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  • REALIDADE Quentin Dupieux
21 JUL, 18:30, Teatro Municipal Sala Um
  • REALIDADE

    Quentin Dupieux
REALITÉ REALIDADE
Quentin Dupieux, 2014
France · Belgium · USA, FIC, 01:35:00
Qual a ligação entre um cameraman de televisão francês, Jason (interpretado por Alain Chabat), a tentar a sua sorte no cinema na Califórnia e a precisar de descobrir o gemido de dor perfeito para ver o seu filme financiado, um programa de culinária cujo anfitrião é um homem vestido de rato que sofre de terríveis comichões, uma menina chamada Reality que está convencida de que um javali engoliu inteira uma cassete VHS azul, cujo conteúdo é afinal parte de uma longa-metragem da autoria de um ex-realizador de documentários e produzida pelo potencial investidor no projecto de Jason - desde que ele encontre o gemido perfeito -, e o director da escola que frequenta Reality, que se veste de mulher nos seus sonhos e que tenta confiscar a sua misteriosa cassete VHS azul? O aspecto mais divertido deste “Reality” é mesmo o abandonar de qualquer tentativa de análise lógica de todas as absurdas e engenhosas habilidades narrativas. Se nos quisermos deixar levar, talvez obtenhamos a resposta. Ou talvez não, já que o realizador Quentin Dupieux nem sempre facilita a tarefa do espectador, com diversas camadas da história que nem sempre têm uma relação óbvia entre si, com sonhos dentro de sonhos dentro de outros sonhos, filmes dentro do filme, personagens dos sonhos que encontram personagens do “mundo real”. A ponto de nos questionarmos sobre o que, no filme, faz parte da realidade ou dos sonhos. E quando o espectador pensa que já não haverá mais hipótese de ser surpreendido, eis que nos é revelado – a nós e às personagens do filme – o conteúdo da enigmática cassete. Este carácter lúdico, um sentido de humor algo bizarro e uma impressão de que o próprio realizador não se está a levar demasiado a sério são alguns dos pontos fortes do filme. Mas há mais: o excelente uso dos cenários da Califórnia, quer naturais quer construídos (a casa do produtor de cinema parece saída de “Zabriskie Point”), ou as referências e homenagem aos filmes de série B que já são uma imagem de marca de Dupieux: se em “Rubber” era um pneu assassino que atacava na estrada, aterrorizando os viajantes, aqui temos o filme dentro do filme que é o projecto de Jason, chamado “Waves”, onde todos os aparelhos de TV começam a emitir radiações mortais que actuam sobre o cérebro das pessoas, fazendo-o explodir. Uma metáfora, portanto: quando Jason conta a sinopse de “Waves” ao produtor e este pergunta porque é que isso acontece, a resposta é “porque a televisão torna as pessoas estúpidas”. Finalmente, uma referência à banda sonora, que desta vez não é da autoria de Mr. Oizo, o conhecido alter ego musical de Quentin Dupieux (o seu hit house “Flat Beat” vendeu mais de quatro milhões de cópias em todo o mundo), sendo antes usado de forma insistente um excerto repetitivo da composição de Philip Glass “Music with Changing Parts”, essencial para a atmosfera geral do filme e contribuindo de forma decisiva para uma impressão de loop infinito, sem início nem fim.
Quentin Dupieux foi o realizador em foco no Curtas Vila do Conde em 2015, que exibiu a maior parte dos seus filmes até à data: “Rubber” (2010), “Wrong” (2012), “Wrong Cops” (2013) e “Reality” (2014). Na presente edição do festival, é apresentada em ante-estreia nacional a sua mais recente longa-metragem, “Mandibules”, estreada no Festival de Veneza em 2020. (MD)
PRODUÇÃO Realitism Films, info@realitism.com CONTACTO DE CÓPIA Realitism Films, info@realitism.com, www.realitismfilms.com ARGUMENTO Quentin Dupieux MÚSICA Phillip Glass ACTORES Alain Chabat, Jonathan Lambert, Elodie Bouchez, Kyla Kennedy, John Glover, Eric Wareheim, Jon Heder