLE
  • THURSTON MOORE / MAYA DEREN

    AT LAND
  • THURSTON MOORE / MAYA DEREN

    RITUAL IN TRANSFIGURED TIME
  • THURSTON MOORE / MAYA DEREN

    MESHES OF THE AFTERNOON
  • Thurston Moore
WITCH CRADLE WITCH CRADLE
Maya Deren, 1943
USA, FIC, , 00:10:00
No mesmo ano do sucesso da primeira curta, segue-se “Witch’s Cradle”, co-realizada com Marcel Duchamp, que já experimentara a mudez do grão preto e branco 16mm. Quem é aqui o Sr. Dada, dedilhando a largura da corda lassa? E as veias por fora, subindo os côncavos do corpo? E as mãos abertas como corais desatados por corda a cair? Uma teia adensa. Súbito desenho sobre o negro: trapézios habitados por mulher, organismo contra geometria. Pajarita Matta, atriz. A mulher ocupando a íris do olho. A mulher reocupando a íris do olho. Mulher chamada por? Feitiço. A roda da fortuna a profetizar o fim (evocando os Rotoreliefs do “Anemic Cinema”, de Duchamp, 1926). A luciferina estrela, um coração exposto e o número 13. Uma teia adensa, Matta a desfio. Matta a ser chamada. Matta a ser a bela bruxa que chama de dentro do filme. Matta a ser prometida pelo título do filme. E o filme enfiado pela teia, complicado. O filme bruxuleado, o filme fechado por si próprio. E, com ele, nós, reféns neste bunker pictorial, ainda agora inaugurado (1942) em Manhattan por Peggy Guggenheim (a grande mecenas do séc. XX): a galeria Art of This Century. (SDM)
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